📷 Presidente Lula conversa com o governador interino do Estado do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, durante visita à Carreta da Saúde da Mulher, na Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz), no campus de Manguinhos, na Zona Norte do Rio de Janeiro |•| Foto: Imagem reprodução / Lula/YouTube |•| ARTE URBS MAGNA
| Rio de Janeiro (RJ)
17 de julho de 2026
Ao lado do governador interino do Estado do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, o presidente Lula recorreu a uma metáfora sobre o primeiro choro de um recém-nascido para explicar-lhe por que ninguém escapa da política, mesmo sem nunca ter disputado uma eleição.
A fala ocorreu durante evento na Fiocruz, em Manguinhos, e reforça o apoio do governo federal à gestão interina do desembargador no comando do estado.
Após Couto afirmar em discurso que não tem o dom do discurso porque não é político, Lula afirmou que todo indivíduo nasce político, comparando o choro de um bebê ao pedir o peito da mãe ao primeiro gesto de reivindicação da vida adulta.
Na sequência, disse ao governador que, mesmo sendo magistrado de carreira, sem vínculo partidário e sem nunca ter pedido um voto, ele carrega hoje uma expectativa popular que poucos políticos eleitos conquistaram.
“Nunca teve um político eleito que criou a expectativa que esse povo tem em Vossa Excelência”, disse o presidente, segundo o registro do evento.
O tom, ainda que informal, reforça observações já feitas por Lula durante a mesma agenda na capital fluminense.
O estadista chegou a comparar a recepção calorosa a Couto com o desgaste da gestão estadual anterior, afirmando que o “ex-governador não seria aplaudido” do mesmo jeito.
O recado sobre milícia
O apelo mais direto do presidente veio na forma de um pedido para que Couto aja com firmeza contra o crime organizado no estado, sem temer resistência política.
“Faça o que tiver que ser feito, não tenha medo, não se assuste”, disse Lula (assista abaixo), prometendo apoio irrestrito do governo federal em qualquer medida necessária para o que chamou de moralização do estado.
A fala reforça o que o presidente já havia dito mais cedo no mesmo evento: que o governo federal está disposto a ajudar o Rio de Janeiro no combate às milícias e ao crime organizado, e que a expectativa da população não é de obras, mas de prisões: “as pessoas querem que você trabalhe para prender políticos que fazem parte de uma milícia organizada”.
O discurso, por trás do tom espontâneo e das analogias familiares típicas do estilo de Lula, carrega um recado político objetivo: blindar Ricardo Couto — um magistrado sem vínculo partidário — de qualquer tentativa de deslegitimar sua gestão interina por não ter passado pelo voto popular.
A estratégia de apresentar o desembargador como figura acima da política tradicional, ao mesmo tempo em que promete apoio federal irrestrito a ele, é também uma forma de o governo federal capitalizar politicamente qualquer avanço no combate às milícias fluminenses antes das eleições.
Contexto: uma gestão sem mandato eletivo
Couto assumiu interinamente o Palácio Guanabara em meio a uma crise institucional no estado, e desde então promoveu exonerações em massa e reorganizações em secretarias consideradas estratégicas.
Por não depender de reeleição, Lula argumentou que o governador em exercício tem uma janela rara para tomar medidas impopulares a curto prazo, mas necessárias à segurança pública do estado.
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