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Lula se reúne com militares para ouvir demandas, leva presidente da Fiesp e barra general do GSI

    Após o encontro, que teve participação dos comantantes do Exército, Marinha e Aeronáutica, além do ministro da Defesa, José Múcio resumiu para jornalistas as pautas tratadas

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu com o alto comando militar na manhã desta sexta-feira (20/1), no Palácio do Planalto, para ouvir suas demandas. Para o encontro, o chefe do Executivo surpreendeu ao excluir o ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Gonçalves Dias, e incluir o presidente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Josué Gomes.

    Na quarta (18/1), Lula disse à Natuza Nery, da GloboNews, que “nós temos inteligência do GSI, da Abin, do Exército, da Marinha, da Aeronáutica”, mas que “nenhuma dessas inteligências serviu para avisar ao Presidente da República que poderia ter acontecido isso“.

    O encontro também reuniu o ministro da Defesa, José Múcio, e os comandantes do Exército, da Marinha e Aeronáutica.

    O objetivo da reunião seria tratar da modernização das Forças Armadas, com parcerias público-privadas para estimular investimentos, conforme disse, na terça-feira (17/1), o ministro da Casa Civil, Rui Costa.

    Quanto a Josué Gomes, ele já havia sido convidado para a reunião, com antecedência.

    Pouco depois da reunião, que ocorreu de forma fechada e sem acesso da imprensa, Múcio negou que os atos golpistas de ‘8 de janeiro‘ tenham sido debatidos: “Foi para tratar dos investimentos da indústria de defesa. Se vocês perguntarem se tratamos do dia 8, não tratamos. Isso está com a Justiça. Tratamos com Josué [Gomes] e outros cinco empresários. Todos colocando soluções para a indústria“, declarou.

    Múcio disse ainda, segundo transcrição no g1, que o governo aguarda “comprovações” para que as providências sejam tomadas sobre a responsabilização do quebra-quebra e que os militares estão cientes e concordam com a fala de Lula sobre punir envolvidos “de qualquer patente“. O ministro da Defesa também argumentou que entende que não houve envolvimento direto das Forças Armadas nos atos, embora possa ter havido a participação individual de militares e que não há chances de outro ataque do mesmo tipo.

    No Twitter, o jornalista Reinaldo Azevedo afirmou, horas antes do encontro, que não entendeu a argumentação “dos que afirmam que Lula também tem de ceder no caso dos militares“. Para ele, não há que se ceder em nada, pois “extremistas tentaram dar o golpe impossível, debaixo de olhares e omissões cúmplices. Perderam“.

    Azevedo prossegue: “Cumpram-se a Constituição e as leis. Tivessem vencido, também não haveria o que negociar. Os democratas estariam mortos ou presos, certo? Ademais, vale o currículo. Os militares não têm o q reclamar dos governos petistas. Jamais as Forças foram tão atendidas em seus anseios em tempos democráticos. E isso é só um fato“.

    O jornalista pontua: “A dificuldade está numa concepção torta, alheia à democracia, segundo a qual os militares exercem a tutela do país. A democratização até agora não enfrentou essa questão. E os próprios golpistas tornaram o tema inadiável. O poder civil de matriz democrática não tem concessões a fazer. Ponto“.

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