Presidente debate sucessor de Barroso no Supremo e avalia perfil de liderança política versus proximidade ideológica, ponderando impacto em 2026
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Pacheco ou Messias?
Brasília, 15 de outubro 2025
A sucessão do ministro Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF), que anunciou a sua aposentadoria recentemente, colocou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) numa encruzilhada política, com dois nomes de peso em destaque: o advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, e o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
A decisão, que pode moldar o futuro político e jurídico do país, divide as avaliações entre o Planalto e uma ala da própria Corte.
O Perfil Desejado e a Vantagem Política de Pacheco
Em conversas com ministros do STF realizadas na terça-feira (14/out), o presidente Lula mencionou os dois cotados. De acordo com a Band , Lula ouviu dos ministros que a Corte necessita de um nome que seja “pacificador, com lastro político”.
Nesses quesitos, o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, ganha pontos.
Uma ala do STF defende o nome de Pacheco, argumentando que ele possui a “musculatura” ou “relevância e musculatura política” necessária para a Corte.
Essa preferência é reforçada pela expectativa de futuros embates do STF com o bolsonarismo e pela iminente “briga jurídica que se avizinha com os EUA, por causa da Lei Magnitsky”.
Entre os defensores de Pacheco estão ministros influentes como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, que participaram do encontro com Lula.
O Favoritismo de Messias e a Questão Feminina
Apesar da defesa de um nome com perfil político como Pacheco, o advogado-geral da União, Jorge Messias, ainda é visto como o favorito no Planalto e em alguns setores do STF.
Messias goza de maior proximidade com o presidente e com o PT.
A escolha de Messias também oferece uma vantagem estratégica para o governo.
Ao abrir uma vaga na AGU, o presidente Lula poderia indicar uma mulher para o cargo.
Essa avaliação, tida como palaciana, aliviaria a pressão por mais presença feminina no primeiro escalão do governo, uma questão sensível dado que o STF historicamente teve apenas três mulheres em 134 anos de história.
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A decisão de Lula pode manter o padrão de escolhas recentes (Zanin e Dino) ou adotar um critério mais político, de olho nas eleições de 2026.
A Reunião e o Silêncio Presidencial
Apesar da expectativa, a sucessão de Barroso não foi o tema central na reunião de Lula com ministros do STF na noite de terça-feira (14/out). O presidente optou por desviar do assunto e não abriu espaço para o debate, nem informou quem seria o escolhido.
Estiveram presentes no encontro os ministros do STF Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin, além dos ministros de estado Rui Costa (Casa Civil) e Ricardo Lewandowski (Justiça).
Aqueles que conhecem o presidente acreditam que ele já definiu o nome, mas não quis torná-lo público no momento.
A Saída de Barroso
O ministro Luís Roberto Barroso anunciou sua aposentadoria na quinta-feira (9/out), ao fim de uma sessão do STF.
Na ocasião, ele afirmou que a decisão de deixar a Corte “não tem nada a ver com nenhuma circunstância da política atual”, buscando “seguir outros rumos”.
Barroso expressou o desejo de viver o tempo que lhe resta “sem as disposições, obrigações e exigências públicas do cargo — com mais literatura e poesia”.







