O estadista está acompanhado por representantes de 15 ministérios, com a expectativa da assinatura de aproximadamente 20 acordos, mas também são esperadas conversações sobre o processo eleitoral da Venezuela, onde a oposição a Maduro apela para o reconhecimento da vitória de González
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O Presidente da República Federativa do Brasil, Excelentíssimo Senhor Luiz Inácio Lula da Silva (PT), desembarcou no Aeroporto Internacional Arturo Merino Benítezem, na noite deste domingo (4/8), por volta das 20h30, com os representantes de 15 ministérios: Relações Exteriores; Empreendedorismo; Minas e Energia; Portos e Aeroportos; Agricultura, Pecuária e Abastecimento; Trabalho; Desenvolvimento Social; Saúde; Gestão e Inovação; Direitos Humanos; Ciência e Tecnologia; Turismo; Indústria e Comércio; Comunicação e GSI.
A viagem estava marcada para dois meses atrás, mas foi adiada por causa das enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul. Essa será a segunda visita de Estado do Presidente Lula ao Chile. A primeira ocorreu há vinte anos, em agosto de 2004. Já Boric esteve duas vezes em Brasília, na posse do estadista e na reunião de presidentes da América do Sul, em maio de 2023.
Às 21h21 de domingo, o estadista postou nas redes sociais uma imagem em que ele foi recepcionado pelo Ministro das Relações Exteriores do Chile, Alberto van Klaveren, e escreveu: “Chegando em Santiago, no Chile, onde o governo federal vai trabalhar para ampliar as relações de cooperação, comércio, investimentos e intercâmbio entre nossos países irmãos“.
Chegando em Santiago, no Chile, onde o governo federal vai trabalhar para ampliar as relações de cooperação, comércio, investimentos e intercâmbio entre nossos países irmãos. 🇧🇷🇨🇱
— Lula (@LulaOficial) August 5, 2024
📸 @ricardostuckert pic.twitter.com/pN8IcuPYgo
O chefe do Executivo brasileiro não respondeu questionamentos de jornalistas que o aguardavam no hotel onde o ficará hospedado, próximo ao Palácio de La Moneda – a sede da Presidência da República do Chile, mas que também abriga o Ministério do Interior, a Secretaria Geral da Presidência e a Secretaria Geral do Governo: “Amanhã eu falo o que vocês quiserem”, disse Lula.
O líder brasileiro chegada ao Chile em meio a um contexto turbulento em termos de relações externas, decorrente das preocupações internacionais com o processo eleitoral venezuelano e do apelo da oposição pelo reconhecimento da vitória de Edmundo González.
Há uma semana, Nicolás Maduro foi proclamado reeleito. A oposição alega fraude e realiza protestos. Mais de mil pessoas já foram presas e há relatos de vinte mortes, segundo o Human Rights Watch. Desde então, Lula e o Presidente Gabriel Boric têm adotado posturas diferentes sobre o processo eleitoral venezuelano.
Boric disse em rede social que é difícil acreditar na vitória de Maduro, dando início a uma relação tensa do Chile com a Venezuela, que expulsou diplomatas chilenos. Tudo isso e mais a pressão sobre presidentes de inclinação esquerdista em relação à situação venezuelana são temas-chave que cercam a viagem de Lula, que em sua primeira manifestação cobrou a divulgação das atas, mas disse não ver “nada de anormal” sobre o processo eleitoral venezuelano.
A declaração conjunta entre Lula, Gustavo Petro (Presidente da Colômbia) e Andrés Manuel López Obrador (Presidente do México), instando à transparência nas eleições venezuelanas, também contribui para o contexto geral. Boric enfrenta pressão interna e externa para se posicionar sobre a situação venezuelana, especialmente durante a visita de Lula.
O Presidente brasileiro estará no Chile por dois dias. Sua agenda inclui atividades protocolares, como depositar uma coroa de flores no Monumento ao Libertador General Bernardo O’Higgins, ser recebido com honras pela guarda do Palácio e pelo Presidente Boric, ter uma reunião bilateral privada com o presidente chileno e participar de um evento conjunto com ministros chilenos.
O encontro com Boric acontecerá às 11h (no horário de Brasília) no La Moneda, seguido de uma reunião ampliada e assinatura de atas. Logo depois, os dois líderes farão uma declaração conjunta à imprensa.
Lula terá reuniões com vários líderes políticos, sindicatos industriais e representantes comerciais. A agenda também inclui a assinatura de aproximadamente 20 acordos de cooperação entre o Chile e o Brasil, abrangendo áreas como segurança, saúde, comércio, cultura, turismo e ciência. Além disso, estão programadas atividades privadas, incluindo encontros com a prefeita de Santiago, Irací Hassler, e o ex-presidente Ricardo Lagos.
De acordo com o Itamaraty, Lula também pretende pedir apoio do Chile ao lançamento do programa da Aliança Contra a Fome e a Pobreza, cuja iniciativa deve ser anunciada durante o encontro do G20, em novembro.
Após encontro com Boric, Lula visitará o presidente da Corte Suprema, Ricardo Blanco; o presidente do Senado, José García Ruminot; e a presidente da Câmara, Karol Cariola. À tarde, estão previstos encontros com representantes da Latam, maior empresa chilena em operação no Brasil, e com o secretário-executivo da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), José Manuel Salazar-Xirinachs.
Lula e Boric também vão participar de um fórum empresarial organizado pela Apex Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). Às 12h30 de terça-feira (6/8) o presidente embarca de volta para o Brasil.
