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Lula não minimizou libertação de Maduro; apenas não usou termo “além disso” ao abordar contexto maior

    Resposta suprimida com cuidado estratégico à Daniela Lima está em artigo do estadista no NYT, antes da entrevista, e ainda está no ar, onde ele argumenta sobre a “afronta gravíssima à soberania” da Venezuela e critica o sequestro

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    Lula e Daniela
    Lula e Daniela Lima, do UOL, durante entrevista no Palácio do Planalto – Imagem reprodução UOL

    RESUMO
     
    URBS MAGNA - Progressistas por um BRASIL SOBERANO
     


    Brasília (DF) · 08 de fevereiro de 2026

    O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não minimizou a libertação de Nicolás Maduro, mas priorizou um contexto mais amplo em sua resposta à jornalista Daniela Lima, sem empregar termos adicionais como “além disso” para separar diretamente a questão do retorno do foco em democracia e bem-estar do povo venezuelano.

    A repercussão interpretou erroneamente como desinteresse no retorno do líder a Caracas, apesar de o artigo de Lula no The New York Times permanecer publicado, condenando a ação como “afronta gravíssima à soberania” e criticando o sequestro.

    A declaração de Lula na entrevista à Daniela Lima foi feita na quinta-feira (5/fev), gerando intensa repercussão ao ser lida como relativização da prioridade em trazer de volta Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores, detidos nos Estados Unidos desde a operação militar de 3 de janeiro.

    No entanto, uma análise precisa da transcrição revela que Lula não respondeu diretamente à indagação sobre ações para o retorno do casal, redirecionando o foco para questões estruturais: fortalecimento da democracia, retorno de milhões de migrantes e recuperação econômica da Venezuela, incluindo a produção da PDVSA.

    Questionada por Daniela Lima se haveria algo a ser feito para que Maduro e sua esposa voltassem à Venezuela, ou para que os venezuelanos controlassem a extração de petróleo, o presidente respondeu: “Essa não é a preocupação principal.” Em seguida, explicou: “A preocupação principal é o seguinte: a possibilidade da gente fortalecer a democracia na Venezuela e o povo da Venezuela, 8 milhões e 400 mil pessoas que estão fora, voltar para a Venezuela. Há condições de fazer com que a democracia seja efetivamente respeitada na Venezuela e o povo possa participar ativamente.”

    Lula enfatizou que o que está em jogo é melhorar a vida do povo, gerar emprego e elevar a produção petrolífera de 70 mil para 3,7 milhões de barris diários. Ele relatou ter dito a Donald Trump: “quem vai resolver os problemas da Venezuela são os venezuelanos”, reforçando que a América do Sul é zona de paz, sem armas nucleares, e deve priorizar crescimento econômico e democracia.

    Essa abordagem parece contrastar com a condenação de Lula à operação americana, classificada como violação do direito internacional. Mas apenas “parece”: No artigo no The New York Times, o presidente brasileiro critica a intervenção, descrevendo-a como “afronta gravíssima à soberania” — texto que segue acessível e sem retratação.

    Uma marcha em Caracas na terça-feira (3/fev), organizada pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), reuniu milhares exigindo a libertação do casal, com cartazes anti-imperialistas e discursos do deputado Nicolás Maduro Guerra, filho do ex-presidente, reforçando a consciência “anti-imperialista” e defesa do modelo chavista.

    A mobilização marcou um mês do episódio, com bonecos de “Super Bigode” e clamores por retorno.

    Críticas internas, como o texto de José Reinaldo Carvalho, em seu canal Resistência (republicado no Brasil 247), classificaram a fala como “profundamente infeliz”, argumentando que subestima a luta pela libertação e transmite sinal perigoso de acomodação ao imperialismo.

    Carvalho defende crítica fraterna à esquerda, sem fraturas que beneficiem a direita, e reafirma princípios de soberania e solidariedade.

    Reações internacionais e setoriais incluem setores radicais da esquerda vendo capitulação, enquanto analistas apontam perda de influência brasileira na transição venezuelana.

    A oposição doméstica explorou as falas para acusações de cumplicidade ideológica. No entanto, a diplomacia de Lula mantém condenação à intervenção, priorizando diálogo e multipolaridade, inclusive com parceria estratégica com a China.

    Lula confirmou viagem a Washington na primeira semana de março para encontro com Trump, com Venezuela na pauta.

    Leia a transcrição completa da entrevista:

    Daniela Lima: “Presidente, o senhor acha que há algo a ser feito para que, por exemplo, Maduro e a esposa dele voltem à Venezuela? Ou que os venezuelanos tenham o poder sobre, por exemplo, a extração do petróleo?”
    Lula: “Essa não é a preocupação principal.”
    Daniela Lima: “Perfeito.”
    Lula: “A preocupação principal é o seguinte: a possibilidade da gente fortalecer a democracia na Venezuela e o povo da Venezuela, 8 milhões e 400 mil pessoas que estão fora, voltar para a Venezuela. Há condições de fazer com que a democracia seja efetivamente respeitada na Venezuela e o povo possa participar ativamente. Porque o que está em jogo é se a gente vai melhorar a vida do povo ou não. O que está em jogo é se a gente vai gerar emprego ou não. O que está em jogo é se a PDVSA vai voltar a produzir 3.700.000 barris de petróleo por dia, e não 70 como produz hoje.”
    Daniela Lima: “Perfeito.”
    Lula: “Olha, eu vou lhe contar uma pequena história que é importante lhe contar. Quando o Chaves era presidente da República, eu dizia para o Chaves: ‘Chaves, é extremamente importante que você e o Bush se entendam. Porque vocês dois não podem ficar nessa briga de compadre. Você diz que briga com o Bush, mas continua vendendo toda a sua gasolina para os Estados Unidos. O Bush diz que briga com você e continua comprando a sua gasolina. Se essa briga fosse de verdade, nem você vendia, nem ele comprava’.
    Então, o que falta é as pessoas entenderem o seguinte: para que que serve um governo? Para que que serve um governo? Só tem sentido a existência de um governo se esse governo estiver preocupado em cuidar do seu povo, em fazer com que no seu mandato a vida desse povo melhore. É isso que vale para a Venezuela. O que que nós estamos dizendo ao presidente Trump? A América do Sul é uma zona de paz. A gente não tem bomba atômica, a gente não tem armas nucleares. Ou seja, o que a gente quer é crescer economicamente, fortalecer o processo democrático e melhorar a vida de milhões de latino-americanos, porque a América Latina não pode continuar sendo um continente, uma parte do mundo pobre.”

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.



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