O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conversam com ajuda de um intérprete, na Malásia |26.10.2025| Foto: Daniel Torok / Casa Branca
Brasília (DF) 04 de maio de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarca nesta quarta-feira (6/abr) nos Estados Unidos para um encontro de alto escalão com o presidente Donald Trump.
A reunião está marcada para quinta-feira (7/abr) em Washington, na Casa Branca, e marca a retomada oficial da agenda bilateral após semanas de ruídos diplomáticos.
A viagem, inicialmente prevista para março, foi adiada devido à escalada do conflito no Oriente Médio envolvendo EUA, Israel e Irã.
Na ocasião, Lula criticou abertamente a postura belicista de Trump, afirmando que o republicano “não tem o direito de acordar de manhã e ameaçar um país”.
Apesar do tom duro, a necessidade de diálogo prevaleceu, e a visita foi confirmada por fontes do governo brasileiro à Reuters nesta segunda-feira (4/abr).
O que está em jogo na mesa
O encontro vai muito além do protocolo. Lula chega a Washington pressionado por resultados. Do ponto de vista econômico, a prioridade é discutir o impacto do “tarifaço” — as barreiras impostas por Trump a produtos brasileiros, especialmente o aço e o alumínio.
O vice-presidente Geraldo Alckmin já havia sinalizado que “esse aumento massivo de tarifas não tinha sentido” para a relação comercial.
Além das pautas comerciais, fontes do Palácio do Planalto indicam que serão debatidas parcerias estratégicas para exploração de terras raras e minerais críticos, essenciais para a indústria de tecnologia e transição energética, setores nos quais o Brasil detém reservas significativas.
Crise diplomática superada?
A reunião “olho no olho”, como definiu o próprio Lula em conversa telefônica com Trump em 26 de janeiro, também servirá para enterrar o mal-estar recente causado pelo caso Alexandre Ramagem.
O ex-deputado e ex-diretor da Abin, cassado e condenado pelo STF por envolvimento em trama golpista, foi detido pelo serviço de imigração americano (ICE) em abril.
O episódio gerou um impasse que resultou na expulsão mútua de autoridades — um delegado da Polícia Federal brasileira foi expulso dos EUA, e um agente americano teve suas credenciais cassadas no Brasil.
A expectativa é que os líderes coloquem uma “pedra” sobre esse episódio para retomar a cooperação institucional.
Segurança e democracia na pauta
A cooperação no combate ao crime organizado transnacional é outro ponto central. Enquanto o governo brasileiro busca ajuda técnica e operacional, resiste à pressão americana para classificar facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas — uma chancela que Brasília considera uma escalada perigosa.
Para Lula, a viagem também é um movimento estratégico de projeção internacional, em um momento em que enfrenta desgastes internos no Congresso Nacional. Reafirmar a democracia e a capacidade de diálogo com líderes de espectros opostos é um trunfo do petista.
O encontro desta quinta-feira (7/abr) será o terceiro entre os dois em menos de um ano, sendo o segundo em solo americano, depois da rápida passagem pela Assembleia Geral da ONU em setembro de 2025 e da reunião na Malásia durante a cúpula da Asean.
FAQ Rápido
Por que a visita de Lula aos EUA foi adiada?
A visita, originalmente prevista para março, foi adiada devido à escalada das tensões no Oriente Médio. O presidente Lula criticou os ataques dos EUA e de Israel ao Irã, o que tornou o ambiente político delicado para uma reunião naquele momento.
O que Lula e Trump vão discutir na Casa Branca?
A pauta principal inclui a revisão das tarifas de importação (tarifaço), cooperação em segurança pública contra o crime organizado, parcerias para exploração de terras raras e a situação geopolítica da Venezuela.
A crise envolvendo Alexandre Ramagem ainda afeta a relação?
O caso gerou um impasse diplomático em abril, com expulsão de autoridades de ambos os países. No entanto, a realização da reunião sinaliza que os dois governos desejam superar esse episódio para focar em pautas comerciais e estratégicas.
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