O Presidente Lula abraça brasileiros e brasileiras que vivem na Bélgica, no início da noite de terça-feira (18.7.2023) | Foto de Ricardo Stuckert
“A parte do mundo que pode produzir o hidrogênio verde somos nós“, disse o estadista ao explicar o motivo para o povo brasileiro
O Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fez uma postagem em seu perfil no microblog ‘Twitter‘, às 4h04 desta quarta-feira (19/7).
O estadista ainda se encontra em Bruxelas, na Bélgica, onde participou da III Cúpula Celac-UE (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos – União Europeia). Por lá, o horário da publicação presidencial foi às 9h04.
O Presidente disse que hoje terá “reunião em Cabo Verde, na escala do retorno ao Brasil, com ainda mais convicção de que o trabalho para cuidar do nosso país não pode parar“.
Centro das atenções, o chefe do Executivo brasileiro concedeu entrevista coletiva na manhã desta quarta. Na plataforma social, Lula disse que a UE está realmente interessada em conversar.
“A riqueza da negociação entre os países da América Latina e da Europa é que alguém tem que ceder em algum ponto. Definitivamente a UE está interessada, de verdade, em investir na América Latina“, escreveu o líder do povo brasileiro.
“Primeiro, pela questão do clima, segundo pela questão energética. A parte do mundo que pode produzir o hidrogênio verde somos nós“, disse Lula.
Veja abaixo e entenda, a seguir:
O que é Hidrogênio Verde?
O Presidente Lula tem afirmado que o Brasil se tornará uma potência do hidrogênio verde. O termo se popularizou nos últimos anos para se referir a energias renováveis.
A relação entre esse elemento químico e a eletricidade
O hidrogênio é considerado um vetor de energia, como uma bateria. Ou seja, quando a eletricidade é gerada ela pode ser usada para produzir hidrogênio e esse elemento pode, posteriormente, ser convertido em energia de novo – de maneira muito eficiente, o que explica sua grande popularidade.
Esse processo, no entanto, pode ocorrer de diversas maneiras, e cada uma delas é designada com uma cor.
Quando a geração produz também uma grande quantidade de gases poluentes, ela é chamada de marrom ou cinza: é o caso da produção de hidrogênio a partir de gás natural. Por outro lado, quando ocorre sem a geração de subprodutos, ela é chamada de verde, como é o caso da energia proveniente do vento ou da luz do sol.
Essa classificação não leva em consideração, contudo, a emissão de gases para a construção das usinas, por exemplo.
O Brasil pode gerar grande quantidade de energia eólica e solar, o que torna plausível o papel do país como uma potência do hidrogênio verde.
“Existe um potencial de energia eólica no Brasil que é do tamanho de uma Itaipu, só no que a gente chama de eólica offshore [quando as torres ficam em alto mar]”, afirma Fábio Coral Fonseca, pesquisador de novas energias do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), conforme mostrou a ‘Veja‘, há quase três meses.
Apesar da tradição brasileira em gerar energia limpa, através da hidrelétricas, essa mudança no padrão energético poderia reposicionar o país no cenário internacional.
Com a emergência das crises climáticas, a necessidade de processos industriais mais sustentáveis se torna cada dia mais patente e estar na dianteira dessa adaptação traz vantagens para o país.
“Nós estamos na beira de uma revolução energética”, diz Fonseca. “Isso vai fazer com que o Brasil deixe mais sustentável uma série de processos industriais, como, por exemplo, o aço. Se a gente usar o hidrogênio verde, a gente pode vender o aço verde, com um valor agregado muito maior”.
Segundo ele, o país tem capacidade técnica para implementar essas tecnologias de maneira rápida. O que faltava, até agora, eram recursos e incentivos suficientes.
