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LULA contra-atacará eventual deboche de apresentadores do JN com plano para a Economia

    Ex-presidente já foi vítima de mais de cem horas de ataques do telejornal, mas o PT espera respostas naturais a temas como corrupção e Lava Jato

    A campanha petista espera que ele [LULA] responda a possíveis perguntas [na entrevista no Jornal Nacional, da Rede Globo, que acontece na noite de hoje (25/8)] sobre corrupção e Lava Jato com tranquilidade – é o tom de deboche [dos apresentadores do telejornal, William Bonner e Renata Vasconcellos] que já apareceu em sabatina que preocupa a equipe“, escreve Lucas Borges Teixeira, no portal de notícias UOL. Em seu texto, o jornalista diz que “o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se preparou“, no decorrer da “última semana“, para “focar suas respostas no impacto da economia na vida do brasileirofazendo comparação de números atuais com os registrados nos seus governos (2003-2010)“.

    LULA “tem insistido em uma comparação entre a gestão de Bolsonaro e seus oito anos de governo“, escreve Teixeira. “Munido com dados como preço de alimentos, comparação de câmbio, número de desempregados e pessoas abaixo da linha da pobreza“, o ex-presidente “buscará puxar as respostas para essa direção. O PT avalia que, nesse tema, ele consegue se comunicar de forma mais direta e eficiente com o eleitor médio“, prossegue o texto da matéria. “A ideia é também apresentar o retorno de programas bem-sucedidos na gestão petista, como Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida. Bolsonaro não deve ser citado nominalmente, mas seu governo será criticado“.

    Parte da preparação do ex-presidente inclui questões referentes à Operação Lava Jato e sua prisão, em Curitiba, entre 2018 e 2019. Lula quer responder com naturalidade às perguntas – vai lembrar que o ex-juiz Sergio Moro (União Brasil) foi considerado parcial e os processos, anulados“, prevê o jornalista do UOL. “Em caso de questionamento de escândalos de corrupção no governo petista, ele vai defender mecanismos criados em seu governo, como o Portal da Transparência, além de cutucar Bolsonaro ao falar que, na gestão petista, a Polícia Federal era independente e a lista tríplice na escolha da PGR (Procuradoria Geral da República) era respeitada“.

    Estes assuntos, na avaliação do PT, já não devem ser o centro da pauta, como foram no passado, mas, quando forem evocados, o ex-presidente deverá destacar o que sua equipe chama de “problemas do dia a dia do brasileiro”, ou seja, a renda“, diz Teixeira. “Não é bem o conteúdo das perguntas, mas a forma como elas serão feitas que mais chama atenção do PT para a entrevista. Se o partido considera que Lula já está remediado para os assuntos que devem surgir na sabatina, os preparadores do candidato se preocupam com o tom de deboche – durante a entrevista com Bolsonaro, houve comentários sobre o comportamento de Bonner”, explica o jornalista. “Na terça, apoiadores de Bolsonaro reclamaram nas redes sociais que os jornalistas foram mais amistosos com Ciro Gomes“.

    A expectativa é que Lula responda às perguntas de forma cordial e até bem-humorada, se possível. Aliados não sabem, no entanto, como o ex-presidente deve reagir caso o apresentador o trate com a ironia com que tratou o atual presidente. A campanha avalia que, embora já tenha passado por muitas entrevistas ao vivo na TV aberta, Lula deve se preparar para não cometer excessos, por exemplo, evitar qualquer fala mais bélica contra a TV Globo, pela qual já não tem grandes simpatias. O ex-presidente já participou de duas sabatinas no mesmo formato no próprio JN durante as campanhas de 2002 e 2006, mas não vai a esse tipo de evento desde antes da prisão, em 2018, e suas últimas aparições no canal antes da liberdade não foram exatamente positivas”.

    “Quando fala da prisão, em seus discursos, o petista costuma lembrar das “mais de cem horas que o Jornal Nacional” o chamou de ladrão “repetidamente”. Os aliados o aconselharam a não citar essa conta. A falta de questões sobre economia foi um dos principais desapontamentos da campanha petista na entrevista de Bolsonaro. Ávida pela comparação, a equipe de Lula lamentou que dados como o retorno do Brasil ao Mapa da Fome da ONU (Organização das Nações Unidas), com mais de 33 milhões em insegurança alimentar, não tenham sido abordados entre as perguntas feitas ao presidente. Embora tenha havido cobranças por parte dos entrevistadores, a cúpula petista avaliou que o programa focou em polêmicas, mas deixou brecha para falar em “projetos e problemas reais do país”. Dessa forma, o PT diz publicamente ver uma derrota de Bolsonaro na entrevista, mas nos bastidores avalia mais como um empate“, pontua o jornalista do UOL.

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