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    Lula zera desaprovação e encosta em líderes na América Latina

    — calculando —
    Presidente Lula

    📷 O Presidente da República Federativa do Brasil, Excelentíssimo Senhor Luiz Inácio Lula da Silva (PT) 27.6.2026 / Foto: reprodução @LulaOficial/X

    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Brasília (DF)
    28 de junho de 2026

    O cientista político Antonio Lavareda, considerado o maior especialista em eleições do Brasil, participou do programa Índice CNN na última sexta-feira (26/jun) e trouxe um panorama detalhado da corrida presidencial de 2026.

    Apresentado por Débora Bergamasco, o programa revelou um dado inédito: pela primeira vez desde janeiro, a desaprovação do presidente Lula não supera sua aprovação, zerando o saldo negativo da gestão.

    “Nós temos agora esse zero, esse empate entre aprovação e desaprovação na média do IPSP Analítica”, afirmou Lavareda.

    Segundo o especialista, o movimento de recuperação tem sido gradual e consistente. “Nos últimos 90 dias, a aprovação do governo veio crescendo, e a desaprovação recuou”.

    O mesmo empate técnico já havia ocorrido em outubro do ano passado, mas foi interrompido e depois revertido. Agora, com a proximidade do fim da propaganda oficial na terça-feira (30/jun), o governo perde sua principal vantagem de comunicação.

    A Economia como Motor da Recuperação

    Lavareda atribuiu a melhora da imagem do governo à percepção econômica positiva.

    Dados do Datafolha mostram que 36% dos eleitores acreditam que a economia vai melhorar, 10 pontos a mais do que os 26% que projetam piora.

    O especialista destacou que o otimismo cresceu 3 pontos em relação a março, enquanto o pessimismo recuou 9 pontos no mesmo período.

    A pesquisa também revela que 51% dos entrevistados estão confiantes de que sua vida pessoal vai melhorar. 

    “A experiência pessoal fala mais alto do que a visão sobre o país”, afirmou Lavareda, explicando que essa percepção individual respalda o movimento de aprovação do governo.

    Os Ativos e as Ameaças do Governo

    Para Lavareda, o governo conta com três ativos econômicos principais: a menor taxa de desemprego em mais de 10 anos, a economia distante de uma recessão (com projeção de crescimento de 1,9% em 2026) e os programas de transferência de renda, que compensam os efeitos dos juros altos.

    O especialista listou quatro ameaças que podem minar essas vantagens:

    Desvalorização cambial forte, que repercutiria em diversos segmentos da economia
    Aumento dos juros, caso o Copom enfrente dificuldades no controle fiscal
    Aceleração da inflação, que Lavareda classificou como “matadora” para qualquer incumbente
    Impacto dos escândalos do Banco Master e do INSS sobre a imagem do governo

    A inflação é o fator mais perigoso, pois afeta diretamente o bolso do eleitor e pode anular os efeitos positivos do emprego e dos programas sociais.

    Lula no Contexto Latino-Americano

    Lavareda recorreu a dados da CB Consultoria para mostrar a posição de Lula entre os presidentes da América Latina.

    O petista ocupa a quinta posição, empatado com o presidente do Paraguai, Santiago Peña.

    O presidente brasileiro perde apenas para Nayib Bukele (El Salvador), Claudia Sheinbaum (México), Laura Fernández (Costa Rica) e Luis Abinader (República Dominicana).

    O cientista político comparou o desempenho de Lula com o de Javier Milei, presidente da Argentina, que tem 38% de aprovação e 60% de desaprovação – um desempenho parecido ao de Donald Trump nos Estados Unidos.

    Os Escândalos e a Opinião Pública

    A pesquisa CNT/MDA revelou que quatro em cada cinco eleitores não votariam em candidatos envolvidos em casos de corrupção como os do Banco Master e do INSS.

    Lavareda avaliou que o caso do INSS atinge o governo na dimensão da competência, enquanto o caso Master envolve a dimensão moral, especialmente por sua ligação com o senador Flávio Bolsonaro.

    “O caso Master redistribui responsabilidades. Precisamos esperar as cenas dos próximos capítulos para saber quem será mais prejudicado”, afirmou.

    O especialista concluiu que economia, o caso Master, o INSS e o fator Trump serão os principais vetores que orientarão as escolhas eleitorais nos próximos 90 dias, que prometem ser bastante movimentados.



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