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Lula comenta acidente aéreo que matou piloto, cinegrafistas e chinês idealizador das “cidades-esponja”

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    Ao fundo, o Parque Florestal Benjakitti, Bangkok, Tailândia, 2022 (Foto: Turenscape/Cultural Landscape Foundation), materializa o conceito de “cidades-esponja” de Kongjian Yu (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil), transformando uma área industrial em um pulmão verde resiliente


    De Manhattan, o estadista lamenta as mortes ocorridas na noite de terça (24), durante filmagem de projetos ambientais promovido por Kongjian Yu – SAIBA MAIS



    Nova Iorque, 24 de setembro de 2025

    Em uma noite marcada por profunda comoção, um acidente aéreo no coração do Pantanal, em Mato Grosso do Sul, ceifou a vida de quatro profissionais renomados na noite de terça-feira (23/set).

    O desastre ocorreu na zona rural de Aquidauana, próximo à Fazenda Barra Mansa – icônica por ser cenário da novela homônima da TV Globo –, quando um avião de pequeno porte, modelo Cessna fabricado em 1958, caiu por razões ainda sob investigação pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e pelo Corpo de Bombeiros local.

    A aeronave, registrada sob o prefixo PT-BAN e de propriedade do piloto, não resistiu ao impacto, resultando na morte imediata de todos os ocupantes.

    As vítimas foram identificadas como o piloto Marcelo Pereira de Barros, de 52 anos e residente em Aquidauana, que acumulava décadas de experiência em voos comerciais na região; o arquiteto e urbanista chinês Kongjian Yu, de 61 anos, considerado uma das maiores referências mundiais em design paisagístico sustentável; e os cineastas brasileiros Luiz Fernando Feres da Cunha Ferraz, sócio da produtora Olé Produções, e Rubens Crispim Jr., dono da Poseídos e formado em Artes Plásticas pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP).

    Segundo relatos preliminares, o grupo estava a bordo para uma filmagem aérea de um documentário sobre projetos ambientais inspirados no conceito inovador de “cidades-esponja”, promovido por Kongjian Yu, que visa integrar áreas urbanas porosas para absorver inundações e mitigar os efeitos das mudanças climáticas – tema especialmente relevante para biomas vulneráveis como o Pantanal.

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou sua solidariedade em postagem nas redes sociais, expressando:

    Foi com tristeza e consternação que recebi a notícia do desastre aéreo ocorrido no Pantanal no início da noite desta terça-feira, 23. A tragédia, infelizmente, custou as vidas do piloto Marcelo Pereira de Barros, dos documentaristas Luiz Fernando Feres da Cunha Ferraz e Rubens Crispim Jr e do arquiteto chinês Kongjian Yu. Em tempos de mudança climática, Kongjian Yu se tornou uma referência mundial com as cidades esponja, que unem qualidade de vida e proteção ambiental: algo que queremos – e precisamos – para o futuro. A todos os amigos, familiares e colegas de trabalho das vítimas, deixo meus mais profundos sentimentos”.

    LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA (Presidente do Brasil)

    A declaração, divulgada nesta quarta-feira (24/set), reforça o impacto global da perda de Kongjian Yu, que havia participado da Conferência Internacional CAU 2025, realizada entre 4 e 6 de setembro em Brasília pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU-BR).

    Atualizações mais recentes, reportadas na manhã desta quarta, indicam que as investigações prosseguem com foco em possíveis falhas mecânicas ou condições meteorológicas adversas na região alagável.

    Equipes de resgate enfrentaram dificuldades de acesso devido ao terreno pantaneiro, mas os corpos foram removidos para perícia no Instituto Médico Legal (IML) de Campo Grande.

    Especialistas em aviação consultados destacam que a aeronave não possuía autorização para operações como táxi aéreo, o que pode ser analisado em inquérito posterior.

    A notícia ecoou internacionalmente, com tributos a Kongjian Yu, fundador do escritório Turenscape e autor de mais de 20 livros, premiado com distinções como o IFLA Sir Geoffrey Jellicoe Award (2020) e o Cooper Hewitt National Design Award (2023).

    Seus projetos, implementados em mais de 70 cidades chinesas, inspiram soluções para enchentes, como as vividas no Rio Grande do Sul em 2024.

    No audiovisual brasileiro, a ausência de Luiz Fernando Feres da Cunha Ferraz e Rubens Crispim Jr. deixa um vazio irreparável.

    Ferraz, com carreira iniciada em 2007 na Olé Produções, dirigiu obras como a série Dossiê Chapecó: O Jogo por Trás da Tragédia, indicada ao Emmy Internacional pela HBO, que dissecou o acidente aéreo da Chapecoense em 2016, e To Win or To Win, sobre o time Al Nassr FC de Cristiano Ronaldo.

    Crispim Jr., por sua vez, contribuiu para documentários como Operação Condor (Discovery Channel) e coordenou o departamento audiovisual da Amigos da Arte entre 2019 e 2023, promovendo atividades culturais em escala nacional.

    O documentário em produção, que capturava imagens aéreas do Pantanal para ilustrar adaptações climáticas, agora é incerto, mas fontes próximas indicam que fragmentos gravados podem ser resgatados como homenagem.

    A tragédia reacende debates sobre segurança em voos de pequeno porte em áreas remotas e a urgência de inovações urbanas frente às crises ambientais.

    Familiares e colegas organizam vigílias em Aquidauana e São Paulo, enquanto o Ministério da Cultura e o CAU-BR planejam eventos em memória das vítimas.



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