Brasil lidera debate global por soberania em minerais críticos e IA inclusiva para transformar recursos naturais em valor agregado e evitar o novo “colonialismo digital“
Brasília, 23 de novembro 2025
“O que está em jogo não é apenas quem detém esses recursos mas quem controla o conhecimento e o valor agregado que deles derivam”, afirmou o Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante discurso na sessão “Um Futuro Justo para Todos“, no encontro da Cúpula do G20, neste domingo (23/nov), em Joanesburgo, na África do Sul, ao defender a industrialização e governança global em debate crucial sobre minerais críticos, inteligência artificial e trabalho decente.

Focado na soberania e na inclusão, o estadista defendeu uma transformação na forma como os países detentores de recursos naturais são vistos e como a tecnologia deve ser governada, marcando o encerramento da terceira e última sessão temática da cúpula.
Minerais Críticos:
Soberania e Valor Agregado
A discussão sobre minerais críticos ganhou destaque, sendo a primeira vez que o G20 apresenta um documento sobre o tema. A urgência do assunto é ressaltada pelo setor de energia, que foi responsável por 85% do crescimento total da demanda por esses minerais em 2024.
Lula foi enfático ao ligar a transição energética e a exploração de recursos à soberania nacional. Ele afirmou que “não há como honrar o compromisso de triplicar o uso de renováveis sem incluí-los”. No entanto, o Brasil não aceita mais ser apenas um fornecedor de matéria-prima.
O presidente destacou que os países com grandes reservas não podem ser vistos “como os meros fornecedores enquanto seguem a margem da inovação tecnológica”. A verdadeira soberania, segundo ele, reside no controle do conhecimento e do valor gerado pelos recursos.
Para garantir que o Brasil se posicione como um “parceiro na cadeia global de Valor de Minerais Críticos” e não apenas exportador, o país criou o Conselho Nacional de Minerais Críticos Estratégicos. O objetivo é atrair investimentos “ambientalmente e socialmente responsáveis” que fortaleçam a base industrial e tecnológica nacional.
Inteligência Artificial e o Risco de Colonialismo Digital
A Inteligência Artificial (IA) foi reconhecida por Lula como um “caminho sem volta” e uma oportunidade única para impulsionar o desenvolvimento e promover práticas sustentáveis. Contudo, essa promessa é ameaçada pela exclusão digital.

O presidente ressaltou o abismo existente: 2,6 bilhões de pessoas não têm acesso ao mundo digital. Enquanto 93% da população em países de renda alta acessam a internet, o percentual cai para apenas 27% nos países de baixa renda.
Para Lula, quando o controle dos algoritmos e dados se concentra em poucas mãos, “a inovação passa a gerar exclusão”. E alertou que “é fundamental evitar uma nova forma de colonialismo digital”.
Diante deste cenário, ele defendeu a urgência de aprofundar o debate sobre a governança da IA, posicionando as Nações Unidas (ONU) como o centro dessa discussão. O Brasil parabenizou a presidência da África do Sul pela iniciativa “Inteligência Artificial para a África” e manifestou prontidão para colaborar com o esforço.
Trabalho Decente e Inclusão Social
A tecnologia deve ser uma força para fortalecer, e não fragilizar, os direitos humanos e trabalhistas. O debate do G20 reforçou o princípio de que “O trabalho decente deve ser o objetivo das nossas ações”.
O presidente Lula destacou que a inclusão social deve ser a marca de toda a cadeia tecnológica, desde o painel solar e o chip até a linha de código.
A preocupação com o impacto da automação é real: 40% dos trabalhadores do mundo estão em funções altamente expostas à Inteligência Artificial, sob risco de automação ou complementação tecnológica.
A solução é criar pontes entre setores tradicionais e emergentes e reforçar a cooperação multilateral.
O Brasil reafirmou o compromisso com os princípios e normas da AIT (Organização Internacional do Trabalho), garantindo que o progresso seja “compartilhado sustentável justo inclusive”.
Após o encerramento da Cúpula do G20 em Joanesburgo, o presidente Lula segue sua agenda em África para uma visita oficial a Maputo, Moçambique.

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