Estadista encerra visita a trabalho em Nova Délhi destacando sinergias entre duas potências do Sul Global, enquanto delegação de 300 empresários sinaliza salto qualitativo nas relações bilaterais – ASSISTA
Nova Délhi (US) · 21 de fevereiro de 2026
O Presidente da República Federativa do Brasil, Excelentíssimo Senhor Luiz Inácio Lula da Silva (PT), concluiu, em Nova Délhi, uma visita de Estado à Índia que marca um dos momentos mais densos da diplomacia brasileira recente.
A convite do primeiro-ministro Narendra Modi, Lula participou de reuniões bilaterais na Hyderabad House, de cerimônia oficial no Palácio Presidencial com a presidenta Droupadi Murmu e do encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Índia 2026, onde anunciou a revisão ambiciosa da meta comercial bilateral.
O comércio entre os dois países saltou de US$ 2,4 bilhões em 2006 para US$ 15,2 bilhões em 2025 — um crescimento expressivo, mas ainda aquém do potencial de duas economias continentais. “Já acho que é possível revisar essa meta para 30 bilhões de dólares”, declarou Lula, segundo publicação oficial no perfil @LulaOficial no X.
A declaração ecoa o compromisso assumido com Modi de alcançar pelo menos US$ 20 bilhões “em poucos anos”.
Oito acordos foram assinados, dando concretude aos cinco eixos da Parceria Estratégica reestruturada em julho de 2025, durante a visita de Modi a Brasília:
♦ Defesa e Segurança,
♦ Segurança Alimentar e Nutricional,
♦ Transição Energética e Mudança do Clima,
♦ Transformação Digital e Tecnologias Emergentes e
♦ Parcerias Industriais em Áreas Estratégicas.
Entre os destaques, conforme nota do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), está o acordo pioneiro sobre minerais críticos e terras raras, a primeira Parceria Digital para o Futuro firmada pelo Brasil e a expansão da cooperação na área de saúde via FioCruz, com foco em vacina contra tuberculose, medicamentos oncológicos e para doenças negligenciadas.
Lula enfatizou o caráter complementar das economias: “Somos o encontro da farmácia do mundo com o celeiro do mundo, de uma superpotência digital com uma potência em energia renovável”.
A frase, repetida em diferentes momentos da agenda, sintetiza a narrativa construída pelo governo brasileiro para posicionar a relação como pilar do multilateralismo e da resiliência frente ao protecionismo global.
“No mundo de hoje, a conectividade e a diversificação comercial viraram um sinônimo de resiliência diante do recrudescimento do protecionismo e do unilateralismo comercial”, afirmou o presidente durante o encerramento do fórum, conforme reportagem da Agência Brasil.
A preparação da visita incluiu a missão chefiada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin em 2025 e a presença de cerca de 300 empresários brasileiros nesta semana — o maior contingente já registrado em agenda semelhante.
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) inaugurou escritório em Délhi, enquanto a Embraer abriu representação local e foi firmado acordo trilateral para manutenção de submarinos da classe Scorpène.
Lula ainda destacou a participação na Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial, reforçando a defesa de governança multilateral para a tecnologia. “O futuro não chega por si só — precisamos desejá-lo”, citou, parafraseando a ex-primeira-ministra indiana Indira Gandhi em visita ao Brasil em 1968.
Fontes oficiais do Governo Federal e do Itamaraty confirmam que os entendimentos reforçam o compromisso de ambos os países com o Sul Global, sem alinhamentos automáticos e priorizando desenvolvimento inclusivo.
A Declaração Conjunta Brasil-Índia foi divulgada pelo Itamaraty.
Detalhes completos dos oito acordos e cronograma de implementação serão analisados em matéria complementar em breve.

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