Português Inglês Irlandês Alemão Sueco Espanhol Francês Japonês Chinês Russo
Avançar para o conteúdo

Lula divulga seu artigo publicado em 10 jornais do mundo, entre eles o Guardian – Leia íntegra

    Clickable caption
    Montagem mostra
    Montagem mostra jornais que publicaram artigo do Presidente Lula em resposta ao tarifaço de Trump | Imagem reprodução/@LulaOficial/X


    Os jornais Le Monde, El País, The Guardian, Der Spiegel, Corriere della Sera, Yomiuri Shimbun, China Daily, Clarín e La Jornada publicaram o texto do estadista “NÃO HÁ ALTERNATIVA AO MULTILATERALISMO

    RESUMO <<O presidente Luiz Inácio Lula da Silva alerta que o sistema multilateral, construído após 1945, está em crise devido ao uso ilegal da força por potências, falhas no combate à desigualdade, mudanças climáticas e o esvaziamento de instituições como a ONU e a OMC. Ele critica a negligência com crises humanitárias, como Gaza, e a falta de compromisso com acordos climáticos e desenvolvimento sustentável. Lula defende a reforma do multilateralismo para torná-lo mais justo e inclusivo, destacando o papel do Brasil em promover cooperação internacional, como nas presidências do G20, BRICS e COP30, e enfatiza a urgência de ações coletivas para enfrentar desigualdades, conflitos e a destruição ambiental>>



    Brasília, 11 de julho de 2025

    O ano de 2025 deveria ser um momento de celebração dedicado às oito décadas de existência da Organização das Nações Unidas (ONU). Mas pode entrar para a história como o ano em que a ordem internacional construída a partir de 1945 desmoronou.

    As rachaduras já estavam visíveis. Desde a invasão do Iraque e do Afeganistão, a intervenção na Líbia e a guerra na Ucrânia, alguns membros permanentes do Conselho de Segurança banalizaram o uso ilegal da força.

    A omissão frente ao genocídio em Gaza é a negação dos valores mais basilares da humanidade. A incapacidade de superar diferenças fomenta nova escalada da violência no Oriente Médio, cujo capítulo mais recente inclui o ataque ao Irã.

    A lei do mais forte também ameaça o sistema multilateral de comércio. Tarifaços desorganizam cadeias de valor e lançam a economia mundial em uma espiral de preços altos e estagnação. A Organização Mundial do Comércio foi esvaziada e ninguém se recorda da Rodada de Desenvolvimento de Doha.

    O colapso financeiro de 2008 evidenciou o fracasso da globalização neoliberal, mas o mundo permaneceu preso ao receituário da austeridade. A opção de socorrer super-ricos e grandes corporações às custas de cidadãos comuns e pequenos negócios aprofundou desigualdades. Nos últimos 10 anos, os US$ 33,9 trilhões acumulados pelo 1% mais rico do planeta é equivalente a 22 vezes os recursos necessários para erradicar a pobreza no mundo.

    O estrangulamento da capacidade de ação do Estado redundou no descrédito das instituições. A insatisfação tornou-se terreno fértil para as narrativas extremistas que ameaçam a democracia e fomentam o ódio como projeto político.

    Muitos países cortaram programas de cooperação em vez de redobrar esforços para implementar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030. Os recursos são insuficientes, seu custo é elevado, o acesso é burocrático e as condições impostas não respeitam as realidades locais.

    Não se trata de fazer caridade, mas de corrigir disparidades que têm raízes em séculos de exploração, ingerência e violência contra povos da América Latina e do Caribe, da África e da Ásia. Em um mundo com um PIB combinado de mais de 100 trilhões de dólares, é inaceitável que mais de 700 milhões de pessoas continuem passando fome e vivam sem eletricidade e água.

    Os países ricos são os maiores responsáveis históricos pelas emissões de carbono, mas serão os mais pobres quem mais sofrerão com a mudança do clima. O ano de 2024 foi o mais quente da história, mostrando que a realidade está se movendo mais rápido do que o Acordo de Paris.

    As obrigações vinculantes do Protocolo de Quioto foram substituídas por compromissos voluntários e as promessas de financiamento assumidas na COP15 de Copenhague, que prenunciavam cem bilhões de dólares anuais, nunca se concretizaram. O recente aumento de gastos militares anunciado pela OTAN torna essa possibilidade ainda mais remota.

    Os ataques às instituições internacionais ignoram os benefícios concretos trazidos pelo sistema multilateral à vida das pessoas. Se hoje a varíola está erradicada, a camada de ozônio está preservada e os direitos dos trabalhadores ainda estão assegurados em boa parte do mundo, é graças ao esforço dessas instituições.

    Em tempos de crescente polarização, expressões como “desglobalização” se tornaram corriqueiras. Mas é impossível “desplanetizar” nossa vida em comum. Não existem muros altos o bastante para manter ilhas de paz e prosperidade cercadas de violência e miséria.

    O mundo de hoje é muito diferente do de 1945. Novas forças emergiram e novos desafios se impuseram. Se as organizações internacionais parecem ineficazes, é porque sua estrutura não reflete a atualidade. Ações unilaterais e excludentes são agravadas pelo vácuo de liderança coletiva. A solução para a crise do multilateralismo não é abandoná-lo, mas refundá-lo sob bases mais justas e inclusivas.

    É este entendimento que o Brasil – cuja vocação sempre será a de contribuir pela colaboração entre as nações – mostrou na presidência no G20, no ano passado, e segue mostrando nas presidências do BRICS e da COP30, neste ano: o de que é possível encontrar convergências mesmo em cenários adversos.

    É urgente insistir na diplomacia e refundar as estruturas de um verdadeiro multilateralismo, capaz de atender aos clamores de uma humanidade que teme pelo seu futuro. Apenas assim deixaremos de assistir, passivos, ao aumento da desigualdade, à insensatez das guerras e à própria destruição de nosso planeta.

    Luiz Inácio Lula da Silva
    Presidente da República do Brasil



    SIGA NAS REDES SOCIAIS




    Compartilhe via botões abaixo:

    5 comentários em “Lula divulga seu artigo publicado em 10 jornais do mundo, entre eles o Guardian – Leia íntegra”

    1. Eu tenho imenso orgulho de ser brasileira e ter votado num presidente que tem sensibilidade com as dores deste mundo e coragem de denunciar mundialmente e realizar mudanças em nosso quintal. BRASIL MOSTRA TUA CARA… temos uma riqueza cultural e geográfica imensurável.
      Estamos junto meu querido presidente Lula!!

    2. TARCISIO MARQUES

      As verdades expostas pelo presidente deste artigo, acredito que muitos outros mandatários têm o mesmo pensamento, só que falta-lhes a decisão firme de expô-las ao mundo e todos juntos lutarem pela melhoria global em todos os sentidos. Isso é que se espera de todos independente de qualquer partidarismo.

    3. Petrônio Rodrigues Ferreira

      Belíssimo texto que diz tudo dentro da realidade e propõe medidas reais de soluções! Tudo isso que está dentro deste texto for colocado em prática! O Lula pode ser um forte candidato ao prêmio Nobel!!!!!!

    4. Paulo Sergio Braga Barretto

      Um resumo perfeito expondo as causas por negligência e as suas terríveis consequências. Carta de um grande Estadista!

    Os comentários estão fechados.

    🗣️💬

    Discover more from

    Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

    Continue reading