Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), concede entrevista à TV Cidade do Ceará |1.4.2026| Imagem reprodução CanalGov via Lula/YouTube
Fortaleza (CE) · 01 de abril de 2026
Em entrevista exclusiva concedida nesta quarta-feira (1º/abr) ao portal GC Mais e à TV Cidade durante agenda no Ceará, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo federal não hesitará em adotar medidas rigorosas contra especulação nos preços dos combustíveis.
“Vamos ter que colocar alguém na cadeia,” declarou o mandatário, ao criticar aumentos abusivos no diesel que, segundo ele, não se justificam integralmente pela conjuntura internacional.
A fala de Lula abre a problematização do tema. O presidente atribuiu parte da pressão sobre os preços ao conflito no Oriente Médio, especialmente o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã, que afeta o suprimento global de óleo diesel — o Brasil importa cerca de 30% do diesel consumido.
Ainda assim, ele enfatizou que o governo federal já reduziu impostos federais (PIS/COFINS equivalente a 32 centavos) e negocia com governadores a divisão do custo da redução do ICMS, com a União arcando com metade do valor.
“A minha ordem é pra estrada, é no posto de gasolina e na distribuidora,” completou, anunciando atuação conjunta da Polícia Federal e dos Procons estaduais para coibir práticas de “gente mau caráter” que elevam preços de forma artificial.
Lula diferenciou as ações atuais das adotadas em gestões anteriores, destacando que a atual conjuntura envolve fatores externos como a guerra, mas que o compromisso é impedir repasse integral ao consumidor, especialmente no Nordeste.
Ele conclamou a população a denunciar postos que cobram valores excessivos e reafirmou que o governo fará “todo e qualquer sacrifício” para evitar impacto no preço do feijão, da salada e da carne.
GC Mais/TV Cidade via CanalGov/@Lula/YouTube
Até o momento, não há registro de prisões, mas a fiscalização está ativa, conforme relatado pela própria entrevista.
A visita de Lula ao Ceará marca a primeira viagem presidencial ao estado em 2026.
A agenda concentrou-se em educação: o presidente inaugurou o primeiro bloco de engenharias e o alojamento estudantil do campus do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em Fortaleza, na Base Aérea, primeira unidade do ITA fora de São José dos Campos (SP).
A iniciativa homenageia o Ceará, estado que mais envia alunos ao ITA vestibular.
Na mesma ocasião, Lula celebrou os dois anos do programa Pé-de-Meia, que já beneficiou 5,6 milhões de estudantes do ensino médio de famílias de baixa renda.
O objetivo central, segundo o presidente, é evitar a evasão escolar para que jovens pobres não precisem abandonar os estudos para ajudar no orçamento familiar.
Resultados preliminares indicam queda de 43% no abandono escolar.
O programa foi destacado como uma das marcas do ministro da Educação, Camilo Santana, que deixa o cargo nesta semana para assumir maior mobilidade como senador.
Lula elogiou o trabalho de Camilo Santana e do antecessor Fernando Haddad à frente do Ministério da Educação, citando avanços como o salto na alfabetização infantil do 2º ano do fundamental (de 36% para 66%) e expansão de escolas de tempo integral, creches, institutos federais e universidades.
O presidente defendeu que Camilo atue como cabo eleitoral nacional e no Ceará, sem disputar o governo estadual, onde o nome apoiado é o do atual governador Elmano de Freitas (PT).
“O Elmano é um bom governador […] tem todas as condições, vai ser reeleito,” afirmou.
Sobre a política local, Lula rechaçou intervenção direta nas articulações do PT no Ceará e defendeu composição de chapas com aliados para as duas vagas ao Senado em 2026.
Comentou a possível saída da senadora Luiziane Lins do partido por falta de espaço, argumentando que é necessário compartilhar posições para fortalecer alianças e manter maioria no Congresso. “Nós não podemos querer ter todo mundo do PT,” ponderou.
O presidente também abordou a relação com Ciro Gomes, ex-ministro em seu primeiro governo e figura influente no Ceará. Sem romper laços pessoais, Lula classificou o político como “destemperado” e criticou trocas frequentes de partido, contrastando com sua própria fidelidade ao PT desde 1980.
“Ele pode prestar bons serviços ao Brasil,” disse, mas destacou que o povo decidiu as candidaturas presidenciais passadas.
Lula reafirmou intenção de disputar a reeleição em 2026 pela quarta vez, defendendo a distribuição de renda como motor do crescimento econômico.
Citou recordes como a maior massa salarial da história, menor desemprego e exportações elevadas, atribuindo-os à inclusão dos mais pobres no orçamento.
Mencionou ainda investimentos do PAC no Ceará (R$ 31 bilhões executados de R$ 59,6 bilhões previstos), obras como a Transnordestina, data center e hidrogênio verde, além de ações para resolver definitivamente o problema da seca no estado.
Sobre saúde, o presidente celebrou a expansão do Mais Médicos (de 12 mil para quase 28 mil profissionais), mutirões de cirurgias eletivas (14,7 milhões realizadas), carretas de exames e farmácia popular com 41 remédios gratuitos de uso contínuo.
Destacou investimentos em universidades e pesquisa, citando o potencial de projetos como a pele de tilápia desenvolvida no Ceará.
Fontes oficiais confirmam que a fiscalização sobre preços de combustíveis segue em curso. Detalhes sobre eventuais autuações ou acordos com governadores para o ICMS devem ser divulgados nos próximos dias.

Ok! Vamos começar pelo interior da Bahia: gasolina, de R$ 7,49 (Guanambi) até R$ 7,97 (Brumado), e óleo diesel acima de R$ 8,20!