O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) / Foto: Ricardo Stuckert / O ativista brasileiro Thiago Ávila, preso em Israel junto com o também ativista espanhol Saif Abu Keshek, quanto se encontravam em uma flotilha a caminho de Gaza e foram levados para interrogatório em um tribunal israelense |3.5.2026| Foto: Ilia Yefimovich / Getty Images
Brasília (DF) 05 de maio de 2026
A detenção do ativista brasileiro Thiago Ávila pelo governo de Israel atingiu um novo patamar de tensão diplomática após a manifestação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Nesta terça-feira (5/abr), Lula classificou a ação como um ato “injustificável” e uniu forças com a Espanha para exigir a libertação imediata do cidadão brasileiro, preso durante uma missão humanitária da flotilha Global Sumud com destino à Faixa de Gaza.
“Manter a prisão do cidadão brasileiro Thiago Ávila, integrante da flotilha ‘Global Sumud’, é uma ação injustificável do governo de Israel, causa grande preocupação e deve ser condenada por todos”, escreveu o chefe do Executivo brasileiro em sua conta oficial na rede social X.
A declaração veio horas após um tribunal israelense prorrogar, pela segunda vez, a prisão preventiva do ativista, agora até o próximo domingo (10/mai).
Interceptação em águas internacionais
O caso teve início na quarta-feira (29/abr), quando forças navais de Israel interceptaram a frota da Global Sumud em águas internacionais, próximo à ilha de Creta, na Grécia.
Em comunicado oficial, os organizadores da flotilha classificaram a ação como “pirataria”, destacando que a abordagem ocorreu a centenas de quilômetros da costa israelense e sem jurisdição legal para tal.
Os cerca de 200 ativistas foram levados à força, tendo a maioria sido liberada posteriormente em solo grego.
No entanto, Thiago Ávila e o ativista hispano-palestino Saif Abu Keshek foram separados do grupo e transferidos para território israelense, onde permanecem sob custódia.
A justificativa inicial das autoridades de Israel, conforme repercutido pela imprensa, envolve suspeitas de ligação com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), entidade sancionada pelos Estados Unidos por supostos vínculos com o Hamas — acusação veementemente negada pelos governos brasileiro e espanhol.
Denúncias de tortura e violação de direitos
O desenrolar do caso tem contornos ainda mais graves com as revelações sobre o tratamento dispensado aos detidos.
A organização de defesa de direitos humanos Adalah, que acompanha a defesa dos ativistas, relatou em audiência realizada no último domingo (3/mai) que Thiago Ávila apresentava “hematomas visíveis no rosto” e relatou ter sido submetido a “extrema brutalidade” durante a captura, incluindo agressões que o levaram a perder a consciência por duas vezes.
A advogada de Ávila, Hadeel Abu Salih, afirmou que seus clientes foram mantidos algemados e com os olhos vendados durante o trajeto até Israel, sendo submetidos a interrogatórios sem a presença de seus representantes legais.
A situação é agravada pelo fato de o casal estar em greve de fome, consumindo apenas água, em protesto contra o que consideram um sequestro ilegal.
A Espanha, por meio de seu chanceler José Manuel Albares, não hesitou em usar o termo “sequestro” para definir a ação.
Pressão diplomática do Brasil e da Espanha
Diante do impasse, Brasil e Espanha emitiram uma nota conjunta contundente na última sexta-feira (1/mai). O documento, obtido pela Agência Brasil, afirma que a ação “flagrantemente ilegal das autoridades de Israel, fora de sua jurisdição, é uma afronta ao Direito Internacional, acionável em cortes internacionais, e configura delito em nossas respectivas jurisdições”.
O Itamaraty tem atuado em conjunto com a embaixada brasileira em Tel Aviv para prestar assistência consular ao ativista. Contudo, o processo judicial israelense tem sido marcado por obstáculos.
O tribunal de Ashkelon aceitou o pedido da promotoria para prolongar o cárcere com base em “informações sigilosas” — um recurso processual que, na prática, impede a defesa de ter acesso às acusações formais, levantando sérias dúvidas sobre o devido processo legal.
O histórico da Flotilha Global Sumud
A missão Global Sumud — cujo nome significa “resiliência” em árabe — foi lançada como uma resposta civil ao bloqueio naval que Israel impõe à Faixa de Gaza desde 2007.
A iniciativa de criar um [corredor humanitário] pelo mar busca driblar as restrições terrestres e levar suprimentos básicos à população sitiada.
Em outubro de 2025, uma primeira tentativa da flotilha já havia sido interceptada, resultando na prisão temporária de centenas de ativistas, incluindo a sueca Greta Thunberg.
A insistência de Israel em manter Thiago Ávila e Saif Abu Keshek detidos, enquanto dezenas de outros foram soltos, indica uma tentativa de criminalizar a solidariedade internacional e a oposição política às políticas do premiê Benjamin Netanyahu.
A exigência de “garantias de segurança” e soltura imediata, liderada por Lula, reforça o compromisso do Brasil com a defesa dos direitos humanos e a legalidade internacional.
Enquanto os ativistas permanecem na prisão de Shikma, em Ashkelon, familiares e organizações de direitos humanos intensificam a campanha global por sua libertação, alertando para os riscos à integridade física dos detidos.
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