Governo acelera discussões para apresentar proposta de renegociação que alivia produtores rurais endividados, com foco em sustentabilidade e recuperação econômica
Brasília, 04 de setembro de 2025
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva liderou uma reunião estratégica no Palácio do Planalto, em Brasília, na manhã desta quinta-feira (4/set), para abordar a crescente crise de endividamento dos produtores rurais brasileiros.
O encontro contou com a participação dos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Rui Costa (Casa Civil), Carlos Fávaro (Agricultura) e Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário), além da presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros.
O objetivo foi discutir alternativas para a renegociação de dívidas do setor agrícola, com uma proposta concreta esperada para a próxima semana.
O Banco do Brasil, uma das principais instituições financiadoras do agronegócio no país, enfrenta desafios devido ao aumento da inadimplência no setor.
Relatórios recentes apontam que os resultados do segundo trimestre de 2025 foram impactados por calotes na carteira de crédito rural, com projeções de que o terceiro trimestre também será pressionado.
“O governo estuda alternativas para renegociação da dívida e a expectativa é de uma proposta a ser apresentada até a semana que vem”, informou uma fonte oficial ligada à reunião.
A iniciativa do governo visa atender especialmente produtores do Rio Grande do Sul, que sofreram perdas significativas nas últimas safras devido a eventos climáticos extremos, como secas e enchentes.
Uma medida provisória (MP) está em estudo para autorizar a renegociação de dívidas de produtores que enfrentaram prejuízos nos últimos cinco anos, com abrangência nacional para aqueles que comprovarem perdas desde 2020.
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A renegociação das dívidas dos produtores rurais é um pleito sobretudo de produtores do Rio Grande do Sul, que cobram do governo uma solução estrutural.
Além disso, o Banco do Brasil está buscando apoio de escritórios de advocacia nos Estados Unidos para estruturar soluções financeiras que minimizem o impacto da inadimplência.
A reunião também reforçou o compromisso do governo com medidas que promovam a sustentabilidade econômica do setor, alinhadas ao Plano Safra 2025/2026, que destinou R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial, conforme anunciado pelo Ministério da Agricultura.
O ministro Carlos Fávaro enfatizou a necessidade de ações direcionadas, evitando renegociações generalizadas.
“Será uma medida individual, de acordo com a capacidade de pagamento do produtor”, afirmou, destacando que o manual de crédito rural será aplicado para avaliar casos específicos.
A expectativa é que as propostas incluam prazos estendidos e condições facilitadas, como carências de até 12 meses e parcelamentos de até 48 meses, inspiradas em iniciativas anteriores, como o Desenrola Rural, coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário.
O governo Lula busca, com essas medidas, evitar uma crise mais profunda no setor, que enfrenta desafios como preços baixos de commodities e custos elevados de produção.
A reunião marca um esforço para antecipar soluções antes que o endividamento leve a recuperações judiciais ou maior inadimplência, reforçando o papel do Brasil como um dos principais celeiros do mundo.







