Em resposta, o estadista elogiou Droupadi Murmu por ela ser a segunda mulher e primeira de origem indígena a presidir a nação mais populosa do mundo e citou Cecília Meireles
Nova Délhi (IN) · 22 de fevereiro de 2026
A Presidente da Índia Droupadi Murmu recebeu com honras de Estado o Presidente da República Federativa do Brasil, Excelentíssimo Senhor Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante banquete oferecido no palácio presidencial indiano Rashtrapati Bhavan, no sábado (21/fev), como agenda integrante da visita oficial do estadista ao país asiático.
Ela destacou a força da parceria estratégica entre Brasil e Índia no Sul Global e exaltou a trajetória de luta política do chefe do Executivo federal brasileiro, que foi saudado no jantar durante sua sexta visita ao país, celebrando os 20 anos da Parceria Estratégica Brasil-Índia, bem como o potencial de aprofundamento da cooperação bilateral.
Droupadi Murmu iniciou sua fala reconhecendo a trajetória inspiradora de Lula, que partiu de origens humildes e dificuldades na “juventude para ascender à mais alta magistratura brasileira”.
“Sua vida é fonte de inspiração para milhões”, enfatizou, destacando como as adversidades o ensinaram a compreender o sofrimento popular e a lutar pelos direitos sem jamais desistir.
Ela sublinhou que Lula representa a força da voz popular na democracia, ao subir “do chão de fábrica ao mais alto cargo“.
A líder indiana descreveu o encontro não apenas como diálogo entre dois países, mas como celebração entre “velhos amigos” unidos por laços que atravessam o Atlântico e o Índico.
Ela ressaltou a parceria estratégica crescente, com liderança conjunta em bioenergia, energia limpa e sustentável, além de atuação coordenada no G20 e nos BRICS para amplificar a voz do Sul Global.
“Hoje, em um mundo complexo e incerto, a relação Brasil-Índia representa um pilar de estabilidade e paz“, afirmou, defendendo reformas em instituições globais para refletir realidades atuais.
A fala também evocou afinidades culturais: amor por música, dança, cinema, espiritualidade e futebol/cricket, que unem os povos apesar da distância geográfica.
A presidente Droupadi Murmu concluiu expressando votos de saúde a Lula, prosperidade ao povo brasileiro e duradoura amizade entre as nações.
Leia abaixo e prossiga depois:
“É com grande prazer que dou as boas-vindas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua sexta visita à Índia.
Receber um verdadeiro amigo em Nova Délhi é motivo de especial alegria.
Sua trajetória de vida é fonte de inspiração para milhões: das dificuldades da juventude ao mais alto cargo, do chão de fábrica à presidência, provando que a voz do povo é a mais poderosa na democracia.
Hoje, Brasil e Índia, duas grandes democracias, erguem-se juntos como voz do Sul Global por um mundo onde nenhuma criança durma com fome.
Nossa parceria estratégica cresce em força, liderando em bioenergia, energia limpa e sustentável, e erguendo a voz nos fóruns globais.
Apesar da distância geográfica, nossos povos são unidos por amor à música, dança, cinema, espiritualidade, samba, futebol e cricket.
Que sua visita inspire esperança e trabalho árduo para mudar o mundo.
Brindo à saúde de Vossa Excelência, ao progresso do povo brasileiro e à amizade eterna entre Índia e Brasil.
Muito obrigada.”
Em resposta, Lula expressou honra pela recepção e elogiou a trajetória pioneira de Droupadi Murmu, segunda mulher e primeira de origem indígena a presidir a nação mais populosa do mundo. “Sua história é inspiração para milhões de mulheres e meninas“, declarou, reforçando a educação como caminho para transformar destinos nacionais.
Lula citou a poetisa brasileira Cecília Meireles, que em 1953 recebeu título honoris causa da Universidade de Délhi por traduzir Tagore, para exaltar valores indianos como ética, não-violência, compaixão e espiritualidade — pilares necessários ao mundo atual.
Ele lembrou laços históricos, com o Brasil como primeira nação latino-americana a estabelecer relações diplomáticas com a Índia independente, e afinidades populares: celebrações de rua, cores do Holi semelhantes ao carnaval, paixão por futebol e criatividade para superar adversidades.
O presidente brasileiro defendeu o multilateralismo e o direito internacional frente a desigualdades, guerras e terrorismo, destacando atuação conjunta na ONU, G20 e BRICS para protagonismo do Sul Global.
Ele reafirmou confiança no futuro das relações e na vocação dinâmica da economia indiana, convidando a um brinde à amizade duradoura, prosperidade dos povos e ao lema “Viva a Índia, viva o Brasil”.
Veja abaixo e leia mais depois:
“Presidenta da República da Índia, senhora Droupadi Murmu, excelentíssimo senhor primeiro-ministro da Índia, senhor Narendra Modi, ministros indianos, ministros e ministras brasileiros do Brasil, empresários brasileiros, deputados e senadores que acompanham,
“Presidenta da República da Índia, senhora Droupadi Murmu, excelentíssimo senhor primeiro-ministro da Índia, senhor Narendra Modi, ministros indianos, ministros e ministras brasileiros do Brasil, empresários brasileiros, deputados e senadores que acompanham,
Sinto-me honrado com este distinto banquete oferecido em homenagem à minha visita de estado.
A senhora é a segunda mulher a presidir a nação mais populosa do mundo, a primeira vinda de uma comunidade originária. Sua história é inspiração para milhões de mulheres e meninas no mundo e é a prova de que a aposta na educação é o melhor caminho para mudar o destino de um país.
Senhora presidenta, feliz a Índia que tem dado ao mundo tantos valores espirituais, ainda que muitas vezes desconhecidos do Ocidente.
Foi com estas palavras que a grande poetisa brasileira Cecília Meireles exaltou valores indianos tão necessários ao mundo de hoje: a ética, a não-violência, a compaixão, o respeito e a espiritualidade como pilares da sociedade.
Em 1953, Cecília Meireles recebeu o título de doutora honoris causa da Universidade de Délhi pela tradução da obra do grande Tagore para o português. A sensibilidade e o lirismo de Meireles em seus poemas escritos na Índia mostram a compreensão mútua que pode florescer entre dois povos distantes geograficamente, mas que encaram desafios e realidades semelhantes.
Nossos caminhos se cruzam há séculos. Não é à toa que o Brasil foi a primeira nação latino-americana a estabelecer laços diplomáticos com a Índia recém-independente.
A história do intercâmbio bilateral não se resume à cicatriz deixada pelo colonialismo em nossas sociedades. Índia e Brasil se encontram no gosto compartilhado pelas celebrações de rua e festas populares. As cores e os sons do Holi e do Ganesh Chaturthi lembram os blocos de maracatu do carnaval brasileiro.
O amor pelo futebol faz dos indianos uma das maiores torcidas brasileiras em Copas do Mundo. Nossos povos compartilham a tenacidade do improviso e da criatividade para achar saídas mesmo com poucos recursos e incontáveis adversidades.
Os ensinamentos de Mahatma Gandhi demonstram que um povo pode defender seus direitos sem violência, com a força de suas convicções. Sabemos que o mundo, marcado por crescentes desigualdades sociais e econômicas, é também o mundo de turbulência política, a violência das guerras e a irracionalidade do terrorismo.
Nossos países carregam a responsabilidade compartilhada da defesa do multilateralismo e do direito internacional. Atuamos na ONU, no G20 e nos BRICS para que os países em desenvolvimento sejam protagonistas nos processos globais.
Não há melhor maneira de celebrarmos os 78 anos de relações bilaterais e 20 anos de nossa ambiciosa parceria estratégica que completamos este ano.
Quero reafirmar minha crença no futuro das relações entre o Brasil e a Índia e minha certeza sobre a vocação deste país como uma das economias mais dinâmicas do mundo contemporâneo.
Convido a todos a se unirem a mim num brinde à presidenta Draupadi Murmu, à amizade duradoura entre o Brasil e a Índia e à felicidade e prosperidade dos nossos povos.
Viva a Índia! Viva o Brasil! Muito obrigado”.
A visita, entre 18 e 22 de fevereiro de 2026, incluiu participação de Lula na Cúpula India-AI Impact, reuniões com o primeiro-ministro Narendra Modi e assinatura de acordos em áreas como minerais críticos, terras raras, transição energética, saúde, defesa e tecnologia — marcos que visam elevar o comércio bilateral e fortalecer alternativas ao unilateralismo global, conforme fontes oficiais como o Ministério das Relações Exteriores e o Press Information Bureau da Índia.

SIGA NAS REDES SOCIAIS

![]()
Compartilhe via botões abaixo:


Esse é o nosso presidente que nos representa de maneira honrosa e humana nossos países.