📷 Geraldo Alkmin, Simone Tebet, Fernando Haddad, Marina Silva, Lula e Márcio França na convenção em São Paulo / Imagem reprodução / Lula/YouTube |•| Urbs Magna
| São Paulo (SP)
25 de julho de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou, neste sábado (25/jul), em Campinas, a candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, alertando que a eleição de 2026 será marcada pelo uso de inteligência artificial por adversários para espalhar desinformação, e avisando que não aceitará interferência estrangeira no pleito brasileiro.
A convenção do PT paulista ratificou a chapa formada por Haddad na cabeça, Márcio França (PSB) na vice-governança, e Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) como candidatas ao Senado, com apoio de sete legendas — PT, PSB, Rede, PDT, PSol, PV e PCdoB.
O vice-presidente Geraldo Alckmin, companheiro de chapa de Lula na disputa presidencial, também participou do evento.
O aviso sobre a inteligência artificial
Ao discursar por último, Lula dedicou parte relevante da fala a alertar a militância sobre uma mudança de tática dos adversários: sem “tamanho”, “biografia” ou “proposta”, segundo o presidente, eles recorreriam à inteligência artificial para fabricar acusações falsas e prometer o que jamais cumpririam.
A preocupação com o tema já vinha sendo tratada como estratégica pelo entorno presidencial nas eleições municipais e estaduais deste ciclo.
A defesa da economia e o histórico de Haddad
Lula reforçou os números do período em que Haddad comandou o Ministério da Fazenda: a menor inflação acumulada em quatro anos, o menor desemprego da história do país, recorde de exportações, salário mínimo acima da inflação e crescimento do PIB acima de 3% — patamar que, segundo o presidente, o Brasil só havia alcançado antes em 2010, no fim de seu segundo mandato.
O presidente também destacou a aprovação da reforma tributária sob a coordenação de Haddad, chamando-a de conquista perseguida havia mais de 40 anos.
Já Haddad, em seu próprio discurso, mirou o adversário direto na disputa estadual: classificou o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) como responsável por “desleixo” em áreas como educação e segurança pública, e apontou que o crescimento econômico de São Paulo nos últimos 12 meses — 0,4% — ficou muito abaixo da média nacional de 2%.
As biografias de Márcio, Marina e Simone
Lula dedicou trechos individuais a cada um dos companheiros de chapa. De Márcio França, destacou a trajetória como ex-secretário e ex-vice-governador, mesmo em momentos de divergência política.
De Marina Silva, afirmou não existir, no mundo, outra figura tão respeitada nas discussões sobre a crise climática. Já sobre Simone Tebet, o presidente recuperou a história pessoal: filha do ex-presidente do Senado Ramez Tebet, ela foi prefeita de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, adversária de Lula na eleição presidencial de 2022, e declarou apoio à candidatura dele já no segundo turno daquele pleito — decisão que, segundo o presidente, ajudou a viabilizar a vitória e resultou, depois, em seu convite para comandar o Ministério do Planejamento.
O recado a Trump e Milei
O momento de maior repercussão política do discurso foi o aviso direto a atores externos: Lula afirmou que o Brasil é soberano e que “quem vai decidir o destino desse país são 157 milhões de eleitores”, rejeitando qualquer tentativa de ingerência estrangeira no resultado das urnas em outubro.
A fala ocorreu no mesmo dia em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) lançava sua própria candidatura à Presidência, também em São Paulo, em evento que contou com a presença do presidente argentino Javier Milei.
A coincidência de datas — as duas principais convenções da disputa presidencial de 2026 ocorrendo no mesmo sábado, em cidades vizinhas do estado de São Paulo — não é casual: ambos os campos tentam capturar a atenção do maior colégio eleitoral do país logo na largada da corrida presidencial.
O discurso de Lula sobre desinformação por inteligência artificial também sinaliza que o tema deve se tornar um dos eixos centrais de disputa entre as campanhas nos próximos meses, dado o histórico de campanhas anteriores marcadas por conteúdo manipulado nas redes.
A convenção nacional que lança oficialmente a pré-candidatura de Lula à reeleição está marcada para o dia 2 de agosto, em São Paulo, com um grande ato programado para 16 de agosto no Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo.
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