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Presidente exige mais financiamento para o ODS 14 e ações sustentáveis. COP30 em Belém será decisiva – Saiba como o Brasil lidera a agenda azul – SAIBA MAIS
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Mônaco, 08 de junho de 2025
No Dia Mundial do Oceano, o Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fez um apelo contundente por maior financiamento à conservação marinha durante o Blue Economy and Finance Forum (BEFF), realizado no Grimaldi Forum, em Mônaco.
Em seu discurso no Instituto Oceanográfico de Mônaco, Lula destacou a urgência de ações coletivas para proteger os oceanos, criticando a falta de compromisso político global. “O planeta não suporta mais promessas não cumpridas”, afirmou.
Economia Azul: Um Motor Global Subfinanciado
Lula enfatizou a relevância econômica dos oceanos, que movimentam US$ 26 trilhões anualmente, equivalente à quinta maior economia global.
Ele apontou que 80% do comércio internacional e 97% das redes de dados dependem dos mares. Apesar disso, o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14 (ODS 14), focado na conservação marinha, enfrenta um déficit de US$ 150 bilhões por ano.
Segundo o presidente, em 2024, países ricos reduziram a Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD) em 7%, enquanto gastos militares cresceram 9,4%.
Brasil na Vanguarda da Sustentabilidade Marinha
O presidente destacou iniciativas brasileiras, como o programa Bolsa Verde, que beneficia 12 mil famílias pela preservação de áreas marinhas, e a carteira de US$ 17 milhões do BNDES para projetos de economia azul.
“Estamos recuperando manguezais e investindo em pesca sustentável”, disse Lula, reforçando o compromisso do Brasil com a descarbonização naval e a conservação costeira.
COP30 e o Caminho Baku-Belém
Lula criticou os resultados da COP29 em Baku, que ficaram abaixo do esperado, e anunciou o “mapa do caminho Baku-Belém” para avançar nas negociações climáticas na COP30, em Belém, Pará.
Ele também destacou a Cúpula do BRICS no Rio de Janeiro, em julho de 2025, como um marco para o financiamento sustentável, com US$ 2,6 bilhões já investidos pelo Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS em água e saneamento.
BEFF: Mobilizando Recursos para o ODS 14
O BEFF, organizado pela Fundação Prince Albert II, Instituto Oceanográfico de Mônaco, Governo de Mônaco, França e Costa Rica, é preparatório para a UNOC 2025, em Nice (de 9 a 13 de junho).
O evento busca fechar a lacuna de US$ 175 bilhões anuais para a economia azul, com apenas US$ 25 bilhões mobilizados até agora.
Líderes como Prince Albert II, Emmanuel Macron e Rodrigo Chaves Robles participaram, discutindo soluções como títulos de natureza e finanças híbridas.
Chamado por um “Mutirão” Global
Lula usou a palavra indígena “mutirão” para convocar uma mobilização global. “Não há saída isolada para desafios coletivos”, afirmou, cobrando mais ação de bancos multilaterais e desburocratização de fundos climáticos.
Ele também defendeu metas vinculantes da Organização Marítima Internacional para zerar emissões no transporte marítimo até 2050.
Assista ao discurso de Lula e leia a íntegra:
“É um prazer participar deste fórum em Mônaco, no Dia Mundial do Oceano, projetado sob as águas do Mar Mediterrâneo.
O Instituto Oceanográfico de Mônaco é um dos mais antigos e importantes dedicados à pesquisa e à preservação desse bioma. Pelo mar, trafegam mais de 80% do comércio internacional, e os cabos submarinos veiculam 97% das redes mundiais de dados. Se fosse um país, o oceano ocuparia a quinta posição entre as maiores economias do mundo, com um valor anual estimado em 26 trilhões de dólares. Seu leito guarda recursos naturais inestimáveis, e suas águas cumprem a função de principal regulador climático. As grandes migrações e navegações moldaram a história da humanidade através do mar. Pescadores e comunidades tradicionais têm suas vidas entrelaçadas com o oceano.
Contudo, o oceano não recebe o devido reconhecimento pelo que nos proporciona. O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14 (ODD 14), dedicado à conservação e ao uso sustentável dos recursos marinhos, é um dos menos financiados da Agenda 2030. O déficit para sua implementação é estimado em 150 bilhões de dólares por ano. Recursos insuficientes são um problema crônico em várias iniciativas multilaterais.
No ano passado, saímos da COP de Baku com resultados aquém do esperado. Para reverter esse quadro, a presidência brasileira da COP 30 e o Azerbaijão estão construindo o mapa do caminho para Belém. Apesar dos esforços do governo da Espanha, tudo indica que a conferência de Sevilha sobre financiamento para o desenvolvimento enfrentará as mesmas dificuldades. Em 2024, os países ricos reduziram em 7% a assistência oficial ao desenvolvimento, enquanto suas despesas militares cresceram 9,4%. Isso mostra que não falta dinheiro, mas sim disposição e compromisso político para financiar.
Segundo a UNCTAD, países em desenvolvimento dependem mais da economia azul do que as nações industrializadas. A elevação do nível do mar e os eventos extremos em cidades costeiras vitimam sempre os mais vulneráveis. Dos 133 países da América Latina e Caribe, 23 possuem mais território marítimo do que terrestre. A África detém 13 milhões de quilômetros quadrados de território marítimo, equivalente à soma do território continental da União Europeia e dos Estados Unidos. Tornar a economia azul mais forte, diversa e sustentável contribui para a prosperidade do mundo em desenvolvimento.
Na presidência brasileira do G20, fizemos do oceano uma das nossas prioridades. As instituições financeiras internacionais têm um papel central a cumprir. Insistimos na necessidade de bancos multilaterais melhores, maiores e mais eficazes. Instrumentos como a troca de dívida por desenvolvimento e a emissão de direitos especiais de saque podem mobilizar recursos valiosos. É urgente desburocratizar o acesso a fundos climáticos.
Os esforços multilaterais, como a terceira Conferência das Nações Unidas para o Oceano, que começa amanhã em Nice, são extremamente importantes. A adoção, pela Organização Marítima Internacional, de metas vinculantes para zerar as emissões de carbono na navegação até 2050 promete multiplicar a demanda por energias renováveis. Essa decisão histórica reduzirá a dependência global de combustíveis fósseis, acelerando a transição justa. Ainda falta concluir um instrumento vinculante para acabar com a poluição por plástico nos oceanos e avançar na ratificação do novo tratado para a biodiversidade em águas internacionais.
A Cúpula dos BRICS no Rio de Janeiro, no próximo mês, será um marco na defesa do desenvolvimento sustentável. O Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS expandiu seu foco em financiamento climático, tendo desembolsado mais de 2,6 bilhões de dólares para água e saneamento.
No Brasil, apostamos na combinação de investimentos públicos e privados. Nosso programa Bolsa Verde transfere renda para mais de 12 mil famílias que ajudam a preservar unidades de conservação marinha. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) conta com uma carteira de mais de 17 milhões de dólares dedicada à economia azul. Financiamos projetos de planejamento espacial marinho, conservação costeira, descarbonização da frota naval e infraestrutura portuária. Estamos recuperando manguezais e recifes de coral, investindo na pesca sustentável e na gestão de recursos hídricos. A taxonomia de finanças sustentáveis brasileiras orientará investimentos privados em atividades que contribuam para objetivos socioambientais, incluindo o uso sustentável de recursos marinhos.
No Brasil, quando queremos mobilizar esforços em torno de um objetivo comum, utilizamos uma palavra de origem indígena: mutirão. Este fórum renova a convocatória para o aumento dos compromissos financeiros com o oceano. O planeta não suporta mais promessas não cumpridas. Não há saída isolada para os desafios que requerem ação coletiva. Ou agimos, ou o planeta corre risco.
Muito obrigado”.
LEIA MAIS APÓS OS ANÚNCIOS
O Blue Economy and Finance Forum (BEFF) é um evento internacional realizado em Mônaco, nos dias 7 e 8 de junho de 2025, no Grimaldi Forum, como parte da preparação para a Conferência das Nações Unidas para o Oceano (UNOC) em Nice (9-13 de junho de 2025).
Organizado pela Fundação Prince Albert II de Mônaco, o Instituto Oceanográfico de Mônaco e o Governo de Mônaco, com apoio da França e da Costa Rica, o BEFF é um evento especial da UNOC focado em promover uma economia azul sustentável e regenerativa, alinhada ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14 (ODD14), que visa conservar e usar de forma sustentável os oceanos, mares e recursos marinhos.
Objetivos Principais
O BEFF tem como meta mobilizar investimentos públicos, privados e filantrópicos para a preservação dos oceanos, com foco em:
- Investir na Preservação e Resiliência dos Oceanos: Estimular o desenvolvimento de um mercado de capitais para o oceano, com investimentos estimados em até 100 bilhões de dólares, especialmente em países costeiros em desenvolvimento e Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS).
- Financiar a Economia Azul: Promover instrumentos financeiros inovadores, como títulos de natureza e seguros multiparamétricos, que reduzam riscos e atraiam capital para projetos de conservação e sustentabilidade.
- Inovação em Governança e Financiamento Oceânico: Desenvolver políticas e mecanismos de governança para apoiar investimentos sustentáveis, incentivando colaboração entre governos, organizações internacionais e setor privado.
Estrutura do Evento
O fórum é estruturado em quatro temas principais, abordados em sessões plenárias:
- Catalisando Finanças para Conservação de Ecossistemas: Explora soluções financeiras para conservação de áreas marinhas protegidas e restrições de pesca, com exemplos de projetos locais escaláveis.
- Financiamento de Programas de Conservação Transfronteiriços: Foca em soluções para conservação que cruzam fronteiras, como créditos de biodiversidade e financiamento de longo prazo.
- Unindo Forças com Finanças Híbridas: Discute como combinar recursos públicos, privados e filantrópicos para projetos bem-sucedidos.
- Navegando para um Futuro Livre de Combustíveis Fósseis e Financiando Adaptação: Aborda a descarbonização do transporte marítimo e adaptação de infraestruturas.
Além das plenárias, o evento inclui:
- Solution Hubs: Sete sessões paralelas sobre temas como áreas marinhas protegidas, algas, pesca sustentável e plásticos.
- Blue Innovation Hall: Exposição de tecnologias e soluções inovadoras para a economia azul.
- Eventos paralelos: Oportunidades de networking e parcerias, como a iniciativa do cultivo de algas marinhas e a exibição do filme “Ocean with David Attenborough”.
Participantes e Palestrantes
O BEFF reúne líderes globais, incluindo:
- Pascal Lamy, ex-Diretor-Geral da OMC, e Ilana Seid, Representante Permanente de Palau na ONU, como co-presidentes.
- Christine Lagarde, Presidente do Banco Central Europeu, destacando oportunidades econômicas da economia azul.
- Costas Kadis, Comissário Europeu para Pesca e Oceanos, e Arsenio Dominguez, Secretário-Geral da Organização Marítima Internacional.
- Chefes de Estado como Prince Albert II de Mônaco, Emmanuel Macron (França) e Rodrigo Chaves Robles (Costa Rica).
- Especialistas de organizações como IUCN, Nature Conservancy, e bancos de desenvolvimento (ADB, IDB).
Impacto Esperado
O BEFF busca fechar a lacuna de financiamento para a economia azul, estimada em 175 bilhões de dólares anuais, dos quais apenas 25 bilhões foram mobilizados até agora.
O evento promove parcerias concretas, anuncia novos projetos e prepara o terreno para o “Plano de Ação de Nice para o Oceano” na UNOC 2025, incentivando ações práticas para a saúde dos oceanos e o crescimento econômico sustentável.












