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| Brasília (DF)
08 de julho de 2026
O governo brasileiro, sob a administração de Luiz Inácio Lula da Silva, publicou portaria autorizando a expulsão do suposto espião russo Sergey Vladimirovich Cherkasov após o cumprimento de sua pena.
A decisão, veiculada no Diário Oficial da União em segunda-feira (6/jul), reforça a capacidade do Estado de lidar com ameaças à soberania nacional e à democracia em um cenário de disputas globais por influência.
A portaria determina que Cherkasov, preso desde 2022 e condenado por uso de documentos falsos, seja deportado para a Rússia e impedido de retornar ao Brasil por 30 anos, segundo a BBC News Brasil.
A medida só será executada após o fim da pena ou decisão judicial, conforme apurado pela Polícia Federal e órgãos de inteligência internacionais.
Investigações da Polícia Federal, do FBI e de autoridades holandesas identificam Cherkasov como agente do GRU, serviço de inteligência militar russo.
Ele vivia no Brasil com a identidade falsa de Victor Muller Ferreira, supostamente nascido no Rio de Janeiro em 1989.
Preso em Amsterdã em abril de 2022 ao tentar ingressar na Holanda com documentos falsos, foi devolvido ao Brasil e condenado inicialmente a 15 anos — pena reduzida posteriormente.
O Brasil serviu, por anos, como berçário de espiões russos “ilegais”. Esses agentes adotavam identidades completas brasileiras — com certidões de nascimento autênticas obtidas de forma irregular, hobbies locais como aulas de forró e relacionamentos — para depois atuar em outros países.
Segundo relatos do The New York Times, pelo menos nove supostos agentes russos usaram o país como base para forjar credenciais sólidas antes de missões na Europa e nos Estados Unidos.
Segundo as informações, o intermediário no esquema de documentos foi um funcionário de cartório em São Paulo, que recebeu um colar como pagamento por “esquentar” a certidão.
Não há indícios de que o funcionário soubesse da atividade de espionagem. Cherkasov nega ser espião, mas admite o uso de identidade falsa.
O caso também evidencia vulnerabilidades no sistema de emissão de documentos, que precisam ser enfrentadas para proteger a soberania nacional.
A Polícia Federal mapeou outros agentes russos que atuaram no Brasil, como Mikhail Mikushin (preso na Noruega e incluído em troca de prisioneiros) e Artem Shmyrev (desaparecido em 2023).
A Rússia nunca confirmou publicamente o envolvimento de seus cidadãos em espionagem, mas incluiu um deles em uma troca de prisioneiros com os Estados Unidos.
A portaria representa um passo importante na afirmação da autonomia brasileira em matéria de política externa e segurança.
Fontes da inteligência brasileira destacam que o Brasil foi escolhido pela Rússia por sua neutralidade em conflitos, população miscigenada e fragilidades pontuais no controle cartorial — fatores que facilitavam disfarces de longo prazo.
FAQ Rápido
O que é o caso de Sergey Cherkasov?
Sergey Vladimirovich Cherkasov é um russo preso no Brasil desde 2022, condenado por documentos falsos e apontado pela Polícia Federal e FBI como agente do GRU. O governo Lula autorizou sua expulsão após o cumprimento da pena.
Por que o Brasil foi usado como ‘berçário’ de espiões russos?
O país oferecia documentos brasileiros autênticos obtidos irregularmente, neutralidade internacional e facilidade para criar identidades completas com hobbies e relacionamentos locais, segundo investigações da Polícia Federal e reportagens da BBC News Brasil.
Quando a expulsão de Cherkasov vai acontecer?
A portaria publicada em segunda-feira (6/jul) prevê a deportação somente após o cumprimento da pena atual ou decisão judicial. Não há data definida para a execução.
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