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    Lula anuncia candidatura à reeleição em discurso histórico no Mercosul: “Aos 80 anos, com vitalidade de jovem de 20”

    — calculando —
    Lula discursa na Cúpula do Mercosul em Assunção

    📷 O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante sua intervenção na Cúpula do Mercosul em Assunção, Paraguai |30.6.2026| Encontro reuniu líderes da região para discutir a integração e os desafios comuns / FOTO: Reprodução YouTube / Canal.Gov

    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Assunção (PY)
    30 de junho de 2026

    Na tarde desta terça-feira (30/jun), em Assunção, capital do Paraguai, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso de mais de 40 minutos durante a Cúpula do Mercosul que combinou solidariedade, projeção econômica e um anúncio pessoal aguardado: Lula confirmou que concorrerá à reeleição em outubro.

    A fala começou com um momento de pesar. Lula pediu um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do terremoto que atingiu a Venezuela na semana passada.

    A tragédia, segundo o presidente, deixou 1.400 mortos, 60.000 desabrigados, 10.000 desaparecidos e 3.150 feridos, com base em dados fornecidos pela presidenta venezuelana Delcy Rodríguez durante uma conversa na noite anterior.

    “Ontem à noite eu falei com a presidenta Delcy. Ontem à noite tinha 1.400 pessoas mortas, 60.000 desabrigados, 10.000 desaparecidos, 3.150 feridos”, relatou Lula, que defendeu a solidariedade regional como resposta à catástrofe.

    A herança do Mercosul e o futuro da integração

    Ao relembrar os 35 anos da fundação do bloco, na mesma cidade, o presidente destacou a evolução do comércio intrarregional — que saltou de US$ 4 bilhões em 1991 para US$ 50 bilhões em 2025. As exportações brasileiras, segundo ele, superaram os US$ 400 bilhões e o intercâmbio total com o mundo cresceu 6% no último ano.

    Lula celebrou a ratificação do acordo de livre comércio com a União Europeia, contrariando os que “acreditavam que jamais sairia do papel”, e anunciou o início das negociações com o Japão, além de planos para uma parceria com a China.

    O Brasil também já ratificou acordos com a EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio) e Cingapura, e avança em diálogos com Canadá, Índia e Vietnã.

    Sob a ótica do Urbs Magna , a ênfase nas negociações com potências asiáticas sinaliza uma estratégia deliberada de geopolítica para reduzir a dependência comercial e fortalecer a autonomia do bloco em um cenário global fragmentado.

    Investimentos e infraestrutura: as rotas da integração

    O presidente anunciou um aporte adicional de US$ 100 milhões anuais ao longo de uma década para a segunda fase do Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul (FOCEM). O recurso, batizado de FEI2, será usado para reduzir assimetrias entre os países-membros, com a incorporação da Bolívia ao fundo.

    Lula também defendeu o programa Rota da Integração Sul-Americana, que visa conectar o interior do continente a portos no Atlântico, Pacífico e Caribe. Destacou a importância da Hidrovia Paraguai-Paraná, que transporta anualmente cerca de 100 milhões de toneladas de cargas, e pediu maior governança conjunta para explorar seu potencial.

    Transição energética e soberania digital

    Em um dos trechos mais técnicos do discurso, Lula defendeu a liderança do bloco na transição energética global. Citou a matriz elétrica limpa, o potencial do hidrogênio verde e dos biocombustíveis, e a necessidade de integração elétrica e gasífera para garantir resiliência energética.

    O presidente alertou para o que chamou de “colonialismo digital” e afirmou que o Mercosul precisa ser mais do que “fonte de dados e matéria-prima para as grandes empresas de tecnologia”. Defendeu o PIX, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, como base para uma infraestrutura financeira regional que reduza custos e amplie o uso de moedas locais.

    A análise do portal aponta que a menção ao colonialismo digital é uma resposta direta à crescente influência de gigantes da tecnologia na região, ecoando preocupações já levantadas por países europeus sobre soberania de dados e inteligência artificial.

    O anúncio pessoal e a defesa da democracia

    Já no encerramento do discurso oficial, o presidente fez um pronunciamento que roubou a cena. Com a energia de um “jovem de 20 anos”, como disse, Lula confirmou que será candidato à reeleição pela quarta vez — um feito inédito na história do Brasil em regime democrático. Ele afirmou que o país vive seu “melhor momento econômico” em anos, com menor desemprego, maior massa salarial e inflação controlada, e que precisa garantir que o progresso não seja interrompido.

    “Eu vou concorrer às eleições para poder garantir que o Brasil mantenha-se como país democrático. Porque não é possível a gente imaginar irresponsáveis governando um país de 25 milhões de habitantes”, declarou, sem citar diretamente opositores, mas ecoando críticas ao governo anterior.

    Ele pediu que os líderes presentes trabalhem para fortalecer as instituições do Mercosul, independentemente dos resultados eleitorais em cada país. “O Mercosul não pode funcionar de acordo com a eleição daquele presidente”, disse, defendendo a continuidade do bloco como política de Estado.

    Crime organizado, meio ambiente e diplomacia

    Lula abordou ainda a luta contra o crime organizado, propondo que o Mercosul atue como “embrião de um mecanismo sul-americano de enfrentamento a desastres naturais” e destacou a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional em Manaus, com apoio da Interpol.

    Em relação à diplomacia, o presidente afirmou que “nenhum país da América do Sul ganhará mais liberdade de ação por meio de alinhamentos automáticos ou escolhas excludentes”, defendendo a capacidade de dialogar com todos sem abrir mão dos interesses regionais.

    O Itamaraty confirmou que o acordo com o Japão deverá ser formalizado nos próximos meses, assim como o cronograma para negociações com a China. A presidência do Mercosul foi oficialmente transferida do Paraguai para o Uruguai. Prometemos detalhes em breve sobre os próximos passos da integração regional.



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