| Brasília (DF)
06 de setembro de 2026
O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fará neste domingo (6/set), daqui a pouco, às 20h30, um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão sobre o 7 de Setembro. O texto, de 3 minutos e 43 segundos, foi autorizado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, a pedido da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom).
A autorização interessa porque o país está nos três meses anteriores às eleições de outubro, período em que a publicidade institucional de agentes públicos sofre restrições da legislação eleitoral. Sem o crivo da Justiça Eleitoral, a mensagem oficial não iria ao ar.
O que aconteceu?
Na sexta-feira (4/set), Nunes Marques autorizou a veiculação da peça gravada no Palácio da Alvorada. Segundo o G1 e o Valor Econômico, o ministro considerou a divulgação de interesse público.
O presidente da Corte escreveu que a data “integra o calendário oficial brasileiro e possui significado histórico e institucional autônomo em relação às funções de governo e, especialmente, às atribuições institucionais de Chefia de Estado”.
A Secom pediu autorização para “dirigir mensagem oficial à população brasileira acerca do significado da Independência do Brasil, da unidade do País e de valores permanentes do Estado brasileiro, em manifestação de caráter cívico, histórico e institucional”, conforme reproduziram o G1 e a CBN.
Neste domingo (6/set), o próprio presidente confirmou o horário no X: “Logo mais, às 20h30, farei um pronunciamento à nação. O 7 de Setembro é uma data para reafirmarmos a nossa soberania e celebrarmos a independência do Brasil.” A publicação está em @LulaOficial.
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Por que o TSE precisou autorizar o texto?
A Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997) restringe publicidade institucional nos três meses que antecedem o pleito. Há exceção quando a Justiça Eleitoral autoriza pronunciamento em cadeia de rádio e TV, em matéria considerada relevante e própria das funções de governo.
O Valor Econômico informou que o pedido da Secom citou o artigo 73 dessa lei e afirmou que a mensagem não teria “finalidade de divulgação de programas, obras, serviços ou resultados da Administração”. O caso chegou a ser relatado pelo ministro Floriano de Azevedo Marques e foi redistribuído ao presidente da Corte.
Nunes Marques concluiu que não via “intenção de índole eleitoreira nem de promoção do atual governo federal” e que a veiculação se adequava ao § 1º do artigo 37 da Constituição, que veda publicidade capaz de configurar uso abusivo da máquina pública. O Estadão e o R7 registraram o mesmo fundamento. O R7 acrescentou que a redação final foi submetida ao presidente do TSE e mantida em tom formal.
IMPORTANTE: A autorização do TSE não transforma o pronunciamento em horário eleitoral nem em peça de campanha. O ministro afirmou que o conteúdo apresentado não tinha finalidade eleitoral. A decisão vale para esta mensagem institucional de 3min43s, veiculada em cadeia nacional. Publicações de campanha do presidente em redes sociais seguem regime jurídico distinto e não se confundem com o texto autorizado para rádio e TV.
O que o pronunciamento vai dizer?
O texto protocolado pela Secom e reproduzido pela CNN Brasil, pelo G1, por O Globo e pela Folha de S.Paulo tem como eixo a soberania e o controle nacional sobre recursos estratégicos.
Lula afirma que defender a independência é defender “nossa soberania e nossa democracia” e que “mais do que nunca, é preciso lutar pelo que é nosso”. Cita a segunda maior reserva de terras raras do mundo, a maior fonte de água doce e “uma nova e rica reserva de petróleo” descoberta no último mês — referência, segundo a CNN e o Correio Braziliense, à descoberta da Petrobras na Foz do Amazonas, na Margem Equatorial, no Amapá.
O texto liga esses recursos ao marco legal dos minerais críticos aprovado no Congresso Nacional, para transformar reservas em desenvolvimento, tecnologia e emprego no país. A Folha registrou que a norma prevê incentivos fiscais e conselho com poder de veto a parcerias internacionais.
O trecho mais repetido pelas redações é este: “Precisamos nos manter fortes e altivos, sem baixar a cabeça, para não deixarmos que o Brasil se transforme, novamente, em colônia de outras potências estrangeiras. Não somos, e não seremos colônia de ninguém.”
Há ainda defesa explícita do livre-comércio: “Nenhum país estrangeiro tem o direito de dizer de quem podemos comprar, e para quem podemos vender. Somos um país soberano, e nossas decisões pertencem a nós e a mais ninguém.” G1, CBN, Valor e O Globo trataram a formulação como crítica indireta ao tarifaço dos Estados Unidos. O nome de Donald Trump não consta do texto submetido ao TSE.
A mensagem também associa independência a direitos previstos na Constituição: saúde pública, educação gratuita, tempo para a família e um país “livre da fome, da pobreza e de todas as formas de desigualdade”. Fecha com menções à Amazônia, à biodiversidade, à transição energética e à bênção a um “feliz Dia da Independência”.
O recado nas redes é outro texto
Horas antes do anúncio das 20h30, Lula publicou vídeo de campanha no X associando o 7 de Setembro ao voto de outubro: “esse ano o seu voto define se teremos um Brasil que se levanta para proteger a nação ou um país que se apequena para outros países”.
O Correio Braziliense e a Veja distinguiram essa peça — que contrapõe falas de Flávio Bolsonaro e trata de tarifas, Pix e “traidores da pátria” — do pronunciamento institucional autorizado pelo TSE.
Análise
A distinção importa para o leitor: o texto da cadeia nacional foi filtrado para não configurar promoção de governo ou campanha; o material de rede social circula no terreno eleitoral e não substitui a mensagem de 3min43s.
Antecedentes e o que vem depois
Lula fez pronunciamento de 7 de Setembro em todos os anos deste mandato, segundo a CNN Brasil. Em 2026, a equipe consultou o TSE precisamente porque o calendário eleitoral apertou a regra.
A mesma CNN lembrou o contraste com 2022, quando o então presidente Jair Bolsonaro usou a data para ato na Esplanada dos Ministérios depois tratado pela Justiça Eleitoral como campanha. Nesta segunda-feira (7/set), Lula deve participar do desfile cívico-militar em Brasília, conforme o R7.
O mote da soberania sobre minerais e comércio exterior já vinha sendo usado pelo governo em foros internacionais e em medidas como o Plano Brasil Soberano. O pronunciamento de hoje recoloca esse eixo no feriado da Independência, sob supervisão da Justiça Eleitoral.
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