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Lula chama às pressas Alckmin, Haddad e Vieira após carta de Trump taxando o Brasil em 50% pelo caso Bolsonaro/STF

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    O ministro
    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o vice-presidente, Geraldo Alckmin, e Lula em foto de Sérgio Lima/Poder360 | Mauro Vieira em foto de Hugo Barreto/Metrópoles | Ao fundo, o Presidente dos EUA, Donald Trump, ao sancionar a Lei One, Big Beautiful Bill em 04 de julho de 2025 em Washington, DC.| Montagem


    Inacreditavelmente, o presidente dos EUA impôs novas taxas ao país devido ao processo movido pelo STF contra o ex-presidente, voltando a dizer que se trata de uma “caça às bruxas” – Leia a íntegra e veja a imagem

    RESUMO <<O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou uma reunião de emergência com os ministros Fernando Haddad e Geraldo Alckmin após o anúncio de Donald Trump, presidente dos EUA, de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto de 2025. A medida, justificada por Trump como retaliação à postura do STF contra Jair Bolsonaro, pegou o governo brasileiro de surpresa, que agora avalia respostas diplomáticas e comerciais para proteger a economia nacional>>



    Brasília, 09 de julho de 2025

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou às pressas o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e o chanceler Mauro Vieira para uma reunião de emergência, na tarde desta quarta-feira (9/jul).

    O Palácio do Planalto virou o epicentro de uma resposta urgente à mais recente ofensiva comercial dos Estados Unidos, cujo presidente, Donald Trump, anunciou, em uma carta enviada ao Brasil, novas tarifas de 50% sobre todos os produtos brasileiros importados por seu país, a partir de 1º de agosto.

    A decisão, publicada por Trump em sua rede social Truth Social, foi um choque para o governo brasileiro, que agora pensa em uma estratégia para o conteúdo da carta endereçada a Lula.

    Trump, recentemente, citou a condução do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como uma “vergonha internacional”, chamando o processo de “caça às bruxas” e exigiu sua interrupção imediata, alegando que o Brasil estaria violando princípios de liberdade de expressão e eleições livres.

    O republicano tornou a mencionar o caso na carta enviada nesta quarta-feira. Além disso, o presidente americano criticou a relação comercial com o Brasil, classificando-a como “injusta” devido a barreiras tarifárias e não tarifárias.

    No Planalto, o clima é de surpresa misturada com cautela. O governo Lula classificou a ação como “política” e considera que a menção a Bolsonaro extrapola os limites de uma negociação comercial.

    Fontes do governo, segundo a CBN Brasil, afirmam que a carta de Trump foge do plausível ao misturar questões judiciais internas com política comercial. A alíquota de 50% é a mais alta anunciada por Trump até o momento, superando taxas de até 30% impostas a países como Argélia e Filipinas.

    Geraldo Alckmin, que já vinha atuando como interlocutor com os EUA em negociações comerciais, criticou a medida como “injusta” e destacou o superávit comercial americano com o Brasil.

    Dos 10 produtos que os EUA mais exportam para nós, oito têm alíquota zero. Taxar o Brasil prejudica até a própria economia americana”, declarou Alckmin, apontando a integração entre as cadeias produtivas, como no setor siderúrgico.

    Lula, por sua vez, sinalizou que o Brasil não ficará de braços cruzados. Em falas recentes, o presidente defendeu a reciprocidade comercial e mencionou a possibilidade de acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) ou impor tarifas sobre produtos americanos importados.

    Se ele taxar nossos produtos, vamos taxar os que importamos deles. Simples assim”, afirmou Lula em janeiro, quando Trump anunciou tarifas de 25% sobre aço e alumínio. As tarifas de 50% podem atingir duramente setores como o agronegócio, siderurgia e manufaturados, que dependem do mercado americano.

    O Brasil é o terceiro maior fornecedor de aço para os EUA, e a taxação pode encarecer cadeias produtivas globais, afetando até indústrias americanas.

    O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, sob comando de Alckmin, já realiza um mapeamento dos setores mais impactados e avalia medidas de retaliação, como a suspensão de regimes como o ex-tarifário, que reduz impostos para importação de bens de capital.

    Paralelamente, o governo busca diversificar mercados para reduzir a dependência dos EUA. Acordos com a União Europeia e países do Oriente Médio estão na mira, enquanto o fortalecimento dos BRICS é visto como uma alternativa estratégica. Haddad, em recente viagem aos EUA, destacou a importância de um “comércio global sustentável” e reforçou negociações bilaterais para mitigar os impactos.

    A postura de Trump, que mistura comércio com política, coloca o Brasil em uma encruzilhada. De um lado, Lula busca manter a soberania nacional e defender as instituições, como o STF. De outro, a diplomacia brasileira tenta evitar uma guerra comercial que poderia custar bilhões à economia.

    A reunião no Planalto é apenas o primeiro passo de uma resposta que precisará equilibrar firmeza e diálogo. Como disse Alckmin, “temos 200 anos de amizade com os EUA, e não vamos mudar o tom”.

    A Carta

    9 de julho de 2025
    Sua Excelência
    Luiz Inácio Lula da Silva
    Presidente da República Federativa do Brasil
    Brasília

    Prezado Sr. Presidente:

    Conheci e tratei com o ex-Presidente Jair Bolsonaro, e o respeitei muito, assim como a maioria dos outros líderes de países. A forma como o Brasil tem tratado o ex-Presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos, é uma vergonha internacional. Esse julgamento não deveria estar ocorrendo. É uma Caça às Bruxas que deve acabar IMEDIATAMENTE!

    Em parte devido aos ataques insidiosos do Brasil contra eleições livres e à violação fundamental da liberdade de expressão dos americanos (como demonstrado recentemente pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil, que emitiu centenas de ordens de censura SECRETAS e ILEGAIS a plataformas de mídia social dos EUA, ameaçando-as com multas de milhões de dólares e expulsão do mercado de mídia social brasileiro), a partir de 1º de agosto de 2025, cobraremos do Brasil uma tarifa de 50% sobre todas e quaisquer exportações brasileiras enviadas para os Estados Unidos, separada de todas as tarifas setoriais existentes. Mercadorias transbordadas para tentar evitar essa tarifa de 50% estarão sujeitas a essa tarifa mais alta.

    Além disso, tivemos anos para discutir nosso relacionamento comercial com o Brasil e concluímos que precisamos nos afastar da longa e muito injusta relação comercial gerada pelas tarifas e barreiras tarifárias e não tarifárias do Brasil. Nosso relacionamento, infelizmente, tem estado longe de ser recíproco.

    Por favor, entenda que os 50% são muito menos do que seria necessário para termos igualdade de condições em nosso comércio com seu país. E é necessário ter isso para corrigir as graves injustiças do sistema atual. Como o senhor sabe, não haverá tarifa se o Brasil, ou empresas dentro do seu país, decidirem construir ou fabricar produtos dentro dos Estados Unidos e, de fato, faremos tudo o possível para aprovar rapidamente, de forma profissional e rotineira — em outras palavras, em questão de semanas.

    Se por qualquer razão o senhor decidir aumentar suas tarifas, qualquer que seja o valor escolhido, ele será adicionado aos 50% que cobraremos. Por favor, entenda que essas tarifas são necessárias para corrigir os muitos anos de tarifas e barreiras tarifárias e não tarifárias do Brasil, que causaram esses déficits comerciais insustentáveis contra os Estados Unidos. Esse déficit é uma grande ameaça à nossa economia e, de fato, à nossa segurança nacional!

    Além disso, devido aos ataques contínuos do Brasil às atividades comerciais digitais de empresas americanas, bem como outras práticas comerciais desleais, estou instruindo o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, a iniciar imediatamente uma investigação da Seção 301 sobre o Brasil.

    Se o senhor desejar abrir seus mercados comerciais, até agora fechados, para os Estados Unidos e eliminar suas tarifas, políticas não tarifárias e barreiras comerciais, nós poderemos, talvez, considerar um ajuste nesta carta. Essas tarifas podem ser modificadas, para cima ou para baixo, dependendo do relacionamento com seu país. O senhor nunca ficará decepcionado com os Estados Unidos da América.

    Muito obrigado por sua atenção a este assunto!

    Com os melhores votos,
    Atenciosamente,
    DONALD J. TRUMP
    PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA


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