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Lula recebe 1 bilhão € da Alemanha no G20 e defende taxação global dos ricos

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    O Presidente
    O Presidente Lula e o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz / Foto: Bundeskanzler Friedrich Merz/@bundeskanzler/X


    Acordo Brasil-Alemanha garante investimento maciço em fundo climático; Presidente reforça em Joanesburgo urgência em combater a desigualdade extrema e a crise da dívida



     

    Brasília, 22 de novembro 2025

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva marcou presença de destaque na Cúpula de Líderes do G20 em Joanesburgo, na África do Sul, garantindo um importante acordo bilateral e defendendo uma agenda global ousada que coloca a desigualdade extrema como uma emergência planetária.

    O ponto alto da agenda bilateral foi o encontro de Lula com o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, à margem da reunião do G20.

    Em um movimento que reforça o compromisso da Alemanha com o clima, Merz reiterou o apoio à iniciativa brasileira de criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF).

    O chanceler destacou o investimento maciço de 1 bilhão de euros no fundo, que foi lançado durante a COP30 em Belém.

    Além do tema ambiental, os líderes concordaram em fortalecer a relação comercial, social, cultural e tecnológica entre os dois países. Lula confirmou sua presença em Hannover, na Alemanha, em abril do próximo ano, para participar da abertura da maior feira de tecnologia industrial do mundo, onde o Brasil será o país parceiro.

    O presidente também aproveitou a reunião para convidar o chanceler Merz a realizar uma visita de Estado ao Brasil. Os laços entre os países são lembrados desde o início da migração alemã para o Brasil no século XIX.

    O Alerta de Lula:
    Desigualdade como Risco Sistêmico e
    a Taxação Inadiável dos Ricos

    Em seu discurso na sessão “Um Mundo Resiliente – a Contribuição do G20” e em debates sobre crescimento econômico, o presidente Lula focou na necessidade de o fórum tratar os grandes temas da atualidade, mesmo diante de conflitos como na Ucrânia e em Gaza, e da maior crise humanitária dos últimos anos no Sudão.

    A principal tese defendida por Lula é que a desigualdade extrema representa um risco sistêmico para todas as economias, citando que 90% da população mundial vive em países com alta disparidade de rendas.

    Lula afirmou que o debate sobre tributação internacional e taxação dos ricos é inadiável. Ele defendeu que é hora de declarar a desigualdade como uma emergência global e redesenhar as regras e instituições que sustentam as assimetrias.

    O Brasil apoia ativamente a proposta da África do Sul de criação de um painel independente sobre desigualdade, nos moldes do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Crime, uma iniciativa considerada fundamental para a implementação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.

    Contexto

    O tema da desigualdade e do combate à fome não é novo na agenda do Brasil no G20. A urgência em declarar a desigualdade como emergência global se conecta diretamente com a Aliança contra a Fome e a Pobreza, lançada durante a presidência brasileira do G20 no ano passado.

    Esta aliança e a iniciativa sul-africana sobre as dimensões macroeconômicas da segurança alimentar caminham lado a lado na busca por soluções sustentáveis.

    A Crise da Dívida e o Fluxo Negativo de Capital

    Abordando a dimensão financeira da crise global, Lula destacou a questão da dívida dos países do Sul Global como eticamente inaceitável e economicamente insustentável.

    O presidente enfatizou que quase metade da população mundial vive em países que gastam mais com o serviço da dívida do que em saúde ou educação.

    O custo do pagamento do serviço da dívida aumentou para impressionantes R$ 1,4 trilhão por ano, estimativa que circula em algumas análises e relatórios, apesar dados oficiais do Tesouro Nacional e do Banco Central divergirem um pouco, especialmente ao diferenciar o custo total (juros e amortizações) dos gastos apenas com juros.

    Lula ressaltou a existência de um “fluxo de capital negativo que vai dos países do sul para os países ricos do norte global”. Para reverter esse cenário, o G20 deve incentivar a adoção de mecanismos inovadores de troca de dívidas por desenvolvimento e por ação climática.

    O compromisso de Lula e Merz de continuar atuando pelo fortalecimento do multilateralismo e do papel da Organização Mundial do Comércio (OMC) se insere nesse contexto de busca por equilíbrio global.

    Brasil na Troika e a Importância da África do Sul

    O encontro de Joanesburgo é histórico por ser a primeira vez que um país africano sedia a cúpula de chefes de Estado do G20.

    O Brasil possui destaque nesta edição, não só por ter sediado o G20 no ano passado, mas por integrar a troika.

    A troika“Troika” refere-se a um grupo de três pessoas ou entidades, sendo a sua origem um trenó russo puxado por três cavalos, mas o termo é frequentemente usado em política para descrever um comitê ou a associação de três governantes ou figuras com autoridade, em cooperação entre a presidência atual (África do Sul), a anterior (Brasil) e a próxima, que será dos Estados Unidos.

    Em sua participação, Lula também lembrou a filosofia de unidade durante o apartheid que inspirou líderes como Nelson Mandela e Desmonto Touro, reforçando a ideia de que nenhum país tem condições de prosperar em isolamento.

    O presidente ainda participará de sessões sobre redução de riscos de desastres, mudança do clima e transição energética

    A mensagem central é clara: sem o financiamento da Agenda 2030, ela não passará de uma declaração de boas intenções, especialmente quando a ajuda oficial ao desenvolvimento caiu 7%, enquanto os gastos com armamentos aumentaram 9.4%.

    O diálogo global sobre tributação, dívida e clima, simbolizado pelo investimento alemão no TFFF, mostra que as soluções procuradas pelo G20 estão ao redor desta mesa.

     

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.



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