“Se soltar, mai morder alguém“, afirmou o Presidente, em resposta a jornalista da TV ARATU (BA) sobre veto ao PL da Dosimetria: “Ele tentou me matar” – Leia mais sobre essa entrevista
Brasília (DF) · 07 de fevereiro de 2026
Presidente Lula: Você acha que se você tiver um cachorro louco preso e você soltar ele, ele vai estar mais manso?
Entrevistador: No caso, o “cachorro louco” seriam aqueles que atacaram…
Presidente Lula: Ele vai vir e vai morder alguém. O que que acontece? Esse cidadão, esse cidadão tentou destruir a democracia brasileira. Esse cidadão, que sabe que foi condenado a 27 anos e 3 meses de cadeia, esse cidadão tinha um plano para matar o Lula, para matar o Alckmin e para matar o Alexandre de Moraes.
Entrevistador: Deu tudo no inquérito da Polícia Federal…
Presidente Lula: Então, esse cidadão — e não foi ninguém da oposição que denunciou, foram os comparsas deles que delataram ele. Isso está nos documentos, está no telefone, está nas delações. Então veja: você acaba de condenar, no dia seguinte alguém aprova uma lei para liberar os caras, para diminuir as penas?
Entrevistador: Se derrubarem o veto, acontece o quê?
Presidente Lula: É problema do Congresso Nacional. Eu fiz a minha parte. O Congresso fez a dele, aprovou, eu sei as condições em que isso foi discutido, sabe? Eu fiz o meu papel. Eu vetei porque não concordo. Esse cidadão tem que ficar preso. Ah, um belo dia pode ter uma anistia para eles, sabe como teve depois de 1964, dez anos depois ou quinze anos depois. Ou seja, mas não dá para você brincar de fazer julgamento. Se você liberta ele, você desmoraliza a seriedade da Suprema Corte que o condenou.
Em entrevista exclusiva concedida ao jornalista Pablo Reis no programa Linha de Frente da TV Aratu, em Salvador, na sexta-feira (06/fev), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou uma agenda ousada para a Bahia e o Brasil, com foco em saúde pública, combate à violência contra a mulher, segurança pública e projeções políticas para 2026.
A conversa contou com a presença do governador Jerônimo Rodrigues, do ministro Rui Costa, do senador Otto Alencar e do senador Jaques Wagner.
Lula expressou sua forte ligação com o povo baiano, afirmando: “É com muito prazer que eu venho mais uma vez à Bahia e você sabe que toda vez que eu venho à Bahia eu conto sempre um caso a minha relação com o povo da Bahia é tão forte que eu acho que em uma outra encarnação eu nasci na Bahia”.
Ele elogiou o modelo das policlínicas regionais, iniciado nos governos Jaques Wagner e Rui Costa, e anunciou a ampliação efetiva com recursos federais.
Entre os principais anúncios na área da saúde estão:
♦ Construção de oito novas policlínicas regionais, com investimento de R$ 240 milhões em parceria com o governo estadual;
♦ Implantação de 11 centros de radioterapia em diferentes municípios, equipados com tecnologia de ponta, para garantir ao povo mais humilde o mesmo padrão de tratamento oncológico disponível a líderes como Trump nos Estados Unidos;
♦ Funcionamento das policlínicas aos sábados e domingos para realização de exames como tomografia, ultrassom e ressonância;
♦ Entrega de equipamentos especializados para 130 unidades básicas de saúde em 402 municípios baianos;
♦ Recordes nacionais: mais de 14 milhões de cirurgias eletivas realizadas pelo SUS em 2025;
800 vans odontológicas equipadas com escaneamento 3D para confecção de próteses dentárias diretamente nas comunidades;
♦ 150 unidades móveis para mamografias e exames preventivos de câncer de mama.
O presidente criticou as filas históricas na regulação e prometeu rapidez no atendimento: “O povo vai ser tratado com muita rapidez”.
Ele exemplificou o problema atual: “Aí a secretária vai lá no computador e fala pro paciente: ‘Olha daqui 11 meses’… mas a doença nem sempre espera”.
No combate ao feminicídio, Lula reforçou o lançamento do Pacto Nacional contra a Violência contra a Mulher, que reúne o Supremo Tribunal Federal, o Congresso Nacional e o Executivo.
Com 1.470 casos registrados no país em 2025 e 103 na Bahia, ele defendeu delegacias da mulher com funcionamento 24 horas, ampliação de casas de acolhimento e engajamento ativo dos homens. “É uma luta de todos nós”, declarou, sugerindo que pastores, padres, dirigentes sindicais e políticos iniciem discursos condenando a violência contra a mulher.
Propôs ainda educação para igualdade de gênero desde a creche e combate ao assédio nas redes sociais.Sobre segurança pública, o presidente defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública para redefinir o papel da União, criar um ministério específico e ampliar o orçamento federal, incluindo a duplicação do quadro de delegados da Polícia Federal e o fortalecimento da Guarda Nacional para intervenções quando solicitadas pelos governadores.
Ele citou a infiltração de facções no mercado financeiro e operações como a Carbono Oculto, além da apreensão de 250 milhões de litros de gasolina de um contraventor baseado em Miami. “É porque nós chegamos nos magnatas da corrupção”, afirmou, criticando a autonomia excessiva conferida aos estados pela Constituição de 1988.
Lula manteve a posição sobre o veto ao PL da Dosimetria, que reduziria penas de condenados por atos golpistas de 8 de janeiro.
Ele mencionou explicitamente o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses por planos que incluíam assassinatos de autoridades, inclusive ele próprio: “Você acha que se você tiver um cachorro louco preso e você solta ele ele vai estar mais manso?”.
Argumentou que a medida desmoralizaria o Supremo Tribunal Federal e reiterou: “Fiz minha parte”, aceitando que o Congresso possa derrubar o veto.
O presidente destacou a forte presença baiana no governo federal — a chamada “república do axé” —, citando os ministros Rui Costa (Casa Civil), Margareth Menezes (Cultura), Wellington César Lima e Silva (Justiça) e Sydônio Palmeira (Secretaria de Comunicação), além dos senadores Jaques Wagner e Otto Alencar.
Ele manifestou satisfação com a gestão de Jerônimo Rodrigues, a quem chamou de “uma novidade fantástica no Brasil”, e elogiou os avanços em saúde, educação e infraestrutura via Novo PAC.
Na economia, celebrou indicadores históricos: 104 milhões de pessoas na população economicamente ativa, maior massa salarial da história, exportações de US$ 348 bilhões, recorde de investimentos diretos na bolsa e crescimento projetado acima de 3% em meio à estagnação global.
Sobre política internacional, Lula confirmou viagem aos Estados Unidos em março para diálogo direto com Donald Trump, defendendo a neutralidade brasileira, a paz e a busca por soluções equilibradas para o conflito em Gaza.
Encerrando a conversa, Lula classificou 2026 como “o ano da verdade”, prometendo comparações detalhadas entre os governos anteriores e o atual em todas as áreas, para que a população possa distinguir “mentira da verdade”.
Após a entrevista, o presidente visitou as Obras Sociais Irmã Dulce, em Salvador, onde assinou atos para reforçar o SUS na instituição, incluindo aquisição de equipamentos para cirurgias robóticas e endoscopias.

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