“Já levaram nosso ouro, o que mais querem levar?” – Fala ocorre em encontro com Ramaphosa, durante declaração à imprensa, revelando defesa de soberania sobre minerais críticos e ambição de salto comercial entre Brasil e África do Sul – ASSISTA E ENTENDA
Brasília (DF) · 09 de março de 2026
A visita de Estado do presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, ao Brasil, marca um avanço significativo nas relações bilaterais entre os dois países.
Durante o encontro no Palácio do Planalto, em Brasília, os líderes assinaram acordos nas áreas de turismo e comércio/investimentos, com foco na expansão do intercâmbio econômico, que permanece abaixo do potencial das duas maiores economias industriais de seus continentes.
O momento mais impactante veio das palavras do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que criticou duramente a exploração histórica de recursos naturais e defendeu parcerias soberanas:
“Chega já levaram toda a nossa prata já levaram todo o nosso ouro já levaram todo o nosso diamante já levaram todo o nosso minério de ferro o que mais querem levar quando é que a gente vai aprender que Deus colocou toda essa riqueza para nós e nós ficamos dando pros outros”.
A fala ocorreu declaração à imprensa, revelando defesa de soberania sobre minerais críticos e ambição de salto comercial entre Brasil e África do Sul.
A cerimônia começou com a fala do presidente Cyril Ramaphosa, que agradeceu a hospitalidade brasileira e expressou condolências pelas vítimas das enchentes e deslizamentos recentes em Minas Gerais.
Ele destacou os 30 anos da Constituição sul-africana e o papel histórico do Brasil na luta contra o apartheid. “Nós fomos tão bem recebidos de maneira tão afetuosa ao Brasil somos muito gratos a isso”, afirmou, antes de condenar conflitos globais e pedir cessar-fogo imediato, em linha com violações à Carta da ONU.
Ramaphosa enfatizou a parceria estratégica, reconhecendo que o comércio bilateral precisa crescer substancialmente. “Brasil e África do Sul deveriam cooperar num nível muito mais alto deveríamos haver mais comércio em níveis muito mais alto”.
Ele citou oportunidades em agricultura, energia, turismo, defesa e aviação, além de propor maior intercâmbio empresarial e cooperação social.
Mencionou também a comissão conjunta bilateral e o potencial da África do Sul como porta de entrada para o Brasil no continente africano, e vice-versa.
Em seguida, Lula saudou o visitante como companheiro, destacando a quarta visita de Ramaphosa ao Brasil — a primeira como visita de Estado.
Ele reforçou a atuação conjunta no BRICS, IBAS e G20, e a busca por uma ordem global mais equilibrada baseada no multilateralismo e no direito internacional.
Os acordos assinados incluem a renovação por quatro anos do plano de ação em turismo (foco em lazer e negócios) e memorando entre Apex Brasil e o Departamento de Comércio da África do Sul para promover comércio e investimentos sustentáveis.
Lula lamentou o comércio estagnado em cerca de US$ 2,3 bilhões anuais há quase 20 anos, defendendo meta acima de US$ 10 bilhões.
“Não existe nenhuma explicação política para que a gente não tenha um comércio acima de 10 bilhões de dólares”.
Ele apontou similaridades entre as nações, com trocas em energia renovável, agricultura, tecnologia e cultura — citando a ministra Margarete Menezes como exemplo de intercâmbio cultural.
Defendeu acelerar negociações em agronegócio, saúde animal e defesa, enfatizando dissuasão sem armas nucleares na América do Sul. “Se a gente não se preparar na questão de defesa qualquer dia alguém invade a gente”.
Sobre minerais críticos e terras raras — essenciais para transição energética e digital —, Lula cobrou transformação local e parcerias conjuntas, evitando venda de matéria-prima bruta.
Na agenda climática, agradeceu o engajamento sul-africano na COP30 e convidou para o fundo “Florestas Tropicais para Sempre”, lançado em Belém, que remunera preservação sem depender de doações ricas não cumpridas.
Os líderes reafirmaram contribuições sucessivas no G20 (combate à fome, desigualdade via painel Stiglitz), defesa da democracia (reunião em Barcelona em 18 de abril) e regulação de IA e ambiente digital.
Lula expressou preocupação com o conflito no Oriente Médio, seus impactos em energia, alimentos e civis — especialmente mulheres e crianças —, defendendo diplomacia como única saída.
Ramaphosa encerrou sua fala agradecendo novamente e elogiando a presidência brasileira no G20, enquanto Lula citou o poeta sul-africano Dennis Brutus para reforçar laços de amizade e a necessidade de o Sul Global olhar para si mesmo.
A agenda seguiu com almoço no Palácio Itamaraty, visitas ao Legislativo e Judiciário, e participação no Fórum Empresarial Brasil-África do Sul.

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