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Lula parabeniza “toda a equipe do filme ‘O Agente Secreto’ pela elogiada estreia” no Festival de Cannes (vídeos)

    Lula parabeniza “toda a equipe do filme ‘O Agente Secreto’ pela elogiada estreia” no Festival de Cannes (vídeos)


    PRESIDENTE LULA e a equipe de O AGENTE SECRETO – Montagem de imagens reprodução


    O cinema brasileiro brilhando de novo. Agora em Cannes e ao som do frevo pernambucano“, escreveu o estadista – SAIBA MAIS E ASSISTA

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    Brasília, 18 de maio de 2025

    O Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), comentou, na noite deste domingo (18/mai), em suas redes sociais, a estreia do filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho e protagonizado por Wagner Moura, na disputa pela cobiçada Palma de Ouro no Festival de Cannes.

    A première no Grand Théâtre Lumière foi marcada por uma celebração pernambucana, com o elenco desfilando ao som de um bloco de frevo, reforçando a identidade cultural brasileira. (ASSISTA AQUI).

    O cinema brasileiro brilhando de novo. Agora em Cannes e ao som do frevo pernambucano. Parabéns a @kmendoncafilho e toda a equipe do filme O Agente Secreto pela elogiada estreia“, escreveu o estadista em sua conta oficial na plataforma social de microblog X.

    É assim que o Brasil sobe o tapete vermelho do grandioso Festival de Cannes. Parte da delegação do MinC [Ministério da Cultura] e da equipe do filme “O Agente Secreto“, de Kleber Mendonça Filho, a caminho da estreia mundial de mais essa obra que tem o apoio do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA)”, escreveu Margareth Menezes, na conta da pasta, na mesma rede social, cujo vídeo foi compartilhado por Lula.

    O Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) foi criado em 2008, gerido pela Agência Nacional do Cinema (ANCINE), com o objetivo de fomentar a indústria audiovisual no país, financiando projetos de produção, distribuição, exibição e infraestrutura do setor, como filmes, séries, animações e jogos eletrônicos, além de apoiar festivais e capacitação profissional.

    Os recursos vêm principalmente do Fundo Nacional da Cultura e da Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (CONDECINE), cobrada sobre serviços de telecomunicações e audiovisual.

    O FSA opera por meio de chamadas públicas, com linhas de financiamento que podem ser reembolsáveis (empréstimos) ou não reembolsáveis (investimentos diretos).

    O fundo busca promover a diversidade cultural, o desenvolvimento regional e a competitividade do audiovisual brasileiro, incentivando desde produções independentes até grandes projetos comerciais.

    A jornalista do Whashington Post, Jada Yuan, afirmou na mesma rede social que “o diretor brasileiro Kleber Mendonça Fillho e o astro Wagner Moura” foram ovacionados “de pé por O AGENTE SECRETO, a mais longa e entusiasmada que já vi até agora — 15 minutos (com discursos) e toneladas de francesas gritando “Bravo! da sacada“.

    O Variety descreveu o filme como um “thriller maravilhoso” que transporta o espectador ao Brasil dos anos 1970, com seu “calor opressivo e paranoia“.

    Elogiou a habilidade de Mendonça em recriar a época e destacou influências de diretores como Martin Scorsese, Alfred Hitchcock, Brian De Palma e John Carpenter.

    Leia a íntegra da crítica do Variety, a seguir:

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    Variety:

    “Crítica de ‘O Agente Secreto‘: Wagner Moura está marcado para morrer no thriller fantástico dos anos 70 de Kleber Mendonça Filho – O deslumbrante drama de época do diretor brasileiro revela uma surpreendente rede de apoio clandestina que operava durante a ditadura do país, quando vidas humanas eram consideradas descartáveis.

    O Carnaval fornece uma conveniente história de capa para quase 100 mortes e desaparecimentos em O Agente Secreto, a robusta imersão sensorial e memoriais de Kleber Mendonça Filho nas paisagens, sons e clima sufocante — tanto político quanto meteorológico — que o diretor brasileiro associa ao Recife de 1977.

    Foi um período de grande “traquinagem”, como dizem os títulos de abertura do superthriller cinematográfico, embora essa seja uma palavra leve demais para descrever a corrupção cotidiana que permeia praticamente todos os aspectos deste substancial filme de época de 160 minutos.

    Mendonça se lembra bem disso, demonstrando como até mesmo os piores momentos podem inspirar uma espécie de nostalgia perversa.

    O diretor de 56 anos tinha apenas 8 anos na época em que o filme se passa — mais ou menos a mesma idade de Fernando, filho de seu personagem principal, um homem com múltiplas identidades interpretado pelo astro de “Narcos”, Wagner Moura — e parece seguro presumir que o desejo avassalador do garoto de ver “Tubarão” (título português de “Tubarão”) foi inspirado pela própria experiência do cineasta.

    Mendonça demonstra uma capacidade notável não apenas de recriar, mas de nos transportar de volta àquela época, com seu calor opressivo e paranoia.

    Ao longo do filme, os homens vão trabalhar sem camisa — a única maneira de lidar com a temperatura —, mas isso não é nada comparado à pressão diária imposta aos cidadãos durante a ditadura militar, cujo domínio perdurou por mais oito anos.

    Ao contrário do recente “Ainda Estou Aqui“, de Walter Salles, este projeto, mais voltado para o gênero, não trata de sequestros políticos — pelo menos, não diretamente — enquanto Marcelo (nome fictício) de Moura foge do norte do Brasil para se reunir com o filho.

    A caminho do Recife, ele para em um posto de gasolina, onde um cadáver jaz coberto de papelão a poucos metros das bombas de combustível — uma imagem que poderia ter sido tirada de um filme de Mário Bava da mesma época.

    A vida parece quase sem valor neste mundo, já que a falta de interesse de dois policiais federais pelo corpo demonstra por que Marcelo não pode pedir ajuda às autoridades.

    Se não fosse o título, talvez não percebêssemos que estamos assistindo a um filme de suspense, e mesmo assim, não é bem essa a pegada que Mendonça busca — apesar das escolhas estilísticas que ecoam John Carpenter (lentes Panavision), Brian De Palma (tela dividida) e Martin Scorsese (agulhas de música pop).

    Assim como os cineastas da Nouvelle Vague francesa, Mendonça começou sua carreira como repórter e crítico, e essa sensibilidade permeia cada quadro, alcançando um equilíbrio atraente entre originalidade e homenagem.

    Aqui, o encontramos no estilo Hitchcock, com um funcionário público bem relacionado contratando Marcelo, forçando-o a buscar refúgio com uma senhora idosa no Recife, que abriga cerca de meia dúzia de outros como ele. Juntos, eles representam um movimento de resistência improvisado, composto principalmente por “cabeludos”, gays e mulheres francas.

    O agente secreto homônimo não é Marcelo (um pesquisador universitário), mas poderia ser Elza (Maria Fernanda Cândido), uma mulher que arranjou seu pseudônimo e um emprego para ele no cartório de registro de identidades do Recife.

    Lá, ele tem liberdade para vasculhar os registros em busca de qualquer documento que possa estar ligado à sua falecida mãe, cuja importância fica clara na conclusão atual do filme (onde Moura, barbeado, aparece em um segundo papel).

    É bastante chocante quando Mendonça corta pela primeira vez de 1977 para uma dupla de estudantes universitários contemporâneos, cujo trabalho é transcrever fitas cassete ligadas ao caso de Marcelo — eles também são candidatos nada convencionais ao status de agentes secretos, vasculhando invisivelmente pistas para revelar o passado.

    Não há evidências suficientes no arquivo de Marcelo para que eles entendam o que aconteceu com este homem, mas isso não impede Mendonça de nos dar o quadro completo como uma série de revelações, como faria em uma investigação real.

    Mas nenhuma autoridade está tentando corrigir uma injustiça aqui; este inquérito informal existe apenas para nosso benefício.

    Em seu primeiro dia de trabalho, Marcelo observa a duplicidade de critérios em jogo num sistema que protege os ricos enquanto mantém a classe trabalhadora em seu devido lugar — a mesma dinâmica pela qual alguém como ele poderia ser eliminado sem recriminação.

    Essa é apenas uma das muitas críticas tangenciais que o diretor lança à sociedade brasileira em um filme que poderia ter durado bem menos de duas horas sem tais digressões.

    Veja uma cena escrita especialmente para Udo Kier, na qual o astro cult de “Bacurau” interpreta um alfaiate alemão que levanta a camisa para revelar as cicatrizes que sofreu durante a Segunda Guerra Mundial.

    Este imigrante judeu é fonte de diversão para a suspeita polícia local, mas também um lembrete da maneira como os sobreviventes testemunham — enquanto cadáveres jogados no mar levam seus segredos consigo para o fundo do oceano.

    A menos que sejam devorados por tubarões que são posteriormente capturados e estudados por cientistas marinhos. Essa é uma das coisas mais estranhas que acontecem na narrativa escorregadia e constantemente surpreendente de Mendonça.

    Quando os tabloides descobrem que uma perna humana foi encontrada no estômago de um tubarão, o público vai à loucura.

    Décadas antes das mídias sociais, a história se torna uma sensação viral, motivando donos de cinemas locais a trazerem “Tubarão” de volta aos cinemas, ao mesmo tempo em que inspira reportagens escandalosas sobre a “Perna Peluda” na mídia.

    Em um delicioso e absolutamente gonzo aparte, Mendonça imagina essas histórias na forma de um filme de exploração cafona em que um membro sem corpo se esconde nos arbustos de um parque local, saltando e atacando os homens gays que ali circulam — sugerindo como tais histórias foram plantadas pelo regime para desencorajar comportamentos indesejados.

    Acontece que o sogro de Marcelo (Carlos Francisco) comanda o cinema Boa Vista, na cidade, onde “A Profecia” está levando o público à loucura.

    O longa anterior de Mendonça, o filme-ensaio “Imagens de Fantasmas”, lamentou a perda dos cinemas do Recife, e esse elogio se estende a “O Agente Secreto“.

    Mendonça preenche o filme com detalhes vívidos de cápsulas do tempo: carros americanos antigos e discos de vinil, cabines telefônicas famintas por fichas e impressoras antigas, shorts obscenamente apertados e calor sufocante.

    Todos esses elementos contribuem para uma poderosa sensação de lugar, filtrada pelas lentes de um cinéfilo. Mendonça filmou o filme digitalmente, usando equipamentos de câmera vintage para obter um visual widescreen anamórfico de alto contraste, consistente com a época.

    Mas não há como negar uma sensibilidade mais moderna, já que o diretor muda o foco de dissidentes políticos para um conjunto diferente de heróis: fugitivos queer e mulheres negras, que se sentam com Marcelo na melhor cena do filme, compartilhando histórias que provavelmente nunca foram registradas, homenageadas aqui pela primeira vez”.

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