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Por que Lula pode rejeitar o convite “prestigioso” de Trump para o Conselho de Paz?

    Estratégia diplomática do Brasil para navegar riscos à ONU equilibra relações com os EUA em meio à reconstrução de Gaza

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    Presidente da
    Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático – ASEAN em Kuala Lampur, Malásia / Foto: Ricardo Stuckert / PR
    RESUMO

    O governo Lula avalia recusar polidamente o convite de Trump para o Conselho de Paz, focado em reorganizar Gaza, devido a riscos de enfraquecer a ONU. Lula discutiu com Modi e Abbas na quinta (22/jan); estratégia é procrastinar e pressionar por reformas na ONU. 23 países aceitaram, 6 declinaram; Brasil analisa com China e Rússia. Convite chegou em 17 de janeiro.


    Brasília (DF) · 26 de janeiro de 2026

    O governo do Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), avalia com cautela o convite formulado por Donald Trump para que o Brasil integre o recém-criado “Conselho de Paz”.

    Essa iniciativa, liderada pelos Estados Unidos, visa primordialmente à reorganização do território de Gaza, arrasado por ataques israelenses, mas suscita preocupações sobre o potencial enfraquecimento da Organização das Nações Unidas (ONU).

    O convite chegou à embaixada brasileira em Washington em 17 de janeiro, conforme fontes do governo revelaram à agência Reuters. Uma das fontes pontuou que o tema seria discutido com Lula na segunda-feira subsequente.

    O conselho, que supervisionaria a governança temporária de Gaza sob um cessar-fogo frágil desde outubro de 2023, representa um sinal de prestígio internacional, mas o Planalto fechou a avaliação de que o risco de esvaziamento da ONU é palpável e não deve ser subestimado.

    Na quinta-feira (22/jan), Lula conversou sobre o assunto com Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia, e Mahmoud Abbas, da Autoridade Palestina. Notavelmente, nem a Índia nem a Palestina receberam convites de Trump para o conselho, o que reforça a percepção de seletividade na composição do grupo.

    Auxiliares do presidente brasileiro reconhecem a complexidade: “o convite em si é um sinal de prestígio que não pode ser melindrado“, conforme análise exclusiva da colunista Daniela Lima no UOL.

    A estratégia emergente no Itamaraty é procrastinar uma resposta definitiva, solicitando esclarecimentos técnicos sobre lacunas jurídicas no estatuto do conselho – obtido pelo g1 via Reuters.

    Trump detém mandato vitalício como presidente do órgão, e nações aspirantes a assentos permanentes devem aportar US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,3 bilhões), administrados por ele.

    Em vez de recusa abrupta, o Brasil pretende alavancar o debate para pressionar por reformas imediatas no Conselho de Segurança da ONU durante a Assembleia Geral em setembro, convocando líderes para democratizar o sistema multilateral.

    Na sexta-feira (24/jan), Lula criticou publicamente a proposta, declarando que o mundo vive um momento político “muito crítico” onde a Carta da ONU está sendo “rasgada” e prevalece a lei do mais forte.

    Em vez de corrigir a ONU, como defendemos desde 2003 com a entrada de novos países – como México, Brasil e países africanos –, o que está acontecendo é que o presidente Trump está propondo criar uma nova ONU, como se ele sozinho fosse dono da ONU“, afirmou o presidente, conforme registrado pelo g1.

    Até o momento, 23 nações aceitaram o convite, incluindo Arábia Saudita, Israel, Egito e Argentina, enquanto seis declinaram, como França, Alemanha e Espanha. Oito países, incluindo Brasil, China e Rússia, ainda analisam a proposta.

    Diplomatas brasileiros veem no conselho uma evidência do fracasso do sistema multilateral atual, incapaz de resolver crises como a de Gaza.

    Uma fonte da diplomacia brasileira observou, segundo o g1: “Se Trump parar o genocídio em Gaza, ele prova que a ONU não serve mais no formato atual“.

    Essa postura reflete o compromisso do Brasil com o multilateralismo, posicionando-o como defensor de reformas inclusivas em fóruns globais, sem ceder a arranjos que possam fragmentar a governança internacional.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.



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