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    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Barretos (SP)
    05 de setembro de 2026

    O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou o SUS como “uma das obras-primas da saúde mundial” neste sábado (5/set), durante visita ao Hospital de Amor, em Barretos (SP). A declaração reforçou a defesa da rede pública como direito universal e patrimônio do Brasil.

    Depois de ouvir um coral de pacientes traqueostomizados e percorrer o Diretório de Reabilitação Moderna (DREAM), Lula afirmou que usuários do SUS terão acesso à mesma geração de máquinas de radioterapia utilizada em tratamentos de alto nível, citando como referência os equipamentos usados por ele, pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pelo presidente da China, Xi Jinping.

    Acompanharam o presidente a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, Janja; o ministro da Saúde, Alexandre Padilha; o ministro da Educação, Leonardo Barchini; a presidente do Banco do Brasil, Tarciana Paula Gomes Medeiros; o presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Antônio Vieira Fernandes; o presidente do Hospital de Amor, Henrique Prata; e o vice-prefeito de Barretos, Mussa Calil Neto.


    Após o evento, Lula seguiu para São José do Rio Preto.

    O que Lula disse em Barretos

    Lula afirmou que nenhum país com mais de 100 milhões de habitantes possui um sistema público único comparável ao SUS e destacou que a rede realiza 99% dos transplantes no país.

    “A gente não tem medo de disputar com o hospital particular”, afirmou, contrapondo a defesa do sistema público à percepção de que o atendimento estatal seria marcado apenas por filas e precariedade.

    Sobre a radioterapia, declarou:

    “Hoje, qualquer uma de vocês, qualquer um de vocês que precisar fazer uma radioterapia, vocês vão fazer numa máquina que fará o Lula, na mesma máquina que faz o presidente Trump, dos Estados Unidos, na mesma máquina que faz o presidente Xi Jinping, da China.”

    O Ministério da Saúde registrou o anúncio de mais de 105 equipamentos de radioterapia e da expansão de centros de recuperação para cidades com mais de 150 mil habitantes.

    Lula também estabeleceu o prazo de 30 dias para o início do tratamento após o diagnóstico de câncer.

    “A doença não espera e é da nossa responsabilidade garantir que as pessoas mais humildes tenham tratamento”, disse.

    O presidente relatou suas próprias 33 sessões de radioterapia na garganta, além da quimioterapia e de uma perda temporária de movimento na perna esquerda.

    Pandemia e vacinação

    Lula criticou a gestão da pandemia de Covid-19 e afirmou que o SUS “ressurge das cinzas” depois de ter sido “achincalhado”. Citou as 716 mil mortes registradas no país e declarou:

    “Poderia ter sido evitado pelo menos umas 400 mil se tivesse apenas acreditado na ciência.”

    Também criticou a desinformação sobre vacinas, mencionando afirmações falsas de que a imunização faria uma pessoa “virar gay” ou “virar jacaré”. Segundo Lula, esse tipo de discurso afastou pais da vacinação infantil.

    Farmácia Popular e atendimento especializado

    Lula também citou a criação do SAMU e da Farmácia Popular. Segundo ele, 41 medicamentos de uso contínuo são entregues gratuitamente, sem questionamento sobre a renda do paciente.

    O presidente mencionou ainda o programa Agora Tem Especialistas e as filas para consultas e exames de oncologia, oftalmologia e cardiologia, além de cintilografias, PET-CT e ressonâncias magnéticas.

    Ao defender a universalidade do SUS, contou o caso de um jornalista americano atendido pelo SAMU em Ilhabela após um acidente. Segundo Lula, quando o jornalista perguntou quanto pagaria, recebeu a resposta de que nada seria cobrado.

    “Nem perguntamos se ele era americano ou não. Era um ser humano que estava precisando de saúde.”

    O presidente também anunciou 150 carretas para exames de imagem destinados à saúde da mulher, elogiou Henrique Prata e Alexandre Padilha e afirmou que o Hospital de Amor é “motivo de orgulho no mundo inteiro”.

    O DREAM e a expansão do Hospital de Amor

    A visita ocorreu no DREAM, cuja área de reabilitação está sendo ampliada de aproximadamente 2 mil para 8 mil metros quadrados.

    Segundo o Ministério da Saúde, o centro oferece reabilitação física, intelectual, visual e auditiva, além de 18 leitos com assistência 24 horas, centro cirúrgico, câmara hiperbárica, hidroterapia, oficina ortopédica e tecnologias como o exoesqueleto Lokomat.

    Em 2025, a unidade de Barretos atendeu 8.198 pacientes e realizou 62.319 atendimentos. Nas unidades de Barretos, Araguaína (TO) e Porto Velho (RO), foram contabilizados 126.745 atendimentos.

    O evento começou com a apresentação de um coral formado por pacientes traqueostomizados. Lula interrompeu o cerimonial para ouvi-los e afirmou:

    “Eu já ganhei o dia hoje. Não precisava falar mais nada.”

    Alexandre Padilha

    O ministro da Saúde definiu o DREAM como “o maior centro da América Latina de reabilitação completa e integral” e reiterou: “aqui é 100% SUS”.

    Padilha afirmou que a instituição, criada para o tratamento do câncer, passou a atender também pessoas com deficiência sem vínculo oncológico. Agradeceu ao Hospital de Amor, ao Banco do Brasil, à Fundação Banco do Brasil e à Caixa.

    Segundo o ministro, o governo já comprou mais de 100 equipamentos de radioterapia e pretende levar tecnologia de ponta à população.

    “Quem é movido pelo ódio não faz o que a gente está fazendo aqui”, afirmou.

    Henrique Prata

    O presidente do Hospital de Amor afirmou que os pobres “não vão morrer na fila mais neste país” e atribuiu a redução das esperas ao programa de especialistas.

    Disse que o hospital reúne 50 unidades de prevenção e cerca de 9 mil colaboradores. Também defendeu que a população pobre tenha acesso ao mesmo padrão de tratamento existente na medicina privada.

    Mussa Calil Neto

    O vice-prefeito de Barretos agradeceu a presença de Lula e Janja e afirmou que as reivindicações levadas a Brasília com Padilha não retornam “com o bornal vazio”.

    Reforçou ainda o pedido para a construção de uma nova Santa Casa com padrão semelhante ao atendimento oncológico do Hospital de Amor.

    “Barretos te ama”, declarou.

    Antecedentes

    Em 15 de maio, Lula esteve em Barretos para anunciar um pacote de R$ 2,2 bilhões destinado ao combate ao câncer, com investimentos em centro de pesquisa clínica, cirurgia robótica, medicamentos de alto custo e aceleradores lineares, conforme registrou o Urbs Magna.

    A visita deste sábado retoma a política de expansão da oncologia de alta complexidade no SUS e acrescenta ênfase à reabilitação dos pacientes.

    O Hospital de Amor, antigo Hospital de Câncer de Barretos, atende pelo SUS e se apresenta como o maior centro oncológico gratuito da América Latina. A instituição depende de doações e parcerias para cobrir seu déficit financeiro.

    A visita também reuniu três temas políticos presentes no discurso de Lula: a memória da pandemia, a defesa do SUS e o debate eleitoral de 2026 sobre o papel do Estado na saúde.

    A comparação com Trump e Xi Jinping foi apresentada como referência ao padrão tecnológico que o governo pretende oferecer aos pacientes do sistema público.

    O que esperar

    O governo afirma que pretende expandir centros de reabilitação para diferentes regiões e instalar estruturas de recuperação oncológica em municípios com mais de 150 mil habitantes.

    Padilha falou em ter “pelo menos um desse em cada região do nosso país”.

    A execução depende da compra e instalação dos equipamentos, da contratação de profissionais e da manutenção do financiamento do SUS.

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