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Diante da chantagem de Trump, Lula diz: “Não vou me humilhar” (vídeo)

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    O Presidente
    O Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante entrevista à agência de notícias Reuters |6.8.2025| Imagem reprodução Reuters


    No dia em que minha intuição disser que Trump está pronto para conversar, não hesitarei em ligar para ele, mas hoje minha intuição diz que ele não quer conversa. E eu não vou me humilhar



    Brasília, 07 de agosto de 2025

    Em meio a uma crise diplomática, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não se submeterá à pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para negociar as tarifas de 50% impostas sobre produtos brasileiros, que entraram em vigor em 6 de agosto de 2025.

    Em entrevista à Reuters, Lula declarou que só ligará para Trump quando sentir que há disposição real para diálogo, enfatizando que não vai se “humilhar” diante de um líder que, segundo ele, não demonstra interesse em negociar.

    A medida americana, que afeta 35,9% das exportações brasileiras aos EUA, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), foi justificada por Trump como retaliação a supostos abusos contra empresas e cidadãos americanos, incluindo o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

    Lula criticou duramente a interferência dos EUA na soberania do Brasil, comparando a atitude de Trump à intervenção americana no golpe militar de 1964.

    Ele classificou as ações como “anticivilizatórias” e acusou Bolsonaro e seu filho, Eduardo Bolsonaro, de incitarem os EUA contra o Brasil, chamando-os de “traidores da pátria”.

    O presidente destacou que o Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pelo julgamento de Bolsonaro, é independente e não deve se curvar às pressões externas.

    Em vez de retaliar com tarifas contra produtos americanos, o que poderia aumentar a inflação no Brasil, Lula optou por uma postura de diálogo, mas sem abrir mão da soberania nacional.

    Para enfrentar o “tarifaço”, Lula planeja articular uma resposta conjunta com os países do BRICSBrasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã.

    Ele anunciou que entrará em contato com líderes como o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e o presidente da China, Xi Jinping, para discutir os impactos das tarifas e coordenar uma estratégia multilateral.

    O grupo, que representa um PIB agregado de 24,7 trilhões de dólares, é visto por Lula como uma alternativa ao unilateralismo de Trump, que busca desmontar acordos coletivos em instituições globais.

    O Brasil também acionou os Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC), iniciando consultas bilaterais para contestar a legalidade das tarifas.

    Apesar das tensões, Lula mantém a porta aberta para negociações futuras, afirmando que pode encontrar Trump na Assembleia Geral da ONU em Nova York, em setembro, ou convidá-lo para a COP30 em Belém, em novembro.

    Ele destacou que os EUA acumulam um superávit comercial de 410 bilhões de dólares com o Brasil nos últimos 15 anos e defendeu o direito do país de regular empresas de tecnologia, como as big techs, sem interferências externas.

    Enquanto trabalha para proteger empresas e empregos brasileiros, Lula aposta na diplomacia e na paciência para superar a crise, reforçando que o Brasil é soberano e que “quem define os rumos do país são os brasileiros”.



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