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    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Iperó (SP)
    19 de agosto de 2026

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou nesta quarta-feira (19/ago) o Centro Industrial Nuclear de Aramar, em Iperó (SP), e prometeu “arrumar os recursos” para concluir de uma vez por todas o submarino brasileiro de propulsão nuclear.

    A declaração, feita diante de ministros, almirantes e dirigentes de estatais, reforça a importância estratégica do projeto para a soberania nacional e o desenvolvimento tecnológico do país.

    A visita ocorre em meio a um cenário de tensões geopolíticas e de disputa orçamentária, em que o presidente insiste na necessidade de tratamento especial para programas de defesa e ciência.

    Lula abriu o discurso destacando a descontinuidade de recursos ao longo dos anos. “Hoje venho aqui e outra vez eu me deparo com a descontinuidade do orçamento”, afirmou.

    Ele recordou a visita de 2007, quando liberou R$ 1,4 bilhão, e lamentou que a falta de sequência impede a conclusão no prazo.

    O presidente foi direto: “Nós vamos arrumar os recursos para que a gente termine de uma vez por todas esse submarino”.

    Segundo ele, o projeto não pode ficar à mercê da volatilidade do Orçamento da União, sujeito a contingenciamentos anuais.

    Em trecho que se tornou o mais impactante da fala, Lula declarou: “A gente não tem soberania nacional porque a gente faz discurso, sabe? O discurso é só palavra que o adversário às vezes nem escuta. A gente tem que estar preparado para eles saberem que a gente vai ter força para poder dizer não, que a gente vai ter força para poder dizer vamos competir. O que a gente não pode é ser um país desse tamanho de cabeça baixa a vida inteira”.

    Ele reforçou que o submarino é importante para a soberania, para o desenvolvimento tecnológico, para gerar emprego qualificado e para que o Brasil possa enriquecer urânio para fins pacíficos, conforme a Constituição, e exportar a tecnologia. Lula citou ainda o paralelo com a turbina a etanol do ITA, retomada após 13 anos, e defendeu que o governo, o BNDES e a Petrobras assumam responsabilidades para garantir continuidade.

    Chamou a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, de “rainha da Arábia Saudita” após a descoberta de petróleo na Margem Equatorial.

    “O submarino é importante pro Brasil. O submarino é importante para nossa soberania. O submarino é importante pro nosso desenvolvimento tecnológico. O submarino é importante para gerar emprego qualificado”, repetiu.

    A fala conecta defesa, ciência e inclusão social, ao destacar a retenção de talentos brasileiros e a geração de emprego digno.

    Antes da intervenção presidencial, o comandante da Marinha, almirante de esquadra Marcos Sampaio Olsen, deu as boas-vindas.

    Ele lembrou que o programa gera 63 mil empregos e envolve mais de 900 empresas.

    “A soberania se traduz por ações de Estado”, afirmou.

    A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou o apoio da Finep com três projetos que somam cerca de R$ 150 milhões, incluindo o Atomic e o desenvolvimento de elementos combustíveis no Labimate.

    “É um projeto estratégico para a nossa soberania”, disse.

    O ministro da Defesa, José Múcio, homenageou os almirantes e afirmou que o submarino levará “o temperamento do brasileiro, a nossa fraternidade e o nosso conhecimento científico” pelos mares do mundo.

    A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, acompanharam a visita, ao lado da secretária-geral do Ministério da Defesa, Sinara Wagner Fredo, e de dirigentes da ANP e da Petrobras.

    A convergência entre Marinha, MCTI, BNDES e Petrobras sinaliza esforço de Estado para garantir autonomia tecnológica em área sensível.

    O domínio do ciclo do combustível nuclear e a operação do Labgene são pilares do Programa Nuclear da Marinha.

    O Brasil possui a sexta maior reserva de urânio do mundo, com apenas um terço do território prospectado.

    A visita também incluiu o local de construção do Reator Multipropósito Brasileiro, que ampliará a produção de radiofármacos para o SUS.

    Lula encerrou com otimismo: “O Brasil pode. O Brasil é grande. O Brasil só falta acreditar nele mesmo. E eu acredito. Por isso, gente, vamos em frente. Viva o submarino brasileiro”.



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