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    Lula e presidente da Coreia do Sul assinam 5 acordos e anunciam foguete em setembro

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    Lee Jae-myung e Lula fazem finger heart

    📷 O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, repete o gesto do Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que fez com os dedos polegar e indicador um coração coreano, o ‘finger heart’, originário do país |•| Imagem reprodução / Lula/YouTube |•| URBS MAGNA

    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Brasília (DF)
    27 de julho de 2026

    Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Lee Jae-myung, da Coreia do Sul, assinaram nesta segunda-feira (27/jul), no Palácio da Alvorada, em Brasília, cinco memorandos de cooperação bilateral e anunciaram um novo lançamento de foguete no Centro de Lançamento de Alcântara para setembro, no que classificaram como o início de uma parceria estratégica mais ambiciosa entre os dois países.

    A visita de Estado, a convite de Lula, é a primeira de um chefe de Estado sul-coreano ao Brasil em 11 anos e dá sequência ao encontro que os dois líderes tiveram em fevereiro, em Seul, quando elevaram a relação bilateral ao nível de Parceria Estratégica e adotaram o Plano de Ação 2026-2029, segundo confirmou o Ministério das Relações Exteriores.

    Os cinco memorandos assinados

    A cerimônia reuniu autoridades das duas delegações. O presidente da Agência Espacial Brasileira, Marco Antônio Chamon, e o administrador da Korea AeroSpace Administration, Yoon Young-bin, assinaram o memorando de cooperação espacial, voltado à exploração e a atividades pacíficas no espaço.

    O ministro do Esporte, Paulo Henrique Cordeiro Perna, e o chanceler sul-coreano, Cho Hyun, firmaram o acordo esportivo, com foco no intercâmbio de atletas e políticas públicas.

    O ministro da Educação, Leonardo Barchini, e Cho Hyun também assinaram o memorando educacional, sobre intercâmbio de políticas e aproximação entre instituições de ensino.

    O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, firmou com Cho Hyun o acordo na área energética, com ênfase em biocombustíveis e transição energética.

    Por fim, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e o ministro do Comércio, Indústria e Recursos da Coreia do Sul, Kim Jung-kwan, assinaram o memorando sobre tecnologia industrial, voltado à pesquisa aplicada ao setor.

    Comércio ainda aquém do potencial

    Em 2025, a corrente de comércio entre os dois países somou cerca de US$ 11 bilhões, valor que Lula classificou como pequeno diante do tamanho das duas economias.

    Segundo o presidente brasileiro, um grupo de trabalho — coordenado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin do lado brasileiro — vai identificar sensibilidades comerciais dos dois países para destravar a retomada das negociações entre o Mercosul e a Coreia do Sul.

    O tema foi endossado por Lee, que classificou o acordo comercial entre os blocos como uma tarefa que “não pode mais esperar”.

    O Brasil já é o principal destino dos investimentos sul-coreanos na América Latina e, após 17 anos de negociação, os dois governos confirmaram a realização de uma missão sanitária ao país no próximo mês — passo decisivo para abrir o mercado coreano a frigoríficos brasileiros.

    Defesa, semicondutores e um novo lançamento em Alcântara

    Na área de defesa, os dois países vão criar um comitê conjunto de tecnologia e assinar um acordo de proteção e troca de inteligência militar.

    O uso de componentes coreanos no avião C-390 Millennium, da Embraer, que a Força Aérea sul-coreana vai adquirir, foi citado por Lee como símbolo do avanço da cooperação em defesa.

    No campo espacial, Lula anunciou que o Brasil deve realizar um novo lançamento a partir da base de Alcântara em setembro, prometendo estar presente pessoalmente.

    O acordo assinado também prevê simplificação de procedimentos para empresas privadas coreanas usarem instalações de lançamento brasileiras e compartilhamento de dados de satélite, conforme detalhou a agência Asia Business Daily.

    Os dois presidentes também combinaram ampliar a cooperação em semicondutores, economia digital e inteligência artificial.

    Cultura, meio ambiente e reconhecimento da UNESCO

    Durante a cerimônia, Lula anunciou que a UNESCO, reunida em Busan, reconheceu o Teatro Amazonas, em Manaus, e o Tratado da Paz, em Belém, como Patrimônio Mundial Cultural.

    O presidente brasileiro também detalhou o Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (TFF), iniciativa que propõe atrair investimento privado para financiar a preservação florestal, em contraste com o modelo tradicional de doações internacionais — que, segundo Lula, nunca cumpriu a promessa de US$ 100 bilhões anuais firmada na COP15 de Copenhague, em 2009.

    Os dois líderes também trataram de temas pessoais em comum: Lee relembrou que, assim como Lula, trabalhou em fábricas quando jovem e sofreu um acidente que o deixou com sequela na mão esquerda, episódio que disse ter reforçado seu senso de responsabilidade social.

    Ele afirmou ainda que pretende visitar, em São Paulo, o sindicato de metalúrgicos onde Lula iniciou sua trajetória política.

    A intensidade da agenda assinada nesta segunda-feira reflete o esforço mais amplo do governo brasileiro de diversificar parcerias comerciais em meio ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos sob Donald Trump — estratégia que já havia levado Lula a visitar China, Índia, Indonésia, Japão e Vietnã nos últimos anos.

    O apoio mútuo declarado por Lula e Lee à desnuclearização e ao multilateralismo também sinaliza um alinhamento diplomático que vai além da pauta econômica, especialmente em um momento de tensões comerciais globais.

    Ao final das declarações Lula fez questão de fazer com os dedos o chamado ‘finger heart’, ou coração coreano – febre mundial surgida no país.

    O presidente da Coreia gostou tanto que publicou em sua rede social TikTok exatamente esse trecho, colocando como fundo uma música que foge aos estilos coreanos:

    @jaemyung_lee 🇰🇷🇧🇷🫰 #KOREA #BRASIL @Presidente Lula ♬ original sound – 이재명


    O finger heart deixou de ser um hábito local para virar uma marca registrada da cultura pop internacional.

    A popularização do gesto no K-pop é debatida, com o cantor Yang Joon-il e o comediante Kim Shin-young reivindicando sua criação. G-Dragon, do BIGBANG, exemplificou a espontaneidade do gesto na infância.

    Desde 2009, o símbolo foi adotado por grupos como o Girls’ Generation, permitindo interação com os fãs enquanto seguravam microfones. A Onda Coreana fez o gesto transcender culturas, sendo utilizado por líderes políticos e estrelas em eventos oficiais, ajudando a suavizar choques culturais.

    Atualmente, o gesto é um emoji padrão globalmente. 🫰

    Lee Jae-myung segue em agenda oficial no Brasil nesta terça-feira (28/jul), com visita a São Paulo e encontro com representantes do setor empresarial.



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