Honraria reconhece trajetória do estadista em Ciência Política, Desenvolvimento e Cooperação Internacional – Presidente inspira acadêmicos da África
Maputo, Moçambique, 24 de novembro 2025
A Universidade Pedagógica de Maputo (UP Maputo), em Moçambique, outorgou, nesta segunda-feira (24/nov), o título de Doctor Honoris Causa em ao presidente da República Federativa do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva (PT).

A cerimônia, realizada na capital moçambicana, celebrou o percurso político de Lula e a intensificação dos laços de cooperação e fraternidade entre os dois países, marcando também os 50 anos de relações diplomáticas entre Brasil e Moçambique.
O título honorífico foi concedido na área de Ciência Política, Desenvolvimento e Cooperação Internacional, em reconhecimento à trajetória de vida e ao “compromisso com a justiça social, a educação e a cooperação internacional” de Lula.
Os Pilares do Reconhecimento Acadêmico
O parecer científico da Faculdade de Ciências Sociais e Filosofia, aprovado unanimemente, destacou a relevância de Lula da Silva em três pilares essenciais.
1. Ciência Política: Lula da Silva é visto como uma liderança que “nasce do povo, questiona estruturas de exclusão e reforça a democracia como prática cotidiana”.
2. Desenvolvimento: Sua ação governativa demonstrou que o crescimento econômico só tem significado quando se traduz em “dignidade equidade inclusão melhoria real da vida das pessoas”, com programas exemplares como Fome Zero, Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida.
3. Cooperação Internacional: O presidente brasileiro é considerado um dos maiores impulsionadores do diálogo Sul-Sul, construindo “pontes sólidas com Moçambique e com o continente africano sempre com respeito reciprocidade e visão estratégica”.

O reitor da UP Maputo, Professor Doutor Jorge Ferrão, classificou Lula como “um amigo de Moçambique e um amigo da África” e um “aliado convicto da educação ciência e tecnologia”.
Ele destacou a imensurável solidariedade brasileira, lembrando que acima de 30% dos quadros de alto escalão científico da academia moçambicana se formaram sob o apoio de Lula em instituições de ensino superior no Brasil.
O professor Lourenço do Rosário, padrinho do outorgado, narrou a trajetória de Lula como a de um herói que “se liberta deste ciclo de pobreza e escravatura da fome e se transforma num símbolo de luta e de resiliência ao nível global”.
O padrinho enfatizou a coragem e a resiliência de Lula após ser vítima de “assassinato político”, destacando que ele “jamais recorreu a medidas dilatórias aceitando propostas da amnistia perdão” e defendeu que “só sairia da prisão inocentado”.
Educação como Investimento e a Luta Contra a Fome
Em sua aula doutoral, Luís Inácio Lula da Silva expressou profunda emoção e honra, declarando que, dos vários títulos de Doctor Honoris Causa que possui, “nenhum me emocionou como esse porque eu não sinto aqui nenhuma diferença entre vocês e eu, eu sinto que nós somos iguais”.
Ele enfatizou que, ao retornar à África, “não me sinto visitante, me sinto voltando para casa”, pois o continente ajudou a forjar a alma do Brasil.
Lula associou o título recebido à figura do educador brasileiro Paulo Freire, cujos ensinamentos encontraram solo fértil em Moçambique e que provou que a verdadeira educação “deve ser libertadora, não apenas ensinar a ler as palavras, mas também a ler o mundo”.
O presidente ressaltou que, durante seus três mandatos e o mandato da presidenta Dilma Rousseff, foram criados “610 institutos técnicos, 190 extensões universitárias e 18 universidades federais novas”, além da criação da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab).
Ele reiterou sua convicção de que “educação é investimento” e “é o melhor investimento que um governo faz”.

A obsessão pela educação, segundo Lula, deriva do fato de não ter tido oportunidades de estudar, o que o faz compreender o valor de uma pessoa formada e a dignidade que o conhecimento proporciona.
Ainda sobre o foco em políticas sociais, Lula defendeu que o “combate a pobreza e a fome deve estar no centro do nosso projeto de desenvolvimento”. Ele fez um apelo global, reforçando que “a fome não é falta de comida é falta de justiça”.
Em um momento crucial, o presidente questionou a ordem mundial que tolera a miséria: “qual é a explicação de ter 700 milhões de pessoas passando fome? isso não é a falta de vergonha na cara de quem governa o mundo que não garante comida para esse povo”.
Compromisso Contínuo
A cerimônia contou com a presença do presidente de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, e de ministros brasileiros como Mauro Vieira e Fernando Hadadd.
A menina Laura da Cruz declamou um poema evocativo escrito por Mia Couto, que reforçou o laço entre os povos, dizendo a Lula: “o senhor não chegou, o senhor já estava aqui, não nos veio visitar porque esta é a sua casa”.
O poema ainda citou uma fala de Lula sobre o único conflito que vale a pena: “só há uma guerra que vale a pena é a guerra contra a fome”.
Ao encerrar sua fala, Lula incentivou a juventude: “não desistam nunca, não desanimem, qualquer que seja a dificuldade que vocês tenham, sempre é melhor a gente continuar lutindo, lutar sempre desistir jamais”.
Ele finalizou com a promessa de não cessar sua luta pela justiça social: “eu vou viver até 120 anos porque enquanto eu não vê o mundo justo eu não vou parar de lutar”.
A homenagem reconhece não apenas a pessoa de Lula da Silva, mas a contribuição do Brasil ao avanço da cooperação educacional e científica com Moçambique.
A visita ocorre no ano em que os países celebram o cinquentenário de suas relações diplomáticas.
Presidente Lula recebe o título de Doutor Honoris Causa em Moçambique https://t.co/9qpRyIv7ic
— Lula (@LulaOficial) November 24, 2025

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