“Tem um deputado que fez uma campanha contra as mudanças que a Receita Federal propôs, e agora está provado que o que ele estava fazendo era defender o crime organizado. Nós não vamos dar trégua pro crime organizado“
Brasília, 29 de agosto de 2025
Em entrevista à Rádio Itatiaia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou o compromisso do governo federal em desarticular o crime organizado no Brasil, prometendo uma atuação firme e sem conivência.
Durante a conversa, Lula destacou a sofisticação das organizações criminosas, que operam como “verdadeiras multinacionais” e se infiltram em diversas esferas, como política, futebol e até o sistema financeiro.
Ele celebrou a recente Operação Carbono Oculto, conduzida pela Polícia Federal em parceria com o Ministério Público de São Paulo, classificada como uma das maiores ações contra o crime organizado na história do país.
A operação, realizada na quinta-feira (28/ago), teve como alvo esquemas bilionários de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, comandados pela facção Primeiro Comando da Capital (PCC).
A ação resultou em 14 mandados de busca e apreensão, 14 mandados de prisão preventiva e cinco prisões até o momento, segundo o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
A estratégia, que envolveu a Receita Federal e o Ministério da Justiça, focou no desmantelamento das rotas financeiras do crime, evidenciando a importância de uma abordagem integrada.
“A fiscalização da Receita Federal deve estar totalmente à disposição dos órgãos de combate, porque o crime organizado hoje opera com infraestrutura financeira sofisticada”, afirmou Lula.
Lula também alertou para o impacto da desinformação na segurança pública, criticando um “tal deputado” por disseminar fake news sobre o Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central.
Sem citar nomes, o presidente fez referência ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), acusado de espalhar informações falsas no início de 2025, quando uma norma da Receita Federal gerou boatos de que o Pix seria taxado.
A desinformação, segundo Lula, criou desconfiança na população e prejudicou a fiscalização financeira, beneficiando organizações criminosas.
“Está provado que o que ele estava fazendo era defender o crime organizado”, disparou o presidente.
A norma em questão, a Instrução Normativa 2219/24, exigia que instituições financeiras reportassem movimentações acima de R$ 5 mil para pessoas físicas e R$ 15 mil para pessoas jurídicas.
A onda de desinformação, amplificada por vídeos falsos e comentários de figuras como Jair Bolsonaro e o próprio Nikolas Ferreira, levou a uma queda de 10,9% nas transações via Pix entre 4 e 10 de janeiro, segundo dados do Sistema de Pagamentos Instantâneos divulgados pelo jornal O Globo.
A pressão pública forçou o governo a revogar a norma em 14 de janeiro, por meio de uma medida provisória.
O impacto da desinformação também foi sentido na popularidade do governo. Uma pesquisa do Instituto Quaest, realizada entre 23 e 26 de janeiro de 2025, revelou que a aprovação de Lula caiu de 52% para 47%, enquanto a desaprovação subiu para 49%.
O estudo apontou que 67% dos entrevistados acreditavam na falsa taxação do Pix, evidenciando o estrago causado pela campanha de fake news.
Lula enfatizou que o combate ao crime organizado exige não apenas repressão, mas também avanços legislativos, como a aprovação da PEC da Segurança no Congresso Nacional, que busca maior eficiência das polícias em parceria com os estados.
Ele também destacou o papel do Núcleo de Combate ao Crime Organizado, criado pelo Ministério da Justiça, como peça-chave para desmantelar redes criminosas.
O presidente ainda enviou um recado ao ex-presidente Jair Bolsonaro: “Nós vamos mostrar a cara de quem faz parte do crime organizado neste país, e o ex-presidente que tome cuidado”.
A Advocacia-Geral da União (AGU) está investigando a disseminação de fake news sobre o Pix, com possíveis medidas criminais contra os responsáveis. O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reforçou que a desinformação patrocinada por alguns atores políticos facilita golpes, como o envio de boletos fraudulentos, que exploram a confiança no sistema financeiro.







