Hebe de Bonafini morreu aos 93, após mais de 40 anos em busca de filhos desaparecidos na sanguinária ditadura militar que deixou 30 mil mortos na Argentina
“Recebi com tristeza a notícia da morte de Hebe de Bonafini, liderança das Mães da Plaza de Mayo, na Argentina“, afirmou o Presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, em seus perfis nas redes sociais (veja mais abaixo).
Lula postou uma foto antiga, em que ele aparece ao lado de Hebe Bonafini, escreveu que ela “dedicou sua vida à luta por memória e justiça. Defensora dos direitos humanos, ajudou a criar um dos mais importantes movimentos democráticos da América Latina.
Lula lembra que “Hebe teve dois filhos sequestrados e desaparecidos durante a ditadura na Argentina” e que “com outras mães e familiares de vítimas do Estado, liderou marchas silenciosas por paz e justiça. Sua luta e perseverança seguem sendo exemplo para os que acreditam em um mundo mais democrático“, afirmou Lula.
Veja abaixo e leia mais a seguir:
A líder da Associação Mães da Praça de Maio morreu neste domingo (20/11), aos 93 anos, na Argentina. Hebe foi cofundadora e símbolo de um movimento de mães formado na década de 1970 para cobrar informações sobre os filhos sequestrados, torturados e desaparecidos durante a sanguinária ditadura militar que governou o país entre 1976 e 1983 e deixou 30 mil mortos.
Ainda hoje, as Mães da Praça de Maio se reúnem todas as quintas-feiras para marchar na praça de mesmo nome, diante da Casa Rosada, a sede do governo argentino, em busca de justiça e verdade. Hebe perdeu dois de seus três filhos sequestrados pelos militares.
Bonafini nasceu em 4 de dezembro de 1928 em um bairro popular da cidade de Ensenada. Em 29 de dezembro de 1942, aos 14 anos, casou-se com Humberto Alfredo Bonafini, com quem teve três filhos: Jorge Omar, Raúl Alfredo e María Alejandra.
“Em 8 de fevereiro de 1977, durante a ditadura militar, seu filho Jorge Omar foi sequestrado em La Plata. Em 6 de dezembro do mesmo ano, aconteceu o mesmo com Raúl Alfredo, em Berazategui. Um ano depois, em 25 de maio de 1978, a ditadura militar também sequestrou a sua nora María Elena Bugnone Cepeda, esposa de Jorge, diz texto no portal de notícias g1, que fez um resumo de sua trajetória.
Em 1979, tornou-se presidente da Associação Mães da Praça de Maio e, desde então, era reconhecida como uma influente ativista de direitos humanos. Em outubro deste ano, Hebe foi internada no Hospital Italiano, na cidade de La Plata, para exames médicos, durante três dias.
Antes da internação, a ativista havia liderado a reunião na Praça de Maio na quinta-feira (6/10). No dia 5, Hebe esteve no Centro Cultural Kirchner para a inauguração de uma exposição fotográfica em sua homenagem.
Na ocasião, ela agradeceu pelas fotos com imagens de seus filhos Jorge Omar e Raúl Alfredo. “Esqueci quem eu era no dia em que eles desapareceram, nunca mais pensei em mim“, disse.
Revendo sua biografia, Hebe afirmou que seus pais e avó lhe ensinaram “o valor do trabalho“, enquanto seus filhos desaparecidos lhe ensinaram “o que é política“.
