Decisão de enviar o VC-2, com capacidade para 40 passageiros, ocorre em meio ao avanço das negociações com o Egito para resgatar 22 pessoas que solicitaram repatriação
O governo federal acionou a aeronave de viagens oficiais da Presidência da República, utilizado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para tentar repatriar os brasileiros que estão na Faixa de Gaza. O avião decolou às 16h30 desta quinta-feira (12/10) com destino a Roma, na Itália, onde vai aguardar autorização do Egito para o resgate.
Segundo o Palácio do Planalto, o avião presidencial VC-2, da Embraer, com capacidade para 40 passageiros, foi acionado em caráter de urgência, em meio ao avanço das negociações com o Egito para resgatar 22 brasileiros que solicitaram repatriação.
Ao todo, 10 crianças, 7 mulheres e 5 homens estão na fila de espera, sendo 13 deles abrigados em uma escola católica a pedido do Escritório de Representação do Brasil em Ramallah (Cisjordânia). Como olocal foi bombardeado em 2021, diplomatas alertam Israel sobre a presença destas pessoas, inclusive crianças.
Escritório de Representação do Brasil em Ramallah organizou também a primeira entrega de ajuda ao pequeno grupo de brasileiros – alimentos, roupas, cobertores e colchões, e uma psicóloga palestina, conforme noticiou o jornal ‘Folha de S. Paulo‘.
Desde o início desta guerra, ao menos 1.417 palestinos morreram e outros 6.268 ficaram feridos nos ataques à Gaza realizados por Tel Aviv, de acordo com balanço divulgado pelo Ministério da Saúde de Gaza na manhã desta quinta-feira (12/10). Do lado israelense, o número de mortos é de cerca de 1.300.
As Forças de Defesa de Israel afirmam realizar ataques direcionados a alvos do Hamas no território adjacente a Israel. Em uma transmissão ao vivo, o porta-voz dos militares, Jonathan Conricus, afirmou que o esforço é para mapear as instalações, em especial as subterrâneas, que servem de base para terroristas e equipamentos.
Gaza vive um bloqueio desde 2007, e o Egito controla a sua fronteira sul. O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, está negociando com o Cairo uma forma de liberar a saída, no posto de controle único de Rafah, para um ou dois ônibus com brasileiros.
Não é uma negociação simples, nem exclusiva: os Estados Unidos e outros países com mais moradores na região estão na mesma tratativa. Especula-se um salvo-conduto para até 2.000 pessoas por dia, mas nada está certo.
Para um comboio, por mínimo que seja, deixar a cidade de Gaza rumo a Rafah, seria preciso uma coordenação que parece improvável com as forças de Israel. A agência da ONU na região tenta negociar um corredor para fazer essa retirada também, mas até agora não houve acordo.
