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Lula lamenta morte de Clara Charf, uma das fundadoras do PT, símbolo de coragem e resistência

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    O Presidente
    O Presidente Lula abraçado à Clara Charf / Foto: Acervo CSBH/FPA / Colorida por IA


    Perco uma companheira de muitas caminhadas“, escreve o estadista sobre a viúva de Marighella, que faleceu aos 100 anos de idade nesta segunda (3)



    São Paulo, 03 de novembro 2025

    A militante histórica Clara Charf, viúva do guerrilheiro Carlos Marighella e uma das fundadoras do Partido dos Trabalhadores (PT), faleceu nesta segunda-feira (3/nov), aos 100 anos, em São Paulo.

    A morte, por causas naturais, ocorreu após internação hospitalar, conforme confirmado pela Associação Mulheres pela Paz, entidade fundada e presidida por ela.

    Nascida em 17 de julho de 1925, em Maceió (AL), filha de imigrantes judeus russos, Clara dedicou quase oito décadas à militância, enfrentando prisões, clandestinidade e exílio durante a ditadura militar (1964-1985).

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lamentou a perda em redes sociais, destacando a convivência de mais de 40 anos:

    “Clara Charf nos deixou hoje, aos 100 anos de idade. Com seu falecimento, o Brasil perde uma mulher extraordinária.

    E eu perco uma companheira de muitas caminhadas.

    Corajosa, generosa, combativa e de grande maturidade política, Clara viveu o exílio, enfrentou a ditadura e defendeu incessantemente a democracia.

    Atravessou seu século de vida com uma flexibilidade bonita de quem sabia compreender o novo sem abandonar seus princípios, de quem olhava o mundo com lucidez e coração aberto.

    Convivi com a Clara por mais de 40 anos.

    Aprendi muito com ela sobre política, solidariedade, resistência e humanidade.

    E hoje me despeço dela com carinho, respeito e gratidão a essa grande brasileira que tanto fez pelo nosso país e por todos nós que tivemos a sorte de tê-la por perto.”

    O PT emitiu nota oficial de pesar, exaltando sua trajetória:

    “O Partido dos Trabalhadores lamenta profundamente a morte de Clara Charf, aos 100 anos, uma das fundadoras do PT, símbolo de coragem e resistência na luta por um Brasil mais justo, democrático e igualitário.

    Clara dedicou toda a sua vida às causas populares. Militante política desde os 20 anos, filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) aos 21, onde conheceu seu companheiro de vida e de luta, Carlos Marighella. Ao lado dele, enfrentou a clandestinidade, a repressão e a violência da ditadura militar a partir de 1964.

    Integrante da Ação Libertadora Nacional (ALN), foi perseguida pelo regime e, após o brutal assassinato de Marighella, em 1969, precisou se exilar em Cuba, onde viveu por dez anos sob identidade falsa, trabalhando como tradutora.

    Com a Lei da Anistia, retornou ao Brasil em 1979 e ajudou a construir o PT, o partido que apresentou um novo projeto político para o país. Em 1982, foi candidata a deputada federal.

    Feminista incansável, Clara atuou na Secretaria Nacional de Mulheres do PT, integrou o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e presidiu a organização Mulheres Pela Paz, fundada por ela em 2003, referência na luta contra a violência de gênero e na promoção do protagonismo feminino.

    Nascida em 17 de julho de 1925, Clara completou recentemente 100 anos.

    Foi um século de vida dedicado à liberdade, à justiça social, ao enfrentamento ao fascismo e à defesa intransigente dos direitos humanos.

    Sua história se confunde com a da resistência democrática brasileira.

    Clara Charf parte, mas deixa um legado que jamais será apagado.

    Sua trajetória continuará a inspirar gerações de militantes, mulheres e jovens.

    Nossa solidariedade aos familiares, amigas, companheiras e companheiros de caminhada.

    Clara Charf: presente, hoje e sempre.”

    Trajetória de Luta: Do PCB à Fundação do PT

    Clara iniciou a militância aos 21 anos no Partido Comunista Brasileiro (PCB), onde conheceu Marighella, casando-se em 1947.

    Juntos, atuaram na fração parlamentar comunista e na resistência ao Estado Novo de Getúlio Vargas.

    Presa em 1952 durante formação de quadros em Campinas, foi libertada por habeas corpus.

    Com o golpe de 1964, integrou a Ação Libertadora Nacional (ALN), fundada por Marighella, considerado “inimigo número 1” da ditadura.

    Após o assassinato de Marighella em 4 de novembro de 1969 – que nesta terça-feira completará 56 anos –, Clara exilou-se em Cuba por uma década, vivendo clandestinamente como tradutora.

    Retornou em 1979 com a Lei da Anistia e foi pivotal na fundação do PT em 1980, candidatando-se a deputada federal em 1982 (quase 20 mil votos) e estadual em 1986.

    Atuou na Secretaria Nacional de Mulheres do PT e no Conselho Nacional dos Direitos da Mulher.

    Legado Feminista e pela Paz

    Em 2003, fundou a Associação Mulheres pela Paz, coordenando no Brasil o projeto “Mil Mulheres pelo Nobel da Paz” em 2005, indicando coletivamente mil mulheres globais.

    Recebeu prêmios como o Diploma Bertha Lutz e o Prêmio Rose Marie Muraro, além de ser cidadã paulistana honorária.

    Em 1996, liderou o processo que reconheceu a responsabilidade do Estado na morte de Marighella pela Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos.

    Figuras como o ministro Paulo Teixeira (PT) a chamaram de “maior militante de esquerda do Brasil”, enquanto o jornalista Mário Magalhães, biógrafo de Marighella, destacou sua “generosidade destemida”.

    A neta Maria Mariguella, presidente da Funarte, a definiu como “feminista de todos os tempos”.

    Repercussão e Homenagens

    Nas redes, o MST e lideranças como João Pedro Stédile lamentaram: “Clara Charf, presente!”

    O velório ocorre hoje (3/nov) das 18h às 21h no Cemitério São Paulo, em Pinheiros, seguido de cremação na Vila Alpina.

    Clara Charf não apenas sobreviveu a um século de turbulências, mas moldou a história brasileira com resiliência.

    Sua ausência ecoa, mas seu exemplo de “vida pra mim é luta” inspira novas gerações na defesa da democracia, igualdade de gênero e justiça social. Presente, hoje e sempre!



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    1 comentário em “Lula lamenta morte de Clara Charf, uma das fundadoras do PT, símbolo de coragem e resistência”

    1. É uma vergonha que na declaração do PT, não exista nenhuma palavra sobre seu trabalho na Secretaria de Relações Internacionais (SRI), Clara, representa melhor do que ninguém, à militância internacionalista.
      A compreensão de que os problemas são comuns a todos os povos, era o motivo do trabalho pela unidade, especialmente da América Latina.

    Os comentários estão fechados.

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