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Presidente Lula é homenageado com título Doutor Honoris Causa em Paris (vídeos)

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    Na Universidade Paris 8, o estadista faz discurso marcante, destacando educação e justiça social – ASSISTA E SAIBA MAIS

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    Paaris, França, 06 de junho de 2025

    O presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu nesta sexta-feira (6/jun) o título de doutor honoris causa da Universidade Paris 8, em Saint-Denis, na França.

    Esta universidade nasceu da esperança e da coragem do povo francês, no calor das ruas de 1968. Construiu-se como resposta às exigências de uma juventude que sonhava com um mundo mais igualitário e um ensino mais acessível, crítico e conectado às realidades sociais. Acolheu estudantes de todas as origens como parte central de seu projeto”, lembrou o estadista brasileiro, durante o discurso.

    A Universidade Paris 8 Vincennes Saint-Denis, antes chamada “Universidade de Vincennes“, é uma universidade pública na França, com campi em Saint-Denis, Montreuil e Tremblay-en-France.

    Fundada em 1971, é focada em ciências humanas e sociais. Em 2024, possuía 22.049 alunos, 1.058 professores e 677 funcionários. Desde 2016, é presidida pela professora Annick Allaigre.

    Lula destacou a educação como elemento central de sua trajetória política e como “a mais poderosa ferramenta para romper o ciclo da fome e da pobreza”.

    O político brasileiro mais conhecido na Terra celebrou sua própria origem como um operário metalúrgico que chegou à presidência sem diploma universitário.

    Foi preciso que um metalúrgico sem diploma universitário chegasse ao poder pelo voto popular para mudar essa realidade”, afirmou.

    Lula reafirmou o compromisso de seu governo com a expansão do acesso à educação, anunciando a criação de novos institutos federais e a primeira universidade indígena do Brasil, prevista para 2026.

    Em seu discurso, ele destacou a importância das universidades na luta contra a desigualdade e na formação do pensamento crítico, além de abordar temas globais como a regulação da inteligência artificial e a crise climática.

    Lula também fez comentários sobre conflitos internacionais, incluindo a guerra na Ucrânia e o genocídio do povo palestino, enfatizando o papel das universidades como resistências intelectuais.

    Apesar de algumas críticas, a cerimônia foi recebida com aplausos, e Lula encerrou agradecendo a homenagem e promovendo a colaboração acadêmica entre Brasil e França, citando Paulo Freire.

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    O Presidente do Brasil postou um vídeo curto nas redes sociais, acompanhado de um texto:

    Recebo, com imensa alegria, o título de Doutor Honoris Causa concedido pela Universidade Paris 8. É uma honra ser o segundo brasileiro laureado, colocando-me ao lado de uma grande pensadora e filósofa Marilena Chauí.

    A homenagem de hoje não é apenas um reconhecimento pessoal. É um reencontro com valores que moldaram minha vida: a justiça social, a educação como ferramenta de emancipação e o compromisso com os que sempre tiveram de lutar por voz e por espaço. Forjei minha trajetória na defesa dos direitos dos mais vulneráveis.

    Esta universidade nasceu da esperança e da coragem do povo francês, no calor das ruas de 1968. Construiu-se como resposta às exigências de uma juventude que sonhava com um mundo mais igualitário e um ensino mais acessível, crítico e coectado às realidades sociais. Acolheu estudantes de todas as origens como parte central de seu projeto.

    Paris 8 foi pioneira ao abrir as portas para os filhos da classe trabalhadora, os imigrantes, os que não tinham sobrenome famoso. Mostrou que o saber não é privilégio — é direito.

    Aqui grandes pensadores como Foucault, Deleuze, o cientista social brasileiro Josué de Castro e meu querido amigo Marco Aurélio Garcia ajudaram a formar um pensamento crítico, que não aceita injustiça como destino e que está comprometido com a transformação social”.

    Lula postou alguns trechos de seu discurso:

    Carrego comigo a convicção de que o papel da política não é administrar a desigualdade, mas enfrentá-la. No Brasil, que fundou suas primeiras universidades somente no início do século 20, o ensino superior sempre foi pensado e reservado para a elite.

    Foi preciso que um metalúrgico sem diploma universitário chegasse ao poder pelo voto popular para mudar essa realidade. Tenho a honra de ser o presidente que mais criou instituições de ensino técnico e superior.

    Nos governos do Partido dos Trabalhadores consolidamos um modelo de ensino mais aberto e inclusivo. Com a presidenta Dilma Rousseff, aprovamos a lei de ação afirmativa que mudou a cara dos egressos das universidades brasileiras.

    Em consulta com nossos povos originários, criaremos a primeira Universidade Indígena até 2026. Essa revolução na educação é uma das ferramentas mais poderosas para romper o ciclo da fome e da pobreza que voltou a assolar o Brasil no governo de meu antecessor”.

    As Universidades também têm papel decisivo no enfrentamento da crise climática. De suas cátedras emanam os múltiplos alertas sobre os riscos ambientais que ameaçam o planeta. De suas salas, sairão as jovens lideranças que unirão ciência, inovação e conhecimento tradicional para delinear os caminhos de uma transição ecológica justa.

    O pensamento crítico também caminha lado-a-lado com a luta anticolonial e o combate ao racismo, à misoginia, à xenofobia e todas as formas de discriminação.

    As universidades e o movimento estudantil seguirão como vozes da resistência intelectual aos horrores cometidos em todas as guerras. Não é possível permanecer indiferente ao absurdo da guerra na Ucrânia e do genocídio do povo palestino em Gaza.

    A intolerância e o extremismo comprometem os esforços coletivos de diálogo e corroem a confiança nas instituições. A gravidade do momento exige a defesa firme dos valores que unem a humanidade: a defesa da paz, do multilateralismo e do desenvolvimento sustentável“.

    A fome, como dizia Josué de Castro, “é a expressão biológica dos males sociais”. Quem sente fome tem sua existência aprisionada na dor do presente. Torna-se incapaz de pensar no amanhã. Tirar o Brasil do mapa da fome, como fizemos em 2014, é o compromisso mais urgente do meu governo.

    A essência da democracia é governar para todos. É assegurar participação popular real, com trabalhadores organizados, com juventude crítica e movimentos sociais respeitados. Em várias partes do mundo, a extrema direita voltou a atacar as universidades.

    Seu método é o mesmo do adotado pelas ditaduras que assolaram a América Latina no século passado: – afrontar professores e estudantes e coibir o pensamento crítico e a diversidade; – calar a ciência, censurar a arte e transformar as salas de aula em instrumento de dominação. A extrema direita tem medo da educação porque sabe que é onde nasce a consciência.

    A França, que acolheu tantos intelectuais brasileiros exilados, sabe que defender as universidades é resguardar a ciência. Em tempos de desinformação e negacionismo, o saber deve ser protegido como instrumento de bem comum”.

    Fortalecer a educação emancipadora por meio da cooperação acadêmica é fundamental. Todos os anos, milhares de estudantes, pesquisadores, artistas e empreendedores circulam entre nossos países. Trocam ideias, constroem pontes e semeiam inovação.

    Agradeço os esforços empreendidos pela gestão da reitora Annick Allaigre e de seu sucessor Arnaud Laimé para estreitar os laços entre esta universidade e o Brasil.

    Iniciativas como o programa de dupla diplomação em História, com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e o acolhimento generoso aos nossos doutorandos indígenas são ações concretas que reforçam o espírito de inclusão e colaboração conjunta.

    O engajamento da Universidade Paris 8 com o Ano Brasil-França 2025 também é exemplo de como esta parceria pode se desdobrar em projetos acadêmicos, científicos e culturais”.

    Eu tenho certeza de que esse título de Doutor Honoris Causa é muito mais uma homenagem à capacidade de resistência do povo brasileiro do que a qualquer outra coisa que eu tenha feito no meu país. Por isso, muito obrigado a vocês por este reconhecimento”.

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