Em 22 de dezembro de 1988, morria assassinado o ativista que lutava por uma reforma agrária que possibilitasse aos extrativistas e seringueiros a geração de renda sem a devastação da Amazônia, resultando no uso sustentável dos recursos
“Em dezembro de 1988, estive no velório de Chico Mendes, em Xapuri“, afirmou o presidente eleito e diplomado Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Ao assassinarem o Chico, nessa data, há 34 anos, tentaram apagar sua luta em defesa da Amazônia e dos trabalhadores. Não conseguiram, e hoje suas ideias seguem vivas pelo Brasil e pelo mundo“, disse Lula em seu perfil no Twitter, onde compartilhou um vídeo de mais de 5 minutos de um discurso feito sobre sua morte, em 22 de dezembro daquele ano. Veja e assista abaixo e leia mais a seguir:
Ao longo da sua luta pela preservação do meio ambiente e melhores condições de trabalho para os seringueiros, Chico Mendes foi alvo de ameaças de morte por sua militância, principalmente ao ganhar notoriedade na política e respeito internacional. O sindicalista chegou a contar com escolta policial para garantir sua segurança, mas em 22 de dezembro de 1988, uma semana após completar 44 anos, o ativista foi assassinado com tiros de escopeta no peito na porta dos fundos de sua casa, quando saía para tomar banho.
Mais de trinta entidades formadas por sindicalistas, religiosos, políticos, defensores de direitos humanos e ambientalistas se reuniram para formar o Comitê Chico Mendes, que pedia punição aos responsáveis pelo assassinato. Em dezembro de 1990, a justiça condenou os fazendeiros Darly Alves da Silva e seu filho, Darcy Alves Ferreira a 19 anos de prisão pela morte de Chico Mendes.
O ativista lutava por uma reforma agrária que possibilitasse aos extrativistas e seringueiros a geração de renda sem a devastação da floresta, resultando no uso sustentável dos recursos. Em 1985, mais de 100 seringueiros criaram o CNS (Conselho Nacional dos Seringueiros), entidade representativa que teve como proposta a fundação das Reservas Extrativistas. A primeira foi fundada a 80 km de Rio Branco – AC, contando com 40 mil hectares.
A morte de Chico Mendes evidenciou a urgência de ações conservacionistas para a preservação da Amazônia e o fim dos conflitos por terra. Com base na pressão internacional, fundou-se a Resex (Reserva Extrativista Chico Mendes), em 1990, exemplo seguido por outras. Referência para o mundo, a Reserva alcança as cidades de Assis Brasil, Brasileia, Capixaba, Epitaciolândia, Sena Madureira, Xapuri e Rio Branco; tem cerca de 970 mil quilômetros de floresta e quase 1 milhão de hectares.
As reservas extrativistas sofrem, ainda, com a devastação de algumas partes para a criação de gado, atividade considerada mais rentável em relação ao cultivo de outros produtos naturais. No entanto, locais como a Resex permitem que a maior porcentagem da floresta mantenha-se a salvo, assim como permitem a proteção aos produtores locais e aos povos indígenas.

Em 6 de abr de 2022, o perfil no Twitter do Instituto Lula postou uma imagem de Lula tomando cerveja com Chico Mendes.
