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    Em telefonema, Delcy agradece ajuda do Brasil e Lula reafirma apoio à reconstrução da Venezuela

    — calculando —
    Delcy Rodríguez e Lula

    📷 A presidenta interina da República Bolivariana da Venezuela, Delcy Rodíguez / Foto: Frederico Parra / APF | O Presidente da República Federativa do Brasil, Excelentíssimo Senhor Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante cerimônia de entrega de ambulâncias, equipamentos para unidades de saúde e equipamentos cirúrgicos no âmbito do Novo PAC Saúde, em Salvador / Foto: Ricardo Stuckert/PR

    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Caracas (VE) / Brasília (DF)
    11 de julho de 2026

    O presidente Lula conversou por telefone nesta sexta-feira (10/jul) com a presidenta interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, para tratar da reconstrução do país após o duplo terremoto de 24 de junho, que já matou 4.118 pessoas segundo o mais recente balanço oficial venezuelano. Delcy agradeceu a ajuda humanitária brasileira e informou que as buscas por vítimas continuam.

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    Como tudo começou: a origem geológica da tragédia

    A Venezuela se assenta sobre o limite entre a placa do Caribe e a placa Sul-Americana, uma fronteira tectônica marcada pelas falhas de Boconó, San Sebastián e El Pilar.

    Segundo o geólogo argentino Víctor Ramos, do Conicet, em declaração veiculada pelo Infobae, o sismo aparentemente teve início na parte norte da falha de Boconó e se propagou depois para a falha de San Sebastián, num trajeto de até 170 quilômetros.


    O fenômeno, batizado de “doblete sísmico”, é raro: dois abalos de magnitude semelhante — 7,2 e 7,5 — separados por apenas 39 segundos, o segundo a somente 10 quilômetros de profundidade, o que ampliou o poder destrutivo por atingir a superfície com pouca dissipação de energia.

    O que a ciência planeja fazer

    Segundo levantamento da Crônica Uno, geólogos venezuelanos defendem três frentes de ação para reduzir riscos futuros:
    ♦ reconstruir e modernizar a rede sismológica nacional, hoje sob responsabilidade da Fundação Venezuelana de Investigações Sismológicas (Funvisis);
    ♦ reforçar a fiscalização estrutural de hospitais, escolas e pontes, barrando a expansão urbana sobre terrenos instáveis;
    ♦ e incluir a educação sobre risco sísmico como matéria obrigatória nas escolas, com simulados periódicos.

    O físico Raúl Estévez, da Universidade dos Andes, alerta que a região andina acumula tensão desde o grande terremoto de 1894 — o intervalo médio de recorrência para eventos dessa magnitude na falha de Boconó varia entre 70 e 130 anos, o que mantém o alerta científico elevado mesmo após a tragédia atual.

    A revisão das normas de construção também está em pauta: a norma técnica vigente, a Covenin 1756-1:2019, já previa critérios sismorresistentes, mas o próprio Ministério de Ciência e Tecnologia da Venezuela reconhece falhas na fiscalização durante a execução das obras — fator que ajuda a explicar por que dezenas de prédios recentes colapsaram enquanto construções mais antigas resistiram.

    O balanço mais atualizado, direto de fontes venezuelanas

    De acordo com o boletim mais recente divulgado pelo próprio governo venezuelano, replicado pela El Tiempo, os terremotos deixaram até agora 190 edificações com colapso total e mais de 850 estruturas danificadas, concentradas sobretudo no estado de La Guaira.

    O total de feridos está em 16.740, e 17.907 pessoas seguem desabrigadas.

    No campo da infraestrutura, Delcy Rodríguez informou, durante inspeção transmitida pela Venezolana de Televisión (VTV), que o fornecimento de energia elétrica em La Guaira já está recuperado em 96%, com 21 subestações plenamente restabelecidas.

    O abastecimento de água potável está em 84% de recuperação, com caminhões-pipa atendendo as áreas ainda comprometidas.

    Já a companhia estatal de telecomunicações Cantv segue em trabalho de recuperação, sem prazo definido, enquanto o serviço via satélite da Starlink distribuiu mais de 1.600 kits de conectividade para equipes de resgate e organizações humanitárias na região mais afetada.

    O telefonema entre Lula e Delcy

    A conversa entre os dois líderes foi confirmada tanto pelo lado brasileiro quanto pelo venezuelano. Segundo nota da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, publicada no perfil de Lula no X, os dois presidentes trataram “das perdas humanas e materiais provocadas pelos graves terremotos”, e Delcy relatou que seu governo se prepara para a etapa de reconstrução, com atenção especial à construção de moradias para as famílias desabrigadas.

    Pelo lado venezuelano, a própria Delcy confirmou o contato em publicação no Telegram, replicada pela agência estatal cubana Prensa Latina e pela Rádio Nacional da Venezuela (RNV), agradecendo o apoio brasileiro e destacando a coordenação técnica entre os dois países para a reconstrução.

    Telefonema Lula - Delcy Rodríguez
    Logo Urbs Magna Giratório Logo Urbs Magna Fixo

    TRADUÇÃO: “Mantive uma conversa telefônica com o presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, a quem expressei, em nome do povo venezuelano, nosso profundo agradecimento pela solidariedade e pelo valioso apoio prestado desde as primeiras horas da emergência ocasionada após os terremotos do dia 24 de junho. Durante esta conversa, abordamos os avanços nas ações de atendimento às comunidades afetadas e os esforços empreendidos na etapa de reconstrução. Coincidimos na importância de manter uma estreita cooperação entre nossos países” / Imagem reprodução Telegram/t.me/DrodriguezVen

    A resposta diplomática imediata de países vizinhos como o Brasil frequentemente avança mais rápido do que a reconstrução da infraestrutura básica local, que depende de recursos internos limitados e de cooperação técnica internacional coordenada, no caso venezuelano, também pela ONU.

    O desafio de reconstruir sobre uma zona sísmica ativa como a falha de Boconó não se resolve apenas com ajuda humanitária pontual — exige investimento contínuo em monitoramento científico e fiscalização de obras, algo que o próprio Ministério de Ciência e Tecnologia venezuelano já reconhece como ponto fraco.

    O número de mortos subiu de 3.889, em 9 de julho, para 4.118 em apenas 24 horas, segundo o mais recente boletim do governo venezuelano.

    FAQ rápido

    Quantas pessoas morreram nos terremotos da Venezuela até agora?
    O balanço oficial mais recente, de 10 de julho, soma 4.118 mortos, após a confirmação de 229 novas mortes em 24 horas.

    Por que a Venezuela é tão vulnerável a terremotos?
    O país está sobre o limite entre as placas do Caribe e Sul-Americana, cruzado pelas falhas de Boconó, San Sebastián e El Pilar, que acumulam tensão por décadas antes de liberar energia.

    O que Lula e Delcy Rodríguez combinaram no telefonema?
    Reforçar a cooperação técnica entre Brasil e Venezuela na fase de reconstrução, com foco em moradias para as famílias desabrigadas.



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