Peça recuperada via negociações da diplomacia brasileira está no Museu Nacional – UFRJ, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, onde aguarda preparação do local para visitação pública – A raridade foi levada do País no século XVI
Lula durante cerimônia de celebração do retorno do Manto Tupinambá ao Brasil, no Museu Nacional | Ricardo Stuckert/PR
O Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a Primeira-Dama, Janja Lula Silva, e a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, estiveram, nesta quinta-feira (12/9), na biblioteca do Museu Nacional – UFRJ, na Quinta da Boa Vista, no bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro (RJ), onde está armazenado, desde julho do ano passado, o Manto Tupinambá – obra produzida com penas vermelhas de aves guará e fibra vegetal, confeccionadas nos séculos XVI e XVII para utilização em cerimônias e rituais.
O estadista concedeu uma rápida fala a jornalistas sobre a visita, que foi seguida de uma celebração: “Para nós é uma obra artística de rara beleza, mas para os tupinambás é uma entidade. Ele está no Museu Nacional, mas eu espero que todos compreendam que o lugar dele não é aqui. Tenho certeza que vamos ter a compreensão do nosso governador da Bahia, que me disse que é tupinambá também. Ele tem a obrigação e o compromisso histórico de construir na Bahia um lugar que possa receber esse manto e preservá-lo para não venha a estragar”, disse Lula, que deseja atender um pedido feito por indígenas.
A visitação da arte indígena só será possível a partir de 2026, quando o local for reaberto. Apesar disso, uma celebração do retorno a obra ao Brasil, após três séculos, foi realizada no espaço carioca, onde o Presidente também discursou: “Eu penso que o momento de hoje é sumamente extraordinário para que a gente reflita sobre o que acontece no nosso Brasil desde a descoberta desse país, em 1500, com os indígenas. O retorno desse ancião representa a retomada de uma história que foi apagada, uma história que precisa ser contada e preservada“.
Os tupinambás já haviam publicado, na última segunda-feira (9/9), um manifesto em que pediram para que o manto retorne à Bahia, lembra a redação do Correio Braziliense. O estado é a terra de origem. Para o retorno, como Lula afirmou, é necessário ter um local com a infraestrutura de cuidados que o manto necessita, já que tem cerca de 400 anos de idade.
História
O Manto Tupinambá estava no Museu Nacional da Dinamarca, onde permaneceu por 335 anos. O retorno ao Brasil ocorreu em julho do ano passado e foi fruto da cooperação entre instituições dos dois países, incluindo o Ministério das Relações Exteriores e os respectivos museus nacionais, além de lideranças tupinambás.
A peça de 1,20 metro de altura e 80 centímetros de largura é confeccionada com penas de aves guarás e também plumas de papagaios, araras azuis e amarelas. Ela teria sido levada à Europa por holandeses, por volta de 1644, e foi doada aos dinamarqueses em 1689, que detém outros quatro mantos como esse em acervo. Há ainda outras peças como essa na Itália, Suíça, Bélgica e Dinamarca.
Desde que chegou ao Brasil, o manto está em uma sala da Biblioteca Central do Museu Nacional preparada para garantir a sua preservação. Nesta semana, foi permitido que cerca de 170 tupinambás fossem ao local para ver o artefato, assim como o presidente da república fez hoje. No entanto, o público geral só poderá ver a peça a partir de 2026, quando o museu será reaberto.
