Presidente russo também manifestou solidariedade pelos incêndios florestais em meio à seca histórica, informou o Palácio do Planalto, nesta quarta-feira
O presidente Vladimir Putin, telefonou nesta quarta-feira (18/9) para o Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para discutir, dentre outros assuntos, a proposta de paz que nosso País em conjunto com a China para o conflito entre a Federação da Rússia e a Ucrânia, informou o Palácio do Planalto.
Segundo a note, Putin também manifestou “solidariedade” ao Brasil “no enfrentamento dos incêndios florestais” em meio à seca histórica, informou o Palácio do Planalto.
Os dois presidentes também “conversaram sobre a reunião e os temas que serão debatidos na cúpula dos BRICS [bloco originalmente formado por Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul], mês que vem, em Kazan (Rússia), e as relações bilaterais entre os dois países”.
O governo brasileiro defende o diálogo e uma solução pacífica para a guerra. O texto proposto representa um esforço de contribuir pela retomada do diálogo, sugerindo princípios básicos que poderiam ser considerados na consolidação de eventual processo negociador, conforme disse o o Itamaraty.
A proposta conjunta foi apresentada no fim de maio após reunião do assessor especial Celso Amorim com o chanceler chinês Wang Yi, em uma tentativa dos governos do Brasil e da China de encontrar uma saída para o conflito que já dura dois anos e meio.
O texto propõe a negociação direta entre a Ucrânia e a Rússia a partir de três princípios: não expansão do campo de batalha; não escalada dos combates; e a não inflamação da situação.
O Itamaraty e a chancelaria chinesa ainda pedem pelo fim do bombardeamento da infraestrutura civil e determinação de uma zona segura entorno de usinas nucleares nos dois lados da fronteira.
“As duas partes convidam os membros da comunidade internacional a apoiar e endossar os entendimentos comuns, mencionados acima, e a desempenhar, conjuntamente, um papel construtivo em favor da desescalada da situação e da promoção de conversações de paz”, pontuam os dois países, conforme transcreve a CNN.
Leia a íntegra da proposta:
“1. As duas partes apelam a todos os atores relevantes a observarem três princípios para a desescalada da situação, a saber: não expansão do campo de batalha, não escalada dos combates e não inflamação da situação por qualquer parte.
2. As duas partes acreditam que o diálogo e a negociação são a única solução viável para a crise na Ucrânia. Todos os atores relevantes devem criar condições para a retomada do diálogo direto e promover a desescalada da situação até que se alcance um cessar-fogo abrangente. O Brasil e China apoiam uma conferência internacional de paz realizada em um momento apropriado, que seja reconhecida tanto pela Rússia quanto pela Ucrânia, com participação igualitária de todas as partes relevantes, além de uma discussão justa de todos os planos de paz.
3. São necessários esforços para aumentar a assistência humanitária em áreas relevantes e prevenir uma crise humanitária de maior escala. Ataques a civis ou instalações civis devem ser evitados, e a população civil, incluindo mulheres, crianças e prisioneiros de guerra, deve ser protegida. As duas partes apoiam a troca de prisioneiros de guerra entre os países envolvidos no conflito.
4. O uso de armas de destruição em massa, em particular armas nucleares, químicas e biológicas, deve ser rejeitado. Todos os esforços possíveis devem ser feitos para prevenir a proliferação nuclear e evitar uma crise nuclear.
5. Ataques contra usinas nucleares ou outras instalações nucleares pacíficas devem ser rejeitados. Todas as partes devem cumprir o direito internacional, incluindo a Convenção de Segurança Nuclear, e prevenir com determinação acidentes nucleares causados pelo homem.
6. A divisão do mundo em grupos políticos ou econômicos isolados deveria ser evitada. As duas partes pedem novos esforços para reforçar a cooperação internacional em energia, moeda, finanças, comércio, segurança alimentar e segurança de infraestrutura crítica, incluindo oleodutos e gasodutos, cabos óticos submarinos, instalações elétricas e de energia, bem como redes de fibra ótica, a fim de proteger a estabilidade das cadeias industriais e de suprimentos globais.”
