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Lula cria grupo de trabalho para recuperar dinheiro das vítimas de fraude do INSS iniciada no governo Bolsonaro

    Lula cria grupo de trabalho para recuperar dinheiro das vítimas de fraude do INSS iniciada no governo Bolsonaro

    Aposentados idosos em uma agência do INSS | Foto de Guito Moreto/O Globo


    Após fraude bilionária contra aposentados, que tiveram descontos ilegais em suas pensões, revelada pela Operação Sem Desconto que investigou o esquema de R$ 6,3 bilhões, a AGU reuniu especialistas para recuperar os valores desviados na corrupção – SAIBA MAIS

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    Brasília, 24 de abril de 2025

    O governo federal anunciou medidas robustas para reparar os danos causados por um esquema bilionário de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que desviou cerca de R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024.

    A Advocacia-Geral da União (AGU) formou um grupo especial com oito advogados públicos para propor ações judiciais e administrativas, visando a restituição integral dos valores descontados ilegalmente.

    A iniciativa segue a deflagração da Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU), que expôs um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em benefícios previdenciários.

    Como Funcionava o Esquema

    A fraude, que operava desde 2016, intensificou-se entre 2019 e 2024, período em que entidades associativas, como sindicatos e associações, cobravam mensalidades irregulares diretamente na folha de pagamento de beneficiários do INSS, muitas vezes sem consentimento.

    Segundo a CGU, 97% dos 1,3 mil aposentados entrevistados não autorizaram os descontos, que totalizaram R$ 6,3 bilhões no período.

    As entidades prometiam serviços como assistência jurídica, descontos em academias e planos de saúde, mas não possuíam estrutura operacional para entregá-los, conforme apurado pela Polícia Federal.

    Os descontos, que variavam de pequenos valores a mensalidades de até R$ 81,57, eram aplicados sob falsificação de documentos e assinaturas, inclusive de analfabetos e idosos com condições incapacitantes.

    A CGU identificou que 70% das 29 entidades analisadas não apresentaram documentação completa para formalizar Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) com o INSS, permitindo os descontos.

    O volume de recursos desviados saltou de R$ 617 milhões em 2019 para R$ 2,8 bilhões em 2024.

    Operação Sem Desconto: A Resposta do Governo

    Lançada em 23 de abril de 2025, a Operação Sem Desconto mobilizou 700 policiais federais e 80 servidores da CGU, cumprindo 211 mandados de busca e apreensão, seis prisões temporárias e ordens de sequestro de bens no valor de R$ 1 bilhão em 13 estados e no Distrito Federal.

    Carros de luxo, joias, obras de arte e dinheiro vivo foram apreendidos, conforme relatado pelo Estadão.

    Seis servidores públicos, incluindo o presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foram afastados por ordem judicial, e Stefanutto foi demitido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após reunião com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o ministro da CGU, Vinícius de Carvalho, no Palácio da Alvorada.

    A operação revelou que o INSS não adotou medidas eficazes para mitigar as fraudes, mesmo após denúncias e auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU).

    Entre janeiro de 2023 e maio de 2024, o INSS recebeu 1 milhão de reclamações sobre descontos indevidos, levando ao cancelamento de débitos autodeclarados como não autorizados.

    Ações para Restituição e Prevenção

    O governo suspendeu todos os acordos de cooperação técnica com as entidades investigadas, bloqueando novos descontos a partir de maio de 2025.

    Os valores retidos em abril serão devolvidos na próxima folha de pagamento, conforme anunciado pela diretora de Orçamentos e Finanças do INSS, Débora Floriano, em entrevista ao O Globo.

    A CGU recomendou a implementação de biometria e assinatura eletrônica para validar autorizações, visando evitar fraudes futuras.

    A AGU já trabalha na responsabilização das 11 entidades suspeitas, incluindo o Sindicato Nacional dos Aposentados (Sindnapi), que nega irregularidades e afirma operar com autorizações formais.

    A investigação, iniciada pela CGU em 2023 e intensificada com 12 inquéritos da PF em 2024, pode resultar em acusações por crimes como corrupção, falsificação de documentos, organização criminosa e lavagem de capitais.

    Impacto e Proteção aos Aposentados

    Cerca de 6 milhões dos 40,6 milhões de segurados do INSS sofreram descontos mensais, sendo 80% ligados às entidades investigadas.

    Para proteger os beneficiários, o INSS orienta consultar extratos no aplicativo Meu INSS ou pelo telefone 135, utilizando o serviço “excluir mensalidade associativa” para bloquear débitos indevidos.

    Denúncias podem ser feitas no portal Consumidor.gov.br ou na Ouvidoria do INSS via Fala BR.

    LEIA MAIS APÓS OS ANÚNCIOS

    O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, classificou os aposentados como “vítimas fáceis” de um esquema que explorava a vulnerabilidade dos beneficiários.

    O governo Lula reforça o compromisso de combater a corrupção e garantir a restituição integral, destacando a operação como uma defesa dos direitos dos aposentados.

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