Português Inglês Irlandês Alemão Sueco Espanhol Francês Japonês Chinês Russo
Avançar para o conteúdo

Lula rebate Trump: ‘Não tem que matar narcotraficante nem interferir na soberania de outro país’ (vídeo)

    Clickable caption
    Presidente Lula
    Presidente Lula em conversa com jornalistas em Jacarta, Indonésia |24.10.2025| Imagem reprodução/Canal.Gov


    A ‘Doutrina Lula’ – em conversa com jornalistas em Jacarta, na Indonésia, o Presidente expôs sua visão sobre temas do protagonismo global, que poderá tratar com o republicano – Leia tudo o que disse o estadista na coletiva de hoje



    Jacarta, Indonésia, 24 de outubro 2025

    Em uma coletiva de imprensa realizada em Jacarta, capital da Indonésia, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva delineou os contornos de uma política externa que busca reequilibrar as alianças do Brasil e reafirmar seu protagonismo no cenário mundial.

    A visita, que marca o retorno do presidente ao país após 17 anos, tem um peso estratégico significativo, visando fortalecer os laços econômicos e diplomáticos com a Indonésia e, por extensão, com as nações do Sudeste Asiático.

    No entanto, o encontro com jornalistas foi dominado pela expectativa da aguardada reunião a ser realizada com o presidente americano Donald Trump durante a cúpula da ASEAN na Malásia, um momento crucial para o futuro das relações bilaterais.

    A partir de JacartaLula não apenas consolidou parcerias no Sul Global, mas também enviou uma mensagem clara sobre como o Brasil pretende se posicionar nos complexos diálogos com as maiores potências do planeta.

    Fortalecendo Parcerias no Sul Global: Brasil e Indonésia

    A visita à Indonésia é a materialização de uma doutrina central da política externa de Lula: a diversificação de parcerias e o fortalecimento das relações Sul-Sul como base para uma inserção global mais autônoma.

    Acompanhado por uma robusta delegação de ministros e mais de 100 empresários, o presidente buscou transformar o potencial de cooperação entre as duas nações em resultados concretos.

    Em sua fala, Lula foi enfático ao criticar o atual volume comercial, de “6 bilhões e 300 milhões de dólares”, classificando-o como “muito pouco” para duas economias com populações somadas de quase 500 milhões de habitantes.

    Para o presidente, o caminho para o crescimento passa por uma política comercial que funcione como uma “via de duas mãos”, onde compra e venda se equilibram.

    Essa visão, que se estende a parcerias entre “universidades” e “cientistas”, foi reforçada pela assinatura de oito acordos em áreas estratégicas como “minas e energia, agricultura, ciência e tecnologia, cooperação na área estatística” e “transição energética”.

    O sucesso da missão foi sublinhado pelo tom pessoal da visita, com Lula destacando a forte química com o presidente Prabowo Subianto e mencionando a surpresa com a “melhor festa de aniversário que eu já tive na minha vida”, um detalhe que evidencia a importância da diplomacia pessoal em sua estratégia.

    A ambição brasileira na região ficou evidente com a menção à participação inédita do Brasil na cúpula da ASEAN.

    O presidente expressou o desejo de que o país se torne um “membro pleno” da associação, um movimento que consolidaria a presença brasileira no epicentro do crescimento global.

    Ao solidificar esta aliança estratégica na Ásia, o Brasil não apenas abre novos mercados, mas demonstra possuir alternativas e uma rede de parcerias diversificada, fortalecendo sua posição de barganha antes do crucial diálogo com os Estados Unidos.

    O Encontro com Trump:
    Negociação, Soberania e “Relação Civilizatória”

    A expectativa em torno da reunião entre Lula e Donald Trump é o principal ponto de tensão e oportunidade na agenda internacional brasileira.

    Após um período de distanciamento, o encontro é visto como um momento decisivo para destravar as relações entre as duas maiores democracias do ocidente.

    Questionado pelos jornalistas Felipe da TV GloboAmérico Martins da CNN e Felipe Frazão do EstadãoLula adotou um tom de confiança e abertura, sublinhando sua crença no poder da negociação para superar divergências.

    A Pauta Brasileira e a Confiança no Diálogo

    Lula deixou claro que irá para a mesa de negociação com uma postura assertiva e sem restrições, afirmando que “não existe veto a nenhum assunto”.

    A delegação de negociadores tem a missão de resolver três pontos centrais de discórdia:

    1️⃣Taxações Comerciais: O presidente considera um “equívoco nas taxações ao Brasil”, preparando-se para apresentar um argumento factual contundente: “Os Estados Unidos tem superávits de bilhões de dólares em 15 anos com o Brasil, então não tem sustentação a tese”.

    2️⃣Sanções a Autoridades: Lula criticou a “punição que foi dada a ministros brasileiros da Suprema Corte”, classificando-a como uma medida sem “nenhuma explicação” e uma interferência indevida em assuntos internos do Brasil.

    3️⃣Soberania Regulatória: A questão da regulação de apostas (“Betes”) foi apresentada como um tema de soberania exclusiva do Congresso Nacional e do governo brasileiro, sobre o qual não cabem pressões externas.

    Além dos pontos específicos, a fala de Lula revelou sua filosofia diplomática, fundamentada na “relação humana” e no contato direto.

    Para ele, o diálogo presencial é indispensável para desfazer mal-entendidos e restabelecer uma “relação civilizatória com os Estados Unidos”.

    Essa abordagem conecta a negociação bilateral a uma visão mais ampla sobre a postura do Brasil em temas globais sensíveis, que demandam cooperação, mas também o respeito à soberania nacional.

    Desafios Globais:
    A Visão do Brasil sobre Narcotráfico e Clima

    As respostas de Lula sobre temas como narcotráfico e meio ambiente revelam os pilares de sua política externa: a defesa intransigente da soberania nacional e uma abordagem pragmática que busca conciliar desenvolvimento econômico com sustentabilidade.

    O presidente posiciona o Brasil como um ator que, embora disposto a cooperar, não abrirá mão de suas próprias leis e estratégias.

    Soberania e Cooperação no Combate ao Narcotráfico

    Questionado por Patrícia Holanda, da TV Record, sobre as declarações de Donald Trump a respeito do combate ao narcotráfico, Lula rechaçou veementemente qualquer sugestão de intervenção unilateral.

    Ele contrapôs a ideia de “matar” traficantes com os princípios do devido processo legal, afirmando que o papel do Estado é “prender as pessoas, julgar as pessoas” e puni-las de acordo com a lei.

    A abordagem brasileira, segundo ele, foca na cooperação internacional com a Interpol e os países amazônicos.

    Sua análise, no entanto, foi além da repressão, adicionando uma camada de complexidade ao reconhecer que é preciso também “combater os nossos viciados internamente, os usuários”, parte da cadeia econômica que alimenta o tráfico.

    Para Lula, a eficácia depende do respeito à soberania, resumindo sua filosofia de liderança em uma escolha: “se você quer ser um líder respeitado e amado ou se você quer ser um líder temido e odiado”.

    O Dilema do Desenvolvimento:
    Petróleo e a Liderança Climática

    Em resposta a uma pergunta de Érica de Abreu, da Rede TV, sobre a autorização para pesquisa de petróleo na margem equatorial às vésperas da COP 30Lula defendeu a decisão com base em um argumento pragmático.

    Ele argumentou que a medida não contradiz a liderança climática do Brasil, posicionando o país como uma potência ambiental com base em sua matriz energética 87% limpa e no uso de etanol e biodiesel.

    Para Lula, a transição energética global ainda dependerá de combustíveis fósseis por décadas. Nesse cenário, ele defende que “a gente tem que utilizar o dinheiro do petróleo para consolidar a chamada transição energética do planeta Terra”.

    Segundo sua visão, a Petrobras deve evoluir de uma empresa de petróleo para uma “empresa de energia”, utilizando os recursos da exploração para investir massivamente em fontes renováveis.

    Trata-se de uma estratégia que busca usar uma riqueza finita para financiar um futuro sustentável, sem abrir mão das oportunidades de desenvolvimento para o povo brasileiro.

    Conclusão:
    Pragmatismo e Protagonismo na Arena Global

    A coletiva em Jacarta cristaliza o que pode ser visto como a “Doutrina Lula” para seu atual mandato: uma diplomacia pragmática e proativa, que busca reposicionar o Brasil como protagonista global.

    A estratégia se baseia em um calculado equilíbrio: fortalecer alianças Sul-Sul na Ásia e em outros continentes para criar lastro e alavancagem em negociações mais equitativas com as potências do Norte, como os Estados Unidos.

    A defesa da soberania é um pilar não negociável, seja na aplicação da lei contra o narcotráfico ou na gestão de recursos naturais para financiar a transição energética.

    A filosofia por trás dessa movimentação é a de que o protagonismo não é concedido, mas conquistado, pois “não dá pra gente ficar no Brasil esperando que as pessoas cheguem até o Brasil”.

    Ao se dispor a negociar de forma assertiva com Donald TrumpLula projeta a imagem de um líder que atua em múltiplas frentes para garantir os interesses nacionais e ampliar a influência brasileira no mundo.



    SIGA NAS REDES SOCIAIS




    Compartilhe via botões abaixo:

    1 comentário em “Lula rebate Trump: ‘Não tem que matar narcotraficante nem interferir na soberania de outro país’ (vídeo)”

    1. REINALDO GONCALVES DA CRUZ

      O LULA É UM DOUTRINADOR, POR ISSO É RECONHECIDO E RESPEITADO MUNDIALMENTE

    Os comentários estão fechados.

    🗣️💬

    Discover more from Urbs Magna

    Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

    Continue reading