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Lula e Putin reforçam aliança estratégica em Moscou: um novo capítulo para Brasil e Rússia

    Lula e Putin reforçam aliança estratégica em Moscou: um novo capítulo para Brasil e Rússia


    Luiz Inácio Lula da Silva e Vladimir Putin | 9.5.2025 |Alexander Shcherbak/TASS


    Encontro no Kremlin sinaliza retomada de cooperação em defesa, energia e espaço, com críticas ao protecionismo e defesa da paz na Ucrânia – SAIBA MAIS

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    Moscou, 09 de maio de 2025

    Em uma visita histórica a Moscou, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com o presidente russo Vladimir Putin no Kremlin para reacender a parceria estratégica entre Brasil e Rússia.

    Em postagem no X, Lula detalhou os avanços do encontro bilateral, destacando a retomada de mecanismos de cooperação e a intenção de expandir o comércio bilateral, além de abordar questões globais como o protecionismo econômico e a guerra na Ucrânia.

    A reunião, que marcou a primeira visita de Lula à Rússia em 15 anos, sinaliza um esforço para fortalecer laços em áreas estratégicas, em um momento de tensões geopolíticas globais.

    Retomada da Comissão Bilateral e Expansão Comercial

    Lula anunciou a reativação da Comissão Brasileiro-Russa de Alto Nível de Cooperação, que não se reunia desde 2015, como um passo para intensificar o diálogo estratégico.

    Ele destacou o potencial de crescimento do comércio bilateral, atualmente em US$ 12 bilhões, afirmando: “Nosso comércio de pouco mais de 12 bilhões de dólares pode ser bastante ampliado”.

    Segundo a Reuters, Lula expressou otimismo sobre o aumento das trocas comerciais, mencionando interesses em setores como cultura, ciência e tecnologia.

    A agência também informou que o presidente brasileiro propôs cooperação em projetos de usinas nucleares de pequeno porte, uma área de interesse estratégico para o Brasil, que busca diversificar sua matriz energética.

    Cooperação em Defesa, Espaço e Energia

    O presidente brasileiro sinalizou interesse em parcerias em setores de alta tecnologia e segurança. “Temos interesse em discutir a área de defesa, a área espacial, a área científico-tecnológica, de educação e, sobretudo, a questão energética”, escreveu Lula.

    De acordo com o The Moscow Times, Lula ofereceu ampla cooperação em energia nuclear, defesa e espaço.

    Essa proposta alinha-se com os interesses russos, que possuem expertise em tecnologias nucleares e espaciais.

    Além disso, as negociações incluíram acordos em infraestrutura energética, fertilizantes e urânio, reforçando a parceria no âmbito dos BRICS.

    Críticas ao Protecionismo e Defesa do Multilateralismo

    Lula também abordou preocupações com o avanço do protecionismo econômico, criticando as políticas comerciais do presidente dos EUA, Donald Trump.

    Ele escreveu: “Também discutimos o avanço do protecionismo econômico e a necessidade de fortalecermos o multilateralismo”.

    Lula condenou as tarifas impostas por Trump, argumentando que elas prejudicam o livre-comércio e o multilateralismo.

    Essa crítica reflete a posição do Brasil em defender instituições globais como a OMC, em um contexto de crescente fragmentação econômica.

    Compromisso com a Paz na Ucrânia

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    No campo diplomático, Lula reiterou o compromisso do Brasil com a resolução pacífica do conflito na Ucrânia, destacando: “Reiterei ao presidente Putin o compromisso do Brasil com a paz e a disposição de atuarmos junto com a China e o Grupo de Países Amigos numa solução para a Guerra na Ucrânia.

    A proposta brasileira de mediação, em conjunto com a China, busca oferecer uma alternativa às negociações lideradas pelo Ocidente, embora detalhes sobre o “Grupo de Países Amigos” não tenham sido esclarecidos no texto de Lula.

    Contexto Geopolítico e Implicações

    A visita de Lula ocorre em um momento delicado, com a Rússia enfrentando sanções ocidentais devido à guerra na Ucrânia e buscando aliados entre países do Sul Global.

    A Al Jazeera informou que Putin anunciou um cessar-fogo unilateral de 72 horas para o Dia da Vitória, rejeitado pela Ucrânia, que exige uma trégua mais longa.

    A postura de Lula, de buscar diálogo com a Rússia enquanto defende a paz, reflete a política externa brasileira de não alinhamento, mas pode gerar críticas de aliados ocidentais.

    Além disso, a cooperação em áreas sensíveis como defesa e energia nuclear exige cautela, dado o escrutínio internacional sobre as ações russas.

    O encontro entre Lula e Putin marca um novo capítulo na relação Brasil-Rússia, com potencial para impulsionar o comércio e a cooperação tecnológica, mas também levanta questões sobre o equilíbrio geopolítico do Brasil.

    Ao criticar o protecionismo e defender o multilateralismo, Lula reforça a posição do país como mediador global, enquanto sua proposta de mediação na Ucrânia busca projetar influência diplomática.

    A retomada da Comissão Brasileiro-Russa será crucial para concretizar essas ambições, mas os resultados dependerão de negociações complexas em um cenário internacional polarizado.

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