Presidente do Brasil desafia Trump e condena ataque à Venezuela em artigo explosivo em que alerta para erosão do direito internacional após bombardeios e sequestro de Maduro, defendendo soberania latina em opinião que agita as relações hemisféricas
Em artigo no New York Times de 18/jan, Lula condena os bombardeios dos EUA na Venezuela e a captura de Maduro em 03/jan como erosão do direito internacional. Defende soberania latina, rejeita hegemonia e propõe cooperação hemisférica para paz e desenvolvimento. Reações incluem elogios à defesa multilateral e críticas à postura.
Brasília, DF (BR) / New York (US) · 18 de janeiro de 2026
Em um posicionamento assertivo que ecoa preocupações globais, o Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva publicou um artigo de opinião no The New York Times neste domingo (18/jan), criticando veementemente a intervenção militar dos Estados Unidos em território venezuelano.
A peça, intitulada “This Hemisphere Belongs to All of Us [Este Hemisfério Pertence a Todos Nós]“, surge duas semanas após os bombardeios e sequestro do presidente Nicolás Maduro, em 03 de janeiro, evento que marcou a primeira incursão direta das forças americanas na América do Sul em mais de dois séculos de história independente da região.
Lula descreve a ação como “mais um capítulo lamentável na contínua erosão do direito internacional e da ordem multilateral estabelecida após a Segunda Guerra Mundial”, enfatizando como potências maiores têm minado a autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU) e seu Conselho de Segurança.
Ele argumenta que o uso seletivo de normas leva à anomia, fragilizando estados e o sistema internacional, e impossibilita a construção de sociedades democráticas inclusivas.
Sem legitimidade para um país arrogar-se o direito de justiça unilateral, tais atos ameaçam a estabilidade global, interrompem comércio e investimentos, ampliam fluxos de refugiados e debilitam o combate ao crime organizado transnacional.
Particularmente alarmante para Lula é a aplicação dessas práticas na América Latina e no Caribe, região com mais de 660 milhões de habitantes que prioriza a paz via igualdade soberana, rejeição à força e autodeterminação dos povos.
“Em mais de 200 anos de história independente, esta é a primeira vez que a América do Sul sofre um ataque militar direto por parte dos Estados Unidos“, destaca o presidente, embora intervenções prévias tenham ocorrido.
Ele reafirma que a região não se submeterá a empreendimentos hegemônicos, promovendo uma agenda positiva que transcende diferenças ideológicas em prol de resultados pragmáticos, como investimentos em infraestrutura, geração de empregos e expansão comercial.
O artigo reforça a necessidade de cooperação para enfrentar fome, pobreza, narcotráfico e mudanças climáticas, rejeitando divisões em zonas de influência ou incursões neocoloniais por recursos estratégicos.
Lula adverte que líderes de potências devem compreender a inviabilidade de um mundo em hostilidade permanente, dependente apenas de medo e coerção.
O futuro da Venezuela, insiste, deve ficar nas mãos de seu povo, via processo político inclusivo liderado por venezuelanos, condição essencial para o retorno seguro de milhões de migrantes – muitos abrigados no Brasil, que compartilha mais de 1.300 milhas de fronteira.
Lula destaca as duas nações como as democracias mais populosas das Américas, propondo união em planos concretos de investimento, comércio e combate ao crime organizado.
“Somente juntos podemos superar os desafios que afligem um hemisfério que pertence a todos nós“, conclui.
Leia a íntegra do artigo abaixo (toque na imagem) e leia mais a seguir:
Lula emerge como um dos líderes regionais mais críticos à política externa de Donald Trump, publicou a Bloomberg sobre o artigo em que o Presidente amplia sua voz contra o que vê como divisão mundial.
O Le Monde reporta que Lula havia condenado previamente o episódio como “um ataque sério à soberania da Venezuela”.
Reações iniciais, conforme postagens no X (antigo Twitter), incluem apoio de figuras como o deputado federal Lindbergh Farias, que elogiou o texto como defesa da soberania latina, e críticas de perfis conservadores que veem hipocrisia.
Publicações mais recentes destacam reações mistas ao artigo, com elogios à defesa multilateral e questionamentos sobre viabilidade diplomática.

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