Após participar, na Guiana, como convidado especial do encerramento da 46ª Cúpula de Chefes de Governo da Comunidade do Caribe, o estadista afirmou que não irá discutir com o Presidente da Venezuela a disputa histórica pela região de Essequibo
O Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), anunciou que se encontrará com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante uma reunião que acontecerá nesta sexta-feira (1º/2), em São Vicente e Granadinas – país paradisíaco ao sul do Caribe, composto por uma ilha principal e várias outras ilhas menores.
“Após agendas produtivas na Guiana, chego a São Vicente e Granadinas para a 8ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, a CELAC. Momento de conversar com os países da nossa região sobre os desafios e oportunidades da integração“, afirmou o estadista em suas redes sociais, nesta quinta-feira (29/2), às 18h14, quando aproveitou para agradecer publicamente, “pela ótima recepção“, o primeiro-ministro vicentino Ralph Everard Gonsalves.
Segundo a AFP, o anúncio do encontro com Maduro foi feito após uma reunião de Lula com o presidente da Guiana, Irfaan Ali, quando o estadista afirmou que não irá discutir com o venezuelano a disputa histórica pela região de Essequibo – território rico em petróleo e minério sob jurisdição de Georgetown e reivindicado por Caracas.
“O presidente da Guiana sabe, assim como o presidente Maduro, que o Brasil está disposto a conversar com eles na hora em que for necessário, porque nós queremos convencer as pessoas de que é possível, através de muito diálogo, encontrar a manutenção da paz. Não vou discutir com o presidente Maduro essa questão, porque a reunião não é para isso. Vou discutir a CELAC”, disse o Presidente do Brasil.
A tensão entre Venezuela e Guiana aumentou no fim de 2023, despertando o temor de um conflito armado na região, quando chegou um navio de guerra britânico a águas guianesas. Caracas viu a manobra como uma provocação e mobilizou mais de 5.600 homens em exercícios militares perto da fronteira em disputa.
Em 9 de janeiro, uma reunião em Georgetown, entre Irfaan Ali e o vice-secretário adjunto de Defesa dos Estados Unidos para o Hemisfério Ocidental, Daniel Erikson, não foi vista com bons olhos por Maduro, que esteve com o presidente da Guiana em 14 de dezembro, em São Vicente e Granadinas, em uma primeira tentativa de reduzir a tensão.
No fim de janeiro, Brasília recebeu os chanceleres dos dois países para discutir a crise. As tensão diminuiu após essa reunião, mas voltou a aumentar neste mês, depois que a empresa ExxonMobil anunciou a perfuração de dois poços em águas disputadas.
Diante dessa disputa, a Venezuela apela à vigência do acordo de Genebra, assinado em 1966, antes de a Guiana se tornar independente do Reino Unido, que lançava as bases para uma solução negociada e anulava uma sentença de 1899, que estabeleceu as fronteiras que a Guiana pede à Corte Internacional de Justiça (CIJ) que ratifique.
Na capital guianense, Lula participou como convidado especial do encerramento da 46ª Cúpula de Chefes de Governo da Comunidade do Caribe (Caricom), juntamente com os dirigentes dos 15 países que compõem o bloco.
Lula desejou uma integração maior com a Guiana e disse que “a estratégia” do Brasil é, além de contribuir para o desenvolvimento, trabalhar para manter a América do Sul como uma região de paz: “Não precisamos de guerras”.
Agora, em Kingstown, Lula participará da reunião do bloco criado em 2010.
