
Presidente Lula para autoridades e empresários no encontro econômico entre Brasil e Alemanha, em Hanôver |20.4.2026| Imagem reprodução / Canal Gov
Hannover (DE) · 20 de abril de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu a 42ª edição do Encontro Econômico Brasil-Alemanha nesta segunda-feira (20/abr) destacando a longevidade e o potencial da relação bilateral em meio a um cenário internacional de fragmentação econômica e desafios climáticos.
A participação ocorreu no âmbito da Hannover Messe 2026, maior feira industrial do mundo, na qual o Brasil é o país parceiro oficial pela primeira vez.
No discurso, Lula recordou o histórico 7 a 1 da seleção alemã sobre o Brasil em 2014 e brincou: “E dia 8 de julho deste ano vai completar 12 anos que a seleção da Alemanha ganhou do Brasil de 7 a 1 e que isso não se repita nessa Copa do Mundo agora”.
A menção leve abriu caminho para um tom construtivo sobre cooperação.O presidente ressaltou que mais de 1.200 empresas alemãs atuam no Brasil e centenas de companhias brasileiras operam no mercado alemão.
“Nossa parceria é antiga mas não está alheia ao desafio dos novos tempos”, afirmou, citando mudanças climáticas, fragmentação do comércio global e debilitamento dos fóruns multilaterais.
Sob a ótica deste portal, o momento revela a importância de parcerias sólidas para enfrentar incertezas geopolíticas e promover desenvolvimento sustentável.
Lula comemorou indicadores econômicos recentes, como crescimento médio acima de 3% nos últimos três anos, recorde histórico da bolsa em abril de 2026, redução da pobreza e da fome, além da aprovação da reforma tributária após mais de 40 anos.
Mencionou ainda o recorde de 169 bilhões de dólares em exportações do agronegócio em 2025 e a entrega de mais de 240 aeronaves pela Embraer no ano anterior.
O chefe do Executivo defendeu a vigência plena do acordo entre Mercosul e União Europeia, que entra em vigor provisoriamente a partir de 1º de maio. “Precisamos que os setores favoráveis ao acordo falem mais alto que os que se opõem, sobretudo na Europa”, disse.
Um dos trechos mais incisivos tratou dos biocombustíveis. Lula criticou propostas europeias que, na visão brasileira, ignoram a sustentabilidade da produção nacional. “Criar barreiras adicionais ao acesso de biocombustíveis é contraproducente do ponto de vista ambiental e energético”, argumentou, destacando que o Brasil possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, com renováveis quase quatro vezes acima da média global.
O presidente convidou alemães a visitarem o país para constatar que não há competição entre produção de alimentos e biocombustíveis, citando 40 milhões de hectares de terras degradadas disponíveis para recuperação.
A análise do Urbs Magna aponta que o discurso reforça o posicionamento do Brasil como protagonista na transição energética, alinhado a valores de justiça social e multilateralismo equilibrado. Destacamos as frases mais impactantes de Lula durante seu discurso:
“Não aceitaremos modelos que reduzam o nosso território à extração de recursos voltada a atender apenas demandas externas. Vamos assegurar que a riqueza do Brasil sirva ao desenvolvimento da população e das empresas brasileiras.”
“Ninguém come biodiesel, ninguém come gasolina. As pessoas comem comida… O Brasil só de terras degradadas tem 40 milhões de hectares de terras para serem recuperadas para se plantar o que quiser, para se criar o que quiser.”
“O meu governo assumiu um compromisso de que até 2030 a gente vai ter desmatamento zero na Amazônia. Não foi ninguém que pediu, nós assumimos o governo e já reduzimos em apenas 3 anos 50% do desmatamento da Amazônia.”
“O Brasil é o primeiro país do mundo, é o único país do mundo com mais de 100 milhões de habitantes que tem um sistema de saúde universal em que é gratuito para 215 milhões de brasileiros. É um exemplo para o mundo.”
“Os fóruns multilaterais de promoção da paz e do comércio estão debilitados. É justamente nesse momento que parcerias sólidas como a do Brasil e Alemanha revelam a sua potência, a sua força.”
“Nós no Brasil estamos dispostos a deixar de ser um país em via de desenvolvimento e queremos nos tornar um país desenvolvido… Quem quiser produzir com energia mais barata e com energia verdadeiramente limpa procura o Brasil.”
“É natural que a Alemanha volta a olhar para o Brasil. Apesar das múltiplas crises do mundo atual, vivemos um momento econômico muito favorável.”
Parcerias em inteligência artificial, defesa (fragatas, blindados, drones) e saúde foram mencionadas como frentes promissoras.
Friedrich Merz, chanceler alemão, acompanhou os compromissos e sinalizou interesse alemão em minerais críticos e tecnologia brasileira.
A visita incluiu reunião bilateral e expectativa de assinatura de cerca de dez acordos em áreas estratégicas.
Fontes oficiais confirmam a continuidade da agenda com visitas a estandes brasileiros e diálogos sobre neoindustrialização. Detalhes adicionais sobre acordos assinados devem ser divulgados nos próximos dias pelo Planalto e pelo governo alemão.
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FAQ Rápido
Por que o Brasil é país parceiro da Hannover Messe 2026?
Trata-se da maior participação brasileira em feiras internacionais, com cerca de 440 empresas, refletindo confiança na capacidade inovadora da indústria nacional.
O que Lula defendeu sobre o acordo Mercosul-UE?
A transformação da vigência provisória em permanente, com maior engajamento do setor privado europeu para superar resistências.
Qual o impacto dos biocombustíveis brasileiros segundo o discurso?
Redução de até 99% nas emissões em caminhões, com potencial para auxiliar a descarbonização europeia sem comprometer a segurança alimentar.
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