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Tarifaço: Lula prioriza China em busca de novas parcerias comerciais

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    Lula é recebido por Xi Jinping em Pequim |14.4.2023| Foto: Ken Ishii/Pool/Getty Images


    Presidente intensifica acordos com Pequim diante de sanções econômicas dos EUA, visando diversificar mercados e reduzir impactos das tarifas de 50% impostas por Trump



    Brasília, 02 de agosto de 2025
    No início de 2025,

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou uma mudança estratégica na política comercial do Brasil, priorizando negócios com a China em resposta às tarifas de 50% impostas pelo governo de Donald Trump aos produtos brasileiros.

    A decisão veio após Trump alegar déficits comerciais, apesar de dados oficiais mostrarem que os Estados Unidos acumulam um superávit de US$ 410 bilhões com o Brasil nos últimos 15 anos.

    Lula instruiu o ministro da Casa Civil, Rui Costa, a acelerar todos os acordos pendentes com o governo chinês, buscando fortalecer laços econômicos e minimizar a dependência do mercado americano.

    A aproximação com a China, descrita por um auxiliar do presidente como uma relação de “irmãos”, reflete a necessidade de encontrar alternativas para setores afetados, como carne bovina e café, que não foram isentos das sanções, conforme mostra a revista Veja.

    A imposição das tarifas, anunciada em 9 de julho, gerou indignação no Brasil, que considera as medidas injustificáveis e motivadas por questões políticas, incluindo pressões relacionadas a investigações contra Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).

    O governo brasileiro, por meio de uma carta assinada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, expressou sua disposição para negociar com os EUA, mas sem abrir mão de instrumentos de defesa, como a Lei de Reciprocidade Econômica sancionada em abril de 2025.

    Essa lei permite ao Brasil retaliar com restrições a bens e serviços americanos, caso as negociações não avancem.

    Enquanto isso, o Itamaraty avalia que um diálogo direto entre Lula e Trump só deve ocorrer após acordos técnicos, devido à imprevisibilidade do presidente americano.

    Além de intensificar os laços com a China, Lula busca diversificar parcerias comerciais, como com o México, onde planeja enviar uma comitiva liderada por Alckmin em agosto para negociar acordos.

    A estratégia visa compensar perdas estimadas em 0,6% do PIB brasileiro em 2026, segundo a Fiesp, e evitar demissões e fechamento de fábricas.

    A Confederação Nacional da Indústria (CNI) alertou o Tesouro dos EUA que as tarifas podem forçar indústrias brasileiras e americanas a buscar novos mercados, resultando em um “perde-perde” para ambos os países.

    Lula também criticou as sanções contra o ministro do STF, Alexandre de Moraes, considerando-as uma interferência na soberania brasileira, e reforçou a defesa da independência judicial do país.

    A reação de Lula ganhou apoio nas redes sociais, com postagens pró-governo superando as críticas da oposição bolsonarista, alcançando mais de 240 milhões de visualizações no X, segundo a Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados.

    Enquanto Trump ignora o Brasil e avança em negociações com a China, o governo brasileiro mantém o diálogo com os EUA como prioridade, mas já prepara um plano de contingência, apresentado por Fernando Haddad, ministro da Fazenda, para proteger trabalhadores e empresas.

    A tensão comercial expõe os desafios do Brasil em manter sua soberania econômica em um cenário global instável, com Lula buscando equilíbrio entre retaliação e diplomacia para proteger os interesses nacionais.



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