“O Biden é o presidente dos EUA que mais tem ligação com os trabalhadores. Eu venho do movimento sindical. E isso deu uma liga“, afirmou o Presidente do Brasil
Terminada a visita de Luiz Inácio Lula da Silva aos Estado Unidos, o presidente traz de volta na bagagem uma série de assuntos pautados com o presidente Joe Biden na Casa Branca. Temas como clima, igualdade racial e social e fortalecimento da democracia foram discutidos na reunião bilateral.
A maioria dos assuntos tratados entre os presidentes foram considerados amenos. A exceção foi a Guerra da Ucrânia, sobre a qual Biden esperava um posicionamento mais assertivo de Lula, se posicionando abertamente contra a invasão, o que não ocorreu. O presidente brasileiro afirmou ser necessário “construir um grupo de negociadores” para mediar um acordo entre os países que culminasse com o fim do conflito, conforme transcreveu O Globo:
Reunião com senador – O primeiro compromisso oficial do presidente Lula no país foi um encontro o senador independente Bernie Sanders, que destacou a importância de os EUA e o Brasil atuarem juntos pelo fortalecimento da democracia e pela proteção da Amazônia.
“O presidente e eu falamos sobre a necessidade de fortalecer os fundamentos democráticos não só no Brasil, não só nos EUA, mas em todo o mundo porque há uma ameaça massiva da direita extremista e autoritária, seja Trump ou Bolsonaro, que tentam minar a democracia. Outra coisa que é muito importante é o clima: o futuro da Amazônia vai determinar se vamos conseguir salvar o planeta ou não. E os EUA têm de estar envolvidos com o Brasil, com a Europa, fazendo tudo o que pudermos para acabar com o desmatamento e proteger a Amazônia“, disse o senador após o encontro.
Encontro com parlamentares – Após conversa com o senador independente Bernie Sanders, Lula deu sequência à agenda de reunião com parlamentares americanos. Ao lado dos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Anielle Franco (Igualdade Racial), Lula recebeu os deputados democratas Pramila Jayapal (Washington), Alexandria Ocasio-Cortez (Nova York) e Sheila Jackson Lee (Nova York) na Blair House, onde está hospedado, em Washington.
Lula chegou à Casa Branca acompanhado da primeira-dama Janja da Silva. Eles foram recebidos no Jardim Sul da Casa Branca por Biden.
“Um dia lindo para fevereiro — comentou o presidente dos EUA na chegada de Lula e Janja“.
Radicalização na pauta do encontro – Em conversa com Joe Biden, Lula disse que o Brasil se automarginalizou nos últimos quatro anos, em referência indireta à gestão de Jair Bolsonaro.
“O Brasil ficou quatro anos se marginalizando, tinha um presidente que não gostava de manter relações com nenhum país. O mundo dele começava e terminava com fake news, de manhã, de tarde e de noite. Ele parece que menosprezava relações internacionais“, afirmou.
Em frente à lareira do Salão Oval, Biden riu e concordou: “Isso soa familiar“, disse, em referência à gestão de seu antecessor, Donald Trump.
Defesa da democracia – No primeiro encontro presencial entre os presidentes, desde que o brasileiro assumiu o poder, ambos enfatizaram a importância da defesa democracia.
“Os Estados Unidos representam muito na relação com o Brasil. A relação histórica, política, econômica e comercial e muito na relação cultural. Nós agora temos alguns problemas para trabalhar juntos: nunca mais permitir que haja um novo capítulo do Capitólio, e que nunca mais haja o que aconteceu no Brasil, uma invasão no Congresso Nacional, do Palácio do presidente e da Suprema Corte“, destacou Lula.
‘Governança global forte’ para questão climática – Em discurso, Lula afirmou que os EUA e o restante do mundo podem contar com o Brasil “na luta pela democracia e na luta pela preservação da Amazônia”.
“Isso não é um programa de governo, mas é um compromisso de fé de alguém de quem acredita no humanismo, de alguém que acredita na fraternidade, na solidariedade“, declarou o presidente. “Eu não quero viver num mundo em que os humanos se transformação em algoritmos. Eu quero viver num mundo que os humanos sejam humanos. E para isso precisamos cuidar com muito carinho daquilo que deus nos deu, que é o planeta Terra“.
Relação Brasil x EUA – Lula disse em entrevista coletiva à imprensa após o encontro com o presidente Joe Biden que conversou com o americano sobre vários problemas de interesse de ambos os países, destacando a importância de manter uma boa relação bilateral com os EUA.
Segundo Lula, eles discutiram questões que abordaram “tanto o campo da igualdade racial e social, o campo da democracia, da energia limpa, da questão climática e do fortalecimento da democracia“.
“É preciso que todo mundo saiba da boa relação dos Brasil com os EUA. Seja do ponto de vista comercial, político, cultural, é muito importante que nós estejamos juntos“, destacou.
Fundo Amazônia – Questionado por repórteres se os EUA iriam colaborar com o Fundo Amazônia, Lula respondeu que “não só acho que vão, como é necessário que participem“, mas ponderou que não discutiu especificamente o tema no encontro com Joe Biden mais cedo nesta sexta-feira em Washington.
“Eu não discuti especificamente o Fundo Amazônia. Eu discuti a necessidade de os países ricos assumirem a responsabilidade de financiar todos os países que têm florestas“, disse Lula. “Além do Brasil, nós temos o Equador, Colômbia Peru e Venezuela, temos as Guianas, ou seja, temos vários países que nós temos que cuidar. Eu não tratei especificamente do Fundo Amazônia, tratei da necessidade de preservar“.
‘Precisam parar de atirar’ – Com relação à guerra na Ucrânia, Lula reiterou novamente o desejo de se criar um grupo de países capazes de encontrar uma saída para o fim do conflito. O presidente já havia sugerido o mesmo em reunião com o presidente francês, Emmanuel Macron, e o chanceler alemão, Olaf Scholz, na semana passada.
“Estou convencido de que é preciso encontrar uma saída para colocar fim a essa guerra. E eu senti da parte do presidente Biden também uma preocupação, porque ninguém quer que essa guerra continue. É preciso que tenham parceiros capazes de construir um grupo de negociadores que os dois lados acreditem e que os dois lados possam compreender e terminar essa guerra. A primeira coisa é terminar a guerra, depois é negociar o que vai acontecer no futuro. Mas eles precisam parar de atirar, senão não tem condição“, afirmou Lula.
‘Cópia fiel’ de Trump – Em entrevista à apresentadora Christiane Amanpour, da CNN Internacional, Lula disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro é uma ‘cópia’ fiel de Donald Trump, antecessor do democrata Joe Biden no Executivo americano.
“Bolsonaro é uma cópia fiel [de Trump], afirmou. “Não gosta de sindicatos, não gosta de trabalhador, não gosta de mulheres, não gosta de negros, não gosta de conversar com empresários, não gosta de falar com a imprensa“.
